Em um único pregão de outubro, o Nubank — banco digital fundado há menos de quinze anos — ultrapassou a Petrobras e se tornou a empresa mais valiosa do Brasil, com capitalização de mercado de US$ 76,97 bilhões. O feito reordena uma hierarquia corporativa que parecia imutável, colocando uma fintech à frente de gigantes do petróleo, da mineração e da banca tradicional. É um sinal de que o valor, no capitalismo contemporâneo, migra com velocidade crescente para onde a confiança digital se instala.
Nubank ultrapassa Petrobras e se torna empresa mais valiosa do Brasil
Um banco digital lidera a fila das maiores empresas do Brasil
Como um banco digital consegue valer mais que a Petrobras, uma empresa com décadas de história e ativos físicos imensos?
É uma questão de como o mercado avalia o futuro. A Petrobras gera caixa hoje, mas o Nubank representa crescimento potencial — especialmente em um setor que ainda está se digitalizando. O mercado paga mais por perspectiva de expansão do que por produção presente.
Mas US$ 77 bilhões é muito dinheiro para um banco que ainda está crescendo. Não há risco de bolha?
Sempre há risco. Mas o J.P. Morgan não está inventando números — está comparando o Nubank com pares americanos que já provaram seus modelos. Se o banco conseguir manter a rentabilidade e expandir nos EUA como planeja, esses números podem fazer sentido.
E se não conseguir? Se a expansão americana fracassar ou o México não decolar?
Aí a avaliação cai. Por isso o mercado está tão atento aos resultados do terceiro trimestre. Qualquer sinal de que a inadimplência está subindo ou que as margens estão apertando muda a conversa.
Qual é o maior risco que ninguém está falando?
Talvez seja a concorrência. Bancos tradicionais estão se digitalizando, fintechs internacionais podem entrar no Brasil com força. O Nubank precisa não apenas crescer, mas crescer mais rápido que a concorrência. Isso é mais difícil do que parece.
Então essa liderança é frágil?
Não frágil, mas conquistada. O Nubank tem que provar a cada trimestre que merece estar no topo. É assim que funciona o mercado de capitais — você é tão bom quanto seu último resultado.
O Pulso
- Com alta acumulada de 53,7% em 2025, o Nubank chegou a US$ 76,97 bilhões e deixou Petrobras, Itaú e Vale para trás em um único movimento de mercado.
- A virada não é simbólica apenas: ela reposiciona o mapa de poder do capitalismo brasileiro, colocando uma empresa sem agências físicas no topo de uma economia historicamente dominada por commodities e bancos centenários.
- O J.P. Morgan projeta que o valuation poderia dobrar — chegando a US$ 140 bilhões — caso o Nubank passe a ser negociado com múltiplos equivalentes aos de fintechs americanas como Chime e SoFi.
- Os resultados do terceiro trimestre, previstos para 13 de novembro, serão o próximo teste: analistas estimam lucro de US$ 723 milhões e esperam sinais sobre inadimplência e margem financeira.
- Expansão nos EUA, cronograma de equilíbrio no México e qualidade dos ativos em 2026 são as incógnitas que o mercado vai dissecar na teleconferência de resultados.
Em um único pregão de outubro, o Nubank — banco digital fundado há menos de quinze anos — ultrapassou a Petrobras e se tornou a empresa mais valiosa do Brasil, com capitalização de mercado de US$ 76,97 bilhões. O feito reordena uma hierarquia corporativa que parecia imutável, colocando uma fintech à frente de gigantes do petróleo, da mineração e da banca tradicional. É um sinal de que o valor, no capitalismo contemporâneo, migra com velocidade crescente para onde a confiança digital se instala.
Na terça-feira, o Nubank fechou o pregão com capitalização de mercado de US$ 76,97 bilhões, ultrapassando a Petrobras — avaliada em US$ 74,50 bilhões — e se tornando a empresa mais valiosa do Brasil. O Itaú, com US$ 72,54 bilhões, e a Vale, com US$ 49,60 bilhões, também ficaram para trás. Um banco digital que não existia há quinze anos agora lidera o ranking corporativo do país.
