Nova vacina VPC15 contra pneumococo chega à rede privada; saiba se vale a pena

Doença pneumocócica invasiva causa pneumonia, meningite e septicemia em crianças menores de 5 anos, sendo a causa bacteriana mais comum de pneumonia infantil.
Dois sorotipos causam metade dos casos graves, e ambos resistem a antibióticos
O 19A e o 3 são os pneumococos mais agressivos e perigosos para crianças menores de cinco anos no Brasil.

Uma nova vacina pneumocócica, capaz de proteger contra 15 sorotipos da bactéria responsável por pneumonias, meningites e septicemias, chegou em outubro de 2023 às clínicas privadas brasileiras. A VPC15, fabricada pela MSD, amplia o arsenal disponível contra um patógeno que ainda hoje representa uma das maiores ameaças bacterianas à vida de crianças pequenas. Sua chegada não resolve a desigualdade de acesso — o SUS segue com versões menos abrangentes —, mas aponta para um horizonte em que a ciência avança mais rápido do que as políticas públicas conseguem acompanhar.

  • O pneumococo continua matando e incapacitando crianças menores de cinco anos no Brasil, sendo a principal causa bacteriana de pneumonia infantil.
  • Dois sorotipos especialmente agressivos — o 19A e o 3 — respondem por metade dos casos graves e apresentam resistência crescente aos antibióticos disponíveis.
  • A nova VPC15 chega ao mercado privado a R$ 350 por dose, criando uma divisão clara entre quem pode pagar por proteção mais ampla e quem depende do sistema público.
  • Especialistas da Sociedade Brasileira de Imunizações recomendam o imunizante para bebês, idosos e grupos vulneráveis, projetando redução significativa em mortes e internações graves.
  • Famílias que já vacinaram filhos com a versão anterior não precisam trocar imediatamente — a proteção contra os casos mais letais permanece substancialmente equivalente.

A vacina VPC15, comercializada como VaxNeuvance pela MSD, chegou em outubro de 2023 às clínicas e laboratórios privados do Brasil. O imunizante protege contra 15 sorotipos do Streptococcus pneumoniae — a bactéria por trás de infecções que vão de sinusites a meningites — e representa a opção mais abrangente disponível no país para quem pode arcar com o custo de aproximadamente R$ 350 por dose.

A Sociedade Brasileira de Imunizações recomenda a vacina especialmente para crianças entre 2 e 15 meses, período de maior vulnerabilidade imunológica. O esquema exige quatro doses: três nos primeiros seis meses de vida e um reforço entre o primeiro e o segundo ano. Idosos, diabéticos, cardiopatas crônicos e imunodeprimidos também estão entre os grupos prioritários indicados pelos especialistas.

O Brasil já contava com duas versões conjugadas no mercado: a 10-valente, oferecida pelo SUS a todas as crianças menores de cinco anos, e a 13-valente, restrita pelo sistema público a pacientes de alto risco. A VPC15 acrescenta dois sorotipos extras — 22F e 33F — mas sua vantagem mais relevante está na cobertura robusta dos sorotipos 19A e 3, juntos responsáveis por cerca de metade dos casos graves de doença pneumocócica invasiva em crianças, além de apresentarem resistência aumentada aos antibióticos convencionais.

Pais que já imunizaram seus filhos com a versão 13-valente não precisam substituir o esquema: a proteção contra os desfechos mais graves é essencialmente equivalente. Para Mônica Levi, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, a incorporação de vacinas mais abrangentes ao calendário pode reduzir de forma expressiva mortes e internações por doença pneumocócica invasiva no país — um patógeno que se transmite pelo ar e que, em crianças pequenas, continua sendo uma ameaça bacteriana de primeira ordem.

A vacina VPC15 chegou este mês às clínicas e laboratórios privados brasileiros, trazendo consigo a promessa de proteção contra 15 variantes diferentes da bactéria pneumococo. Fabricada pela MSD sob o nome comercial VaxNeuvance, o imunizante se propõe a defender o corpo contra o Streptococcus pneumoniae, responsável por infecções que vão desde sinusites até pneumonias e meningites. Para quem pode pagar — cerca de R$ 350 por dose — a chegada representa uma opção mais abrangente do que aquelas disponíveis no sistema público.

