Novo benchmark revela computadores quânticos ainda 100 mil vezes mais fracos que o necessário

Máquinas atuais precisam aumentar capacidade em 100 mil vezes
O melhor desempenho registrado é 1.824 QUOPS, enquanto aplicações práticas exigem entre 250 e 340 milhões QUOPS.
Mark

Por que esse benchmark é diferente dos testes que já existiam?

Mimi

Porque os testes antigos mediam coisas isoladas — quantos qubits uma máquina tem, ou quão rápida ela é. Mas velocidade não significa nada se você não consegue executar um circuito grande o suficiente para resolver um problema real. O QUOPS mede os dois ao mesmo tempo.

Luke

Mas como você sabe que esses números de 250 a 340 milhões QUOPS são realmente o que é necessário? Quem definiu isso?

Mimi

Esses números vêm de estimativas sobre o que seria necessário para quebrar criptografia RSA-2048 ou modelar moléculas complexas. Não é uma medição direta — é uma projeção baseada em cálculos teóricos.

Mark

E qual é a diferença prática entre o Helios-1 e os processadores da Google e IBM?

Mimi

O Helios-1 consegue executar circuitos muito maiores, mas demora mais tempo. Os processadores da Google e IBM são muito mais rápidos, mas só conseguem executar circuitos pequenos. É um trade-off.

Luke

Então nenhum deles é claramente melhor?

Mimi

Exatamente. Cada um fez escolhas diferentes no design. Não há uma solução óbvia que seja superior em tudo.

Mark

O que precisa acontecer para fechar esse intervalo de 100 mil vezes?

Mimi

Reduzir significativamente as taxas de erro, aumentar o número de qubits físicos, ou desenvolver arquiteturas mais eficientes. Provavelmente será necessário fazer tudo isso.

Luke

E quanto tempo isso vai levar?

Mimi

O estudo não diz. Mas a escala do desafio — cinco ordens de magnitude — sugere que ainda estamos em estágios bem iniciais.

  • A computação quântica carecia de uma régua comum: cada fabricante apresentava métricas próprias, tornando impossível comparar máquinas de arquiteturas radicalmente diferentes.
  • O QUOPS expõe uma lacuna de cinco ordens de magnitude entre o melhor hardware atual e o desempenho necessário para quebrar criptografia RSA-2048 ou modelar moléculas complexas.
  • O Helios-1 da Quantinuum executa os maiores circuitos, mas sua lentidão estrutural contrasta com a velocidade dos processadores supercondutores da Google e IBM — que, por sua vez, ficam presos em grades rígidas de qubits.
  • Nenhuma arquitetura vence em todos os critérios: velocidade e capacidade de circuito revelam-se, por ora, objetivos em tensão permanente.
  • Pesquisadores apontam que fechar o intervalo exigirá redução drástica de erros, mais qubits físicos e sistemas tolerantes a falhas — um roteiro longo, mas agora com uma bússola mais confiável.

Em laboratórios e centros de pesquisa ao redor do mundo, a promessa da computação quântica continua a inspirar investimentos e esperanças — mas um novo benchmark desenvolvido pelo Sandia National Laboratories coloca essa promessa em perspectiva rigorosa: os melhores computadores quânticos disponíveis hoje operam a cerca de 1.824 QUOPS, enquanto aplicações verdadeiramente transformadoras exigiriam entre 250 e 340 milhões. É a diferença entre um lampejo de potencial e a luz plena — e medi-la com honestidade é, em si, um avanço.

Um novo benchmark chamado QUOPS, desenvolvido pelo Sandia National Laboratories, colocou frente a frente os computadores quânticos mais avançados da Google, IBM e Quantinuum — e o resultado é revelador: o melhor desempenho registrado em hardware físico chegou a 1.824 QUOPS, enquanto aplicações práticas de grande impacto exigiriam entre 250 e 340 milhões. A diferença é de cinco ordens de magnitude.

Ao contrário dos métodos tradicionais, que avaliavam características isoladas como número de qubits ou taxas de erro, o QUOPS mede simultaneamente o tamanho dos maiores circuitos que uma máquina consegue executar corretamente e a velocidade com que o faz. Para isso, o teste utiliza padrões aleatórios de operações entre qubits que imitam circuitos usados em cálculos científicos reais.

Os resultados evidenciaram diferenças profundas entre as arquiteturas. O Helios-1, processador de íons aprisionados da Quantinuum, liderou em capacidade de circuito, superando 1.500 QUOPS, graças à flexibilidade de comunicação entre seus qubits. Porém, mover íons leva tempo, tornando o sistema relativamente lento. Já os processadores supercondutores da Google e IBM operam em grades rígidas que limitam a comunicação entre qubits — o que resultou em pontuações de cerca de 200 QUOPS — mas compensam com velocidade: o Willow, da Google, chegou a 20 milhões de operações por segundo.

Essa tensão entre velocidade e capacidade de circuito é justamente o que o QUOPS procura capturar. Uma máquina veloz que não executa circuitos suficientemente grandes não resolve os problemas para os quais a computação quântica foi concebida.

