Nubank inicia operações nos EUA com conta global e foco em desbancarizados

Será um banco competitivo no mass market, não um nicho
CEO do Nubank rejeita estratégia focada apenas em latino-americanos e aponta para competição em escala nos EUA.
Mark

Por que o Nubank acha que consegue competir num mercado onde os grandes bancos já têm escala e relacionamento com os clientes?

Mimi

Porque a estrutura de custos deles é radicalmente diferente. Eles gastam US$ 1 por cliente enquanto os grandes bancos gastam US$ 20. Se conseguirem escala, a margem fica muito maior.

Luke

Mas isso pressupõe que conseguem escala. Quantos clientes eles têm no Brasil? E quanto tempo levou? Os EUA é um mercado muito diferente.

Mark

A conta remunerada a 3,5% é realmente tão rara nos EUA?

Mimi

Sim. Entre 60% e 70% dos depósitos americanos não recebem nenhuma remuneração. Então para alguém com poupança, isso é uma diferença real.

Luke

Mas a taxa de 3,5% é sustentável? Depende de como eles estão financiando isso. Se for através de um banco parceiro, eles têm risco de crédito ali.

Mark

E a conta global — como é que funciona?

Mimi

Você deposita em diferentes moedas e elas são convertidas em stablecoins — dólares digitais ou euros digitais. Você recebe rendimento diário. É uma forma de competir com a Revolut sem ter que fazer tudo do zero.

Luke

A Revolut acaba de conseguir licença provisória. O Nubank ainda está operando sob aprovação condicional. Qual é a diferença regulatória ali?

Mark

Qual é o tamanho real do mercado que eles estão perseguindo?

Mimi

100 a 150 milhões de desbancarizados ou underbanked. Se eles pegarem 10 milhões, já é um negócio enorme — equivalente a 100 milhões no Brasil.

Luke

Mas "desbancarizado" é um termo amplo. Inclui gente sem conta, gente com conta mas que não usa, gente que usa mas quer mais rendimento. Qual desses segmentos o Nubank consegue servir melhor?

  • O Nubank desembarca nos EUA com aprovação regulatória condicional, operando ainda sem licença bancária completa — uma corrida contra o relógio enquanto concorrentes como a Revolut também avançam no mesmo território.
  • A conta corrente com rendimento de 3,5% ao ano é uma provocação direta a um mercado onde a maioria dos bancos simplesmente não paga nada pelos depósitos de seus clientes.
  • Com apenas 60 funcionários e custo de US$ 1 por cliente — contra US$ 20 dos rivais estabelecidos — o banco aposta que eficiência extrema pode vencer a força bruta das instituições centenárias.
  • A conta global com transferências gratuitas para 35 países e stablecoins atreladas ao dólar e ao euro revelou ambições que surpreenderam analistas e reposicionam o Nubank como rival direto de plataformas globais.
  • O mercado reagiu com frieza — alta de apenas 0,2% nas ações — sinalizando que a promessa ainda precisa se converter em execução antes de ganhar a confiança dos investidores.

Uma fintech nascida no Brasil atravessa o Atlântico e planta sua bandeira no coração do capitalismo financeiro mundial: os Estados Unidos. O Nubank chega não para disputar os já bancarizados, mas para alcançar os invisíveis do sistema — entre 100 e 150 milhões de americanos que vivem à margem dos grandes bancos. Com uma estrutura de custos radicalmente mais enxuta e uma conta que remunera depósitos numa terra onde isso é raridade, a empresa de David Vélez testa se o que funcionou nas periferias do Sul Global pode prosperar no centro do Norte Global.

O Nubank abriu operações nos Estados Unidos nesta semana, mirando um mercado de 100 a 150 milhões de americanos desbancarizados ou mal atendidos pelo sistema financeiro tradicional. O anúncio foi feito em Miami, transmitido ao vivo do Nu Stadium, e representa o próximo capítulo de uma fintech brasileira que já opera no México, Colômbia e Brasil.

O CEO David Vélez foi enfático: embora o banco naturalmente atraia latino-americanos familiarizados com a marca, a ambição é o mass market americano. Para isso, o Nubank lançou uma conta corrente que rende 3,5% ao ano — raridade num país onde 60% a 70% dos depósitos bancários não recebem qualquer remuneração. Os depósitos ficam custodiados no banco parceiro Lead Bank, e os clientes recebem cartões de débito e crédito com cashback de 1,5%. Empréstimos pessoais e outros produtos virão quando a licença bancária completa for obtida.

A surpresa do evento foi a conta global: transferências gratuitas entre 35 países e depósitos em stablecoins atreladas ao dólar e ao euro, com rendimentos de 3,50% e 2,20% ao ano, respectivamente. O movimento coloca o Nubank em disputa direta com a Revolut, que também acaba de obter licença provisória nos EUA.

