Norte registou aumento de 28.685 desempregados desde fevereiro

Aumento significativo de desemprego afeta 153.022 pessoas na região Norte, com impacto particular em mulheres (58% dos inscritos) e primeiros procuradores de emprego.
153.022 pessoas inscritas, 58% mulheres, mais de metade há menos de um ano
O retrato do desemprego na região Norte em outubro, refletindo o impacto acumulado da pandemia desde fevereiro.
Mark

Porque é que Vila Nova de Gaia e Porto têm tantos mais desempregados do que outras cidades da região?

Mimi

São os maiores centros urbanos e económicos do Norte. Concentram mais população, mais empresas, mas também mais vulnerabilidade quando a economia contrai. Quando o turismo, o comércio e os serviços caem, caem ali em primeiro lugar.

Mark

A maioria dos inscritos tem menos de um ano de desemprego. Isso é bom ou mau?

Mimi

É ambíguo. Significa que muita gente perdeu o emprego recentemente — a pandemia foi um choque agudo. Mas também significa que ainda há esperança de recolocação rápida, se a economia recuperar. O risco é que se transformem em desempregados de longa duração.

Mark

Por que razão as mulheres representam 58% dos inscritos?

Mimi

Não está explicado nos dados, mas sabemos que setores como turismo, hotelaria e comércio — muito afetados pela pandemia — empregam muitas mulheres. Além disso, as mulheres enfrentam frequentemente barreiras adicionais na recolocação.

Mark

Agosto foi o pior mês. Porquê?

Mimi

Provavelmente porque foi quando os apoios iniciais começaram a esgotar-se e as empresas fizeram despedimentos em massa. Depois, em setembro e outubro, a situação estabilizou ligeiramente, mas num patamar muito elevado.

Mark

As projeções de recuperação parecem otimistas?

Mimi

Dependem muito de quando a pandemia for controlada e da velocidade com que as pessoas voltam a gastar. Se a recuperação for lenta, muitos destes desempregados podem ficar fora do mercado durante anos.

  • A pandemia empurrou quase 29.000 pessoas para fora do mercado de trabalho na região Norte em apenas oito meses, transformando uma crise de saúde numa crise social de grande escala.
  • Agosto marcou o pico mais sombrio, com 158.013 inscritos, e embora outubro tenha trazido uma ligeira descida de 1,6%, o aumento homólogo de 34,5% face a 2019 revela a profundidade do problema.
  • As mulheres são as mais atingidas, representando 58% dos desempregados inscritos, enquanto 13.780 jovens tentam entrar num mercado de trabalho que nunca esteve tão contraído.
  • Vila Nova de Gaia e Porto concentram os maiores focos de desemprego, tornando-se epicentros humanos de uma crise que se estende por toda a região.
  • FMI, Governo português e Comissão Europeia divergem nos números, mas convergem no diagnóstico: 2020 será um ano de queda acentuada, e a recuperação de 2021 chegará tarde demais para muitos.

Oito meses após o início da pandemia, a região Norte de Portugal carrega o peso silencioso de 153.022 pessoas inscritas nos centros de emprego — mais 28.685 do que em fevereiro, quando o vírus ainda era uma sombra distante. São sobretudo mulheres, jovens à procura do primeiro emprego e trabalhadores apanhados de surpresa por uma economia que travou de repente. As projeções de recuperação para 2021 existem, mas oferecem pouco consolo a quem vive a urgência do presente.

Em outubro, 153.022 pessoas estavam inscritas nos centros de emprego da região Norte — um número que traduz oito meses de pandemia em vidas concretas. Face a fevereiro, o mês anterior à chegada do coronavírus, o aumento é de 28.685 desempregados. A maioria são mulheres, que representam 58% dos inscritos, e mais de metade está registada há menos de um ano, sinal de que a pandemia apanhou muita gente de surpresa num período muito curto.

