Norte registra aumento de 28.685 desempregados desde início da pandemia

Aumento significativo de desemprego afectou 28.685 pessoas adicionais na região Norte, com impacto particular em mulheres (58% dos inscritos) e jovens à procura do primeiro emprego.
28.685 pessoas perderam o trabalho em oito meses de crise
A região Norte registou um aumento significativo de desempregados entre fevereiro e outubro de 2020.
Mark

Porque é que agosto foi tão pior do que os outros meses?

Mimi

Agosto é tipicamente um mês de movimento no mercado de trabalho português — férias, reestruturações, mudanças sazonais. Mas em 2020, coincidiu com o momento em que as empresas começavam a perceber que a crise não era temporária. As medidas de apoio do Governo ainda não tinham esgotado completamente o seu efeito, e muitos negócios estavam a tomar decisões difíceis.

Mark

As mulheres representam 58% dos desempregados. Isso é desproporcional?

Mimi

Sim, é. Setores como o turismo, hotelaria e comércio — que foram duramente atingidos — empregam muitas mulheres. Além disso, há um padrão histórico: quando há crise, as mulheres tendem a ser as primeiras a ser despedidas e as últimas a ser recontratadas.

Mark

Mais de metade dos inscritos têm menos de um ano de registo. O que significa isso?

Mimi

Significa que a pandemia apanhou pessoas no meio de transições — saídas da escola, mudanças de emprego, primeiras experiências profissionais. Não é apenas desemprego; é interrupção de trajetórias que estavam a começar.

Mark

Vila Nova de Gaia tem quase 5 mil desempregados a mais do que o Porto, apesar de ser um concelho menor. Porquê?

Mimi

Vila Nova de Gaia tem uma base industrial e comercial significativa, e muitos desses setores foram severamente afetados. O Porto, sendo mais diversificado e com mais serviços, distribuiu melhor o impacto.

Mark

As previsões de recuperação em 2021 parecem otimistas, não?

Mimi

Dependem muito do que acontecer com a pandemia. Se a vacinação avançar como esperado, sim. Mas se houver novos confinamentos ou se a confiança das empresas não se recuperar, essas previsões podem estar completamente erradas.

  • A pandemia transformou o mercado de trabalho do Norte em menos de um ano: mais de 28 mil pessoas engrossaram as filas do desemprego entre fevereiro e outubro de 2020.
  • As mulheres são as mais atingidas, representando 58% dos inscritos, enquanto quase 14 mil jovens procuram o primeiro emprego numa economia paralisada.
  • Agosto foi o mês mais negro, com 158.013 desempregados registados — um pico que outubro começou a suavizar, mas sem apagar a brutalidade da comparação com 2019.
  • Vila Nova de Gaia e Porto lideram os concelhos mais afetados, concentrando juntos quase 30.000 desempregados inscritos na área metropolitana.
  • As previsões divergem nos detalhes mas convergem no diagnóstico: a economia portuguesa contraiu cerca de 10% em 2020, com recuperação esperada entre 5,4% e 6,5% em 2021.

Oito meses após a chegada da pandemia, a região Norte de Portugal carrega nas suas listas de desemprego o peso de 28.685 vidas a mais sem trabalho — um número que não é apenas estatística, mas o reflexo de carreiras interrompidas, primeiros empregos que nunca chegaram e famílias a recompor o seu equilíbrio. Em outubro, 153.022 pessoas estavam inscritas nos centros de emprego, maioritariamente mulheres, num país que aguarda uma recuperação prometida mas ainda incerta.

Em outubro de 2020, a região Norte contabilizava 153.022 pessoas inscritas nos centros de emprego — um número que traduz oito meses de crise pandémica em vidas concretas. A comparação com fevereiro, o último mês antes da chegada da covid-19, revela uma diferença de 28.685 desempregados: pessoas que perderam o emprego ou nunca conseguiram encontrá-lo durante a crise.

Os dados do IEFP mostram que as mulheres representam 58% dos inscritos. Mais de metade dos desempregados — 87.902 pessoas — estão registadas há menos de um ano, sinal de que a pandemia apanhou muitos no início das suas trajetórias profissionais. Entre eles, 13.780 procuram o primeiro emprego, mais 2.252 do que em fevereiro.

O pico da crise ocorreu em agosto, com 158.013 inscritos. Outubro trouxe uma ligeira melhoria de 1,6% face a setembro, mas a comparação anual é implacável: mais 28.944 pessoas do que em outubro de 2019. Os concelhos mais afetados concentram-se na área metropolitana do Porto, com Vila Nova de Gaia à cabeça com 17.143 inscritos, seguida do Porto com 12.253.

O contexto económico agrava o cenário: o FMI prevê uma contração de 10% da economia portuguesa em 2020, enquanto o Governo aponta para 8,5% e a Comissão Europeia para 9,3%. Para 2021, todas as instituições antecipam recuperação, entre 5,4% e 6,5%. A nível nacional, o desemprego registado cresceu 34,5% em outubro face ao ano anterior — um retrato de um país que, a par das 4.056 mortes pela pandemia até essa data, enfrenta também uma profunda ferida económica e social.

Em outubro, a região Norte do país tinha 153.022 pessoas inscritas nos centros de emprego — um número que carrega o peso de oito meses de pandemia. Quando se compara este valor ao de fevereiro, o mês anterior à chegada da covid-19, a diferença é de 28.685 desempregados. São 28.685 pessoas que perderam o trabalho ou nunca conseguiram encontrá-lo durante a crise.

Os dados vêm do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) e revelam um padrão claro: a maioria dos inscritos são mulheres — 58% do total. Mais de metade destes desempregados, precisamente 87.902 pessoas, estão registadas há menos de um ano, o que significa que a pandemia apanhou muitos no início das suas carreiras. Entre eles, 13.780 estão à procura do primeiro emprego, um aumento de 2.252 em relação a fevereiro.

O mês de agosto foi o pior desde o início da crise. Nessa altura, 158.013 pessoas estavam inscritas nos centros de emprego da região Norte. Outubro trouxe uma ligeira melhoria — uma diminuição de 1,6% face a setembro — mas a comparação com o ano anterior é brutal: 28.944 pessoas a mais do que em outubro de 2019.

Os concelhos mais afetados concentram-se na área metropolitana do Porto. Vila Nova de Gaia lidera com 17.143 desempregados inscritos, seguido pelo Porto com 12.253. Gondomar, Matosinhos, Braga e Guimarães completam a lista dos seis concelhos com maior número de inscritos, variando entre 7.065 e 8.181 pessoas.

Este cenário de desemprego crescente ocorre num contexto de incerteza económica profunda. O Fundo Monetário Internacional prevê uma contração de 10% da economia portuguesa em 2020, enquanto o Governo português antecipa uma queda de 8,5%. A Comissão Europeia situa-se entre os dois, com uma previsão de 9,3%. Todas as instituições concordam numa coisa: 2021 trará recuperação, mas o ritmo varia — entre 5,4% e 6,5% conforme a fonte.

Em termos nacionais, o desemprego registado aumentou 34,5% em outubro comparado com o mesmo mês do ano anterior. A pandemia, que já tinha causado 4.056 mortes em Portugal até à data deste relatório, continua a moldar não apenas a saúde pública, mas também o mercado de trabalho e as perspetivas económicas de centenas de milhares de pessoas.

O número de desempregados inscritos nos centros de emprego aumentou 34,5% em outubro em termos homólogos
— Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP)
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