A Sociedade Brasileira de Imunizações recomenda a VPC15 especialmente para crianças entre 2 e 15 meses de vida, um dos períodos mais vulneráveis da infância. O esquema vacinal exige quatro aplicações: três doses nos primeiros seis meses de vida, com intervalo de dois meses entre elas, e uma quarta dose de reforço entre o primeiro e segundo ano. Além das crianças pequenas, médicos indicam o imunizante para idosos e pessoas com condições que aumentam o risco de infecção grave — diabéticos, portadores de doenças cardíacas crônicas e aqueles com deficiências imunológicas.

No Brasil, existem atualmente três versões de vacinas conjugadas contra o pneumococo disponíveis. O Sistema Único de Saúde oferece a versão 10-valente para todas as crianças menores de cinco anos, e a 13-valente apenas para pacientes considerados de alto risco. A nova VPC15 adiciona dois sorotipos extras — o 22F e o 33F — que, embora presentes em registros epidemiológicos do país, representam uma pequena parcela dos casos. A diferença prática, porém, reside em dois sorotipos específicos: o 19A e o 3. Juntos, esses dois são responsáveis por aproximadamente metade de todos os casos graves de doença pneumocócica invasiva em crianças menores de cinco anos no Brasil. Ambos apresentam características particularmente agressivas e demonstram resistência aumentada aos antibióticos comumente utilizados no tratamento.

Pais que já vacinaram seus filhos com a VPC13 não precisam se apressar para trocar de imunizante. Ambas as versões cobrem os sorotipos mais perigosos, e a proteção oferecida é substancialmente similar nos casos mais graves. Segundo Mônica Levi, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, a disponibilidade de uma vacina mais abrangente no calendário de imunizações pode levar a uma redução significativa no número de casos graves e mortes por doença pneumocócica invasiva no país. A recomendação dos especialistas é clara: usar as versões 13 ou 15 sempre que possível.

A bactéria pneumococo se transmite principalmente por gotículas respiratórias — quando uma pessoa tosse, espirra ou fala, partículas contaminadas ficam suspensas no ar. Uma vez infectado, o paciente pode desenvolver desde inflamações leves até condições potencialmente fatais. As doenças pneumocócicas se dividem em dois grupos: as não invasivas, como pneumonia sem bacteremia e otite, e as invasivas, que incluem pneumonia com septicemia e meningite. Em crianças menores de cinco anos, o pneumococo é a causa bacteriana mais comum de pneumonia, um reflexo da vulnerabilidade natural da infância a doenças infecciosas. A chegada da VPC15 ao mercado privado representa, portanto, uma tentativa de ampliar as defesas disponíveis contra um patógeno que continua sendo uma ameaça significativa à saúde infantil brasileira.

A disponibilidade de uma vacina mais abrangente no calendário de imunizações pode levar a uma redução no número de casos graves e óbitos por doença pneumocócica invasiva no país
— Mônica Levi, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações
A infância é um período de maior vulnerabilidade para todas as doenças infecciosas
— Juarez Cunha, pediatra e membro do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que essa vacina chegou agora, se outras já existem há anos?

Model

A VPC15 é uma evolução tecnológica. Cada nova versão cobre mais sorotipos — a 10 cobria dez, a 13 cobria treze, agora temos quinze. Mas o mercado privado sempre adota primeiro. O SUS segue seu próprio calendário, mais lento, mais cauteloso.

Inventor

E esses dois sorotipos novos, o 22F e 33F, fazem diferença real?

Model

Não muito, na verdade. São raros por aqui. O que importa mesmo é que a 15 cobre o 19A e o 3, que juntos causam metade dos casos graves. A 13 já cobre esses dois. Então a diferença prática é pequena.

Inventor

Então por que um pai gastaria R$ 1.400 a mais com a VPC15 se a VPC13 já protege contra o que mais mata?

Model

Boa pergunta. Provavelmente não deveria. Os médicos dizem que ambas oferecem proteção contra os sorotipos mais perigosos. A VPC15 é mais abrangente, sim, mas a margem de benefício adicional é marginal.

Inventor

E quem não pode pagar nada? O SUS oferece o quê?

Model

A 10-valente, para todas as crianças menores de cinco anos. Protege contra dez sorotipos. Não cobre o 19A e o 3 tão bem quanto as versões mais novas, mas é algo. Para grupos de risco, o SUS oferece a 13-valente.

Inventor

Qual é o risco real de uma criança contrair pneumococo?

Model

Depende da idade e da saúde. Menores de cinco anos estão em maior risco — é a causa bacteriana mais comum de pneumonia infantil. A transmissão é por gotículas respiratórias, então é fácil de pegar. Pode virar pneumonia, meningite, até septicemia. Por isso a vacinação importa.

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