Para os pesquisadores, o benchmark oferece algo que faltava ao campo: uma régua comum, capaz de tornar o progresso verificável e resistente a exageros. Fechar o intervalo identificado exigirá avanços em correção de erros, aumento de qubits e arquiteturas tolerantes a falhas — mas agora, ao menos, sabe-se com precisão o tamanho do caminho.

Um novo teste de desempenho colocou lado a lado os computadores quânticos mais avançados do mundo e revelou uma verdade incômoda: a tecnologia ainda está aproximadamente 100 mil vezes mais fraca do que precisaria ser para resolver os problemas pelos quais foi desenvolvida.

O teste, chamado Quantum Universal Operation Performance System (QUOPS), foi criado por pesquisadores do Sandia National Laboratories, nos Estados Unidos. A equipe aplicou o benchmark a máquinas da Google, IBM e Quantinuum, medindo não apenas a velocidade das máquinas, mas também o tamanho dos circuitos quânticos que conseguem executar com sucesso. O resultado mais importante é direto: o melhor desempenho registrado em hardware físico alcançou 1.824 QUOPS. Problemas considerados grandes desafios para a computação quântica — como quebrar a criptografia RSA-2048 ou modelar moléculas complexas para aplicações em química — exigiriam entre 250 milhões e 340 milhões de QUOPS. A diferença é de cinco ordens de magnitude.

Até agora, não havia uma maneira padronizada de comparar o poder computacional de diferentes sistemas quânticos usando a mesma escala. Os métodos tradicionais avaliavam características isoladas: a quantidade de qubits, as taxas de erro de operações específicas. O QUOPS adota uma abordagem diferente. O teste executa padrões aleatórios de operações entre qubits que funcionam como representações de circuitos semelhantes aos utilizados em cálculos científicos reais. Dessa maneira, o benchmark mede o tamanho dos maiores circuitos computacionalmente relevantes que uma máquina consegue executar corretamente, além da velocidade com que realiza essas operações. A ideia é oferecer uma comparação mais direta entre arquiteturas diferentes.

Os testes mostraram diferenças consideráveis entre os computadores analisados, relacionadas às próprias arquiteturas utilizadas para construí-los. O Helios-1, processador de íons aprisionados da Quantinuum, foi capaz de lidar com os maiores cálculos entre os sistemas avaliados, alcançando uma pontuação superior a 1.500 QUOPS. Uma das vantagens dessa arquitetura é a disposição flexível dos qubits, que permite que eles se comuniquem com qualquer outro qubit. O problema é que o deslocamento dos íons leva tempo, tornando o sistema relativamente lento. Os processadores supercondutores da Google e da IBM seguem uma estratégia diferente. Neles, os qubits são organizados em grades rígidas nos chips, o que limita a comunicação entre determinados qubits. Como consequência, os sistemas apresentaram pontuações de aproximadamente 200 QUOPS. Por outro lado, as máquinas supercondutoras são consideravelmente mais rápidas. O processador Willow, do Google, chegou a executar 20 milhões de operações por segundo.

Os resultados também mostram por que medir apenas a velocidade de um computador quântico pode ser enganoso. Uma máquina pode executar operações muito rapidamente, mas ainda assim não conseguir realizar um circuito suficientemente grande para solucionar um problema útil. É justamente essa diferença que o QUOPS procura capturar. Uma máquina rápida que não consegue executar circuitos grandes não resolve os problemas para os quais a computação quântica foi desenvolvida.

Fechar esse enorme intervalo exigirá avanços em diferentes aspectos da tecnologia. De acordo com o estudo, será necessário reduzir significativamente as taxas de erro, aumentar o número de qubits físicos ou desenvolver arquiteturas de computadores quânticos mais eficientes. Os autores reforçam a importância de abordagens de computação quântica tolerantes a falhas — sistemas que conseguem manter a precisão mesmo quando componentes individuais falham.

A comparação também evidencia que não existe uma arquitetura claramente superior em todos os aspectos avaliados. O Helios-1 conseguiu executar circuitos maiores, mas é mais lento. Google e IBM alcançaram velocidades de operação muito maiores, mas tiveram pontuações QUOPS menores. Essas diferenças estão diretamente relacionadas às escolhas feitas no desenvolvimento de cada sistema — cada fabricante fez compromissos diferentes entre velocidade e capacidade de circuito.

Para os pesquisadores, uma régua comum pode ajudar a acompanhar de maneira mais transparente a evolução da computação quântica. Em vez de analisar apenas números isolados, o QUOPS procura medir a capacidade efetiva das máquinas de executar circuitos de tamanho relevante. O objetivo é permitir que cientistas e outros envolvidos no desenvolvimento da tecnologia acompanhem o progresso dos sistemas e verifiquem de maneira independente sua capacidade computacional — criando um padrão que torna impossível exagerar o que as máquinas conseguem realmente fazer.

Os computadores quânticos atuais ainda precisam aumentar sua capacidade computacional em aproximadamente 100 mil vezes para alcançar esse tipo de aplicação
— Pesquisadores do Sandia National Laboratories
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