No contexto latino-americano, o Nubank ocupa o segundo lugar, atrás apenas do Mercado Livre (US$ 116,10 bilhões). Globalmente, figura na 40ª posição entre as maiores instituições financeiras do mundo, ao lado de nomes como BNY Mellon e Barclays. A ação acumula alta de 53,7% em 2025, fechando a US$ 15,93 — próxima do recorde histórico de US$ 16,30 registrado em setembro.
Analistas do J.P. Morgan apontam que o valuation poderia chegar a US$ 140 bilhões se o banco fosse negociado com os mesmos múltiplos de fintechs americanas. Não é uma projeção formal, mas indica o espaço que o mercado ainda enxerga na trajetória da empresa. Para o terceiro trimestre, cuja divulgação está marcada para 13 de novembro, a estimativa é de lucro de US$ 723 milhões, com inadimplência controlada e melhora na margem financeira.
As questões que o mercado acompanhará de perto incluem a expansão para os Estados Unidos, o cronograma de equilíbrio no México e a qualidade dos ativos em 2026 — temas que devem dominar a teleconferência de resultados nas próximas semanas.
Na terça-feira, o Nubank cruzou um marco que poucos esperavam ver tão cedo. O banco digital fechou o dia com uma capitalização de mercado de US$ 76,97 bilhões, ultrapassando a Petrobras — que marcava US$ 74,50 bilhões — e se consolidando como a empresa mais valiosa do Brasil. Não é uma margem apertada. É uma virada clara, e ela reposiciona todo o mapa de poder do mercado de capitais brasileiro.
O feito coloca o Nubank à frente de nomes que dominaram essa conversa por décadas. O Itaú, com US$ 72,54 bilhões, fica para trás. A Vale, com US$ 49,60 bilhões, também. Essas cinco maiores companhias brasileiras — Nubank, Petrobras, Itaú, Vale e o quinto colocado — representam o grosso do que o país consegue gerar em termos de valor corporativo. Agora um banco digital, que não existia há quinze anos, lidera a fila.
No contexto latino-americano, o Nubank respira em segundo lugar. Apenas o Mercado Livre, avaliado em US$ 116,10 bilhões, fica acima. Globalmente, o banco digital ocupa a 40ª posição entre as maiores instituições financeiras do mundo, um ranking que inclui nomes como BNY Mellon (US$ 75,62 bilhões), Barclays (US$ 75,05 bilhões) e US Bancorp (US$ 73,55 bilhões). A ação acumulou uma alta de 53,7% só neste ano, fechando terça-feira cotada a US$ 15,93, próxima do recorde de US$ 16,30 atingido em 22 de setembro.
O que torna essa trajetória ainda mais intrigante é o que analistas enxergam à frente. Um relatório recente do J.P. Morgan sugere que o Nubank poderia alcançar uma avaliação de US$ 140 bilhões se fosse negociado com os mesmos múltiplos de empresas financeiras americanas como Chime, SoFi e Affirm. Isso não é previsão; é mais um exercício de comparação. Mas ele aponta para o espaço que o mercado ainda vê nessa história.
Os números operacionais reforçam a narrativa. Analistas estimam que o Nubank deve lucrar US$ 723 milhões — cerca de R$ 3,887 bilhões na cotação atual — no terceiro trimestre, cujos resultados serão divulgados em 13 de novembro. A expectativa é que a inadimplência permaneça controlada e que a margem financeira melhore com o crescimento da carteira. Esses são os sinais que sustentam a confiança.
Mas há questões em aberto que o mercado acompanhará de perto. A expansão para os Estados Unidos é uma delas — um movimento que pode multiplicar a escala do negócio ou se revelar mais complexo do que parece. O cronograma para atingir o ponto de equilíbrio no México é outra. E há também a perspectiva para a qualidade dos ativos em 2026, um indicador que pode sinalizar se o banco consegue manter a saúde do seu portfólio enquanto cresce. Essas serão as conversas que dominarão a teleconferência de resultados daqui a duas semanas.
Citações Notáveis
O Nubank poderia atingir uma avaliação de US$ 140 bilhões se fosse negociado com os mesmos múltiplos de empresas americanas como Chime, SoFi e Affirm— J.P. Morgan, em relatório recente