A economia de custos é o pilar central da estratégia. Cristina Junqueira, CEO do Nubank nos EUA, revelou que a operação começou com cerca de 60 funcionários e gasta aproximadamente US$ 1 por cliente — fração dos US$ 20 que os grandes bancos locais desembolsam. A receita por cliente americano deve ser dez vezes maior do que a obtida em outros países, o que significa que 10 milhões de clientes nos EUA equivaleriam, em termos financeiros, a 100 milhões no Brasil.

O plano prevê investir cerca de US$ 250 milhões para encontrar o ajuste entre produto e mercado antes de escalar. Vélez também sinalizou expansão para outros países além dos já atendidos. No pregão, a ação subiu apenas 0,2%, com o banco avaliado em US$ 73 bilhões na NYSE — sinal de que o mercado aguarda provas concretas de execução antes de celebrar.

O Nubank abriu as portas nos Estados Unidos nesta semana, anunciando uma operação que aponta para um dos maiores mercados de clientes potenciais do planeta: entre 100 e 150 milhões de americanos que estão fora do sistema financeiro tradicional ou mal servidos por ele. O anúncio aconteceu em Miami, transmitido ao vivo do Nu Stadium, e marca o próximo passo de uma fintech brasileira que já opera no México, Colômbia e Brasil.

O CEO David Vélez deixou claro que, embora o banco naturalmente atraia latino-americanos que já o conhecem, a estratégia não será ficar nesse nicho. "Será um banco competitivo no mass market," disse ele. Para competir em escala, o Nubank lançou também uma conta global que permite transferências gratuitas entre 35 países — um movimento que coloca a empresa em disputa direta com a Revolut, que acaba de obter uma licença bancária provisória nos EUA. Segundo analistas, esse produto global foi uma surpresa e sinaliza que o Nubank quer se posicionar no mesmo patamar de empresas com avaliações mais altas.

Nos EUA, o banco começou a operar sob uma aprovação condicional do regulador obtida em janeiro, enquanto aguarda a licença completa de banco nacional. O produto inicial é uma conta corrente que rende 3,5% ao ano — algo raro no mercado americano, onde entre 60% e 70% dos depósitos bancários não recebem qualquer remuneração. Essa realidade se tornou ainda mais pesada para os clientes com a inflação e os juros em alta. Os depósitos são mantidos num banco parceiro, o Lead Bank, e os clientes recebem cartões de débito e crédito com cashback de 1,5%. Quando o Nubank conseguir a licença completa, planeja oferecer empréstimos pessoais e outros produtos que já oferece no Brasil.

A economia de custos é o coração da estratégia. Cristina Junqueira, CEO do Nubank nos EUA, revelou que a operação americana começou com cerca de 60 funcionários e a despesa por cliente é de aproximadamente US$ 1 — uma fração dos US$ 20 que os grandes bancos locais gastam por cliente. "E esses são os caras que têm escala, imagina os menores," ela observou. Ao mesmo tempo, a receita por cliente nos EUA deve ser dez vezes maior que a obtida pelo Nubank em outros países, graças ao câmbio favorável e à renda per capita mais alta. Isso significa que se o banco atingir 10 milhões de clientes americanos — 10% do mercado potencial — será como ter 100 milhões de clientes no Brasil.

O plano é gastar cerca de US$ 250 milhões — aproximadamente 1 ponto percentual do índice de eficiência — para encontrar o ajuste correto entre produto e mercado, e crescer a partir daí. A conta global oferece depósitos em diferentes moedas convertidos em dólares digitais ou euros digitais, que são stablecoins pareadas às moedas reais, com rendimento de 3,50% ao ano e 2,20% ao ano, respectivamente. A parceria com a Wise, que hoje opera os cartões globais do Nubank, continua por enquanto, mas o objetivo é unificar tudo sob a estrutura proprietária do banco.

Vélez também sinalizou ambições ainda maiores. "Vamos entender as necessidades em outros países e talvez abrir bancos nessas regiões," disse ele. Para os brasileiros, a conta global estará disponível em breve. No mercado, o anúncio não causou grande movimento — a ação do Nubank subiu apenas 0,2% no fechamento do pregão, com o banco valendo US$ 73 bilhões na NYSE. Analistas como Eduardo Rosman, do BTG, veem um "profit pool atraente" no mercado de crédito americano, mas alertam que a execução será crucial.

Será um banco competitivo no mass market
— David Vélez, CEO do Nubank
Se chegarmos a 10 milhões de clientes, 10% do mercado potencial, será como ter 100 milhões de clientes no Brasil
— Cristina Junqueira, CEO do Nubank nos EUA
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