Entre os inscritos, 13.780 procuram o primeiro emprego — jovens que entraram num mercado contraído, sem experiência nem rede de contactos que pudesse amortecê-los. A distribuição geográfica não é uniforme: Vila Nova de Gaia lidera com 17.143 inscritos, seguida pelo Porto com 12.253, e depois Gondomar, Matosinhos, Braga e Guimarães, todas com milhares de pessoas à procura de trabalho.

O pico foi atingido em agosto, com 158.013 inscrições. Outubro trouxe uma ligeira melhoria de 1,6% face a setembro, mas o quadro mais amplo é severo: comparado com outubro de 2019, o aumento é de 34,5%. As projeções para 2021 variam entre os 5,4% de crescimento previstos pelo Governo e pela Comissão Europeia e os 6,5% do FMI — mas nenhuma dessas percentagens oferece conforto imediato a quem hoje procura emprego numa região que ainda não encontrou o seu caminho de saída da crise.

Em outubro, a região Norte do país contabilizava 153.022 pessoas inscritas nos centros de emprego — um número que carrega o peso de oito meses de pandemia. Comparado com fevereiro, o mês anterior à chegada do coronavírus, representa um aumento de 28.685 desempregados. Não é uma abstração estatística. São pessoas reais, a maioria delas mulheres, a procurar trabalho numa economia que desacelerou drasticamente.

Os dados do Instituto do Emprego e Formação Profissional revelam que mais de metade dos inscritos — 87.902 pessoas — estão registadas há menos de um ano. Isto significa que a pandemia apanhou muita gente de surpresa, empurrando-a para fora do mercado de trabalho num período muito curto. Entre estes, 13.780 procuram o primeiro emprego, um aumento de 2.252 pessoas face a fevereiro. São jovens que entraram num mercado de trabalho contraído, sem experiência prévia, sem rede de contactos que pudesse amortecê-los.

A distribuição geográfica do desemprego não é uniforme. Vila Nova de Gaia lidera com 17.143 inscritos, seguida pelo Porto com 12.253. Depois vêm Gondomar, Matosinhos, Braga e Guimarães, todos com milhares de pessoas à procura de emprego. Estas cidades, centros económicos da região, tornaram-se também epicentros do desemprego.

O mês de agosto foi particularmente crítico. Nessa altura, a região Norte atingiu o pico de inscrições com 158.013 pessoas. Outubro trouxe uma ligeira melhoria — uma diminuição de 1,6% face a setembro — mas o contexto mais amplo é desolador. Comparado com outubro de 2019, o aumento é de 28.944 pessoas, uma subida de 34,5% em termos homólogos.

As mulheres representam 58% dos inscritos, o que sugere um impacto desproporcional do desemprego neste grupo. Não há explicação detalhada para isto nos dados, mas a realidade é que mais de 88.000 mulheres na região Norte estão inscritas nos centros de emprego, procurando oportunidades que se tornaram mais escassas.

As projeções económicas para o futuro variam, mas todas apontam para dificuldades. O Fundo Monetário Internacional antecipa uma queda de 10% da economia portuguesa em 2020, com recuperação de 6,5% em 2021. O Governo português é ligeiramente menos pessimista, prevendo uma queda de 8,5% este ano e recuperação de 5,4% no próximo. A Comissão Europeia situa-se no meio, com uma queda de 9,3% em 2020 e crescimento de 5,4% em 2021. Nenhuma destas projeções oferece conforto imediato aos 153.022 desempregados da região Norte.

A pandemia, que em Portugal tinha já causado 4.056 mortes entre 268.721 casos confirmados na altura desta reportagem, continua a moldar o mercado de trabalho. O desemprego não é apenas um número — é o reflexo de vidas interrompidas, de planos adiados, de incerteza económica que se estende por toda a região.

A região Norte contabilizou em outubro um total de 153.022 pessoas inscritas no desemprego
— Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP)
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