Há lugares que guardam a memória dos gestos que nos definem. O Estádio Couto Pereira, em Curitiba, é um desses lugares para Neymar — foi lá que, em 2012, um jovem apagado no primeiro tempo se transformou em decisão pura, virando um jogo com dois gols e uma frase que resumia sua filosofia: 'é só uma bola'. Quatorze anos depois, Santos e Coritiba se reencontram no mesmo palco pela Copa do Brasil 2026, e o debate sobre o futuro do atacante na Seleção Brasileira empresta ao confronto um peso que vai além dos noventa minutos.
Neymar de azul e moicano: relembre última vitória contra Coritiba em 2012
É só uma bola — e ele precisava de apenas uma para resolver tudo
Por que esse jogo de 2012 importa tanto agora? Foram quatorze anos.
Porque ele resume o que Neymar sempre foi capaz de fazer — entrar apagado em uma partida e, de repente, decidir tudo sozinho. Casemiro está dizendo que a Seleção precisa disso.
Mas precisamos ser claros: Casemiro está defendendo a convocação, mas Ancelotti ainda não decidiu. A pré-lista tem 55 nomes. Isso não é confirmação.
Verdade. Ancelotti deixou claro que quer ver se Neymar consegue sustentar a intensidade de uma Copa. Ele teve lesões.
E os números recentes? 11 gols em 17 jogos é bom?
É sólido. Mostra que ele está voltando ao nível que tinha. Mas é pelo Santos, não pela Seleção em competição internacional.
Exato. E há uma diferença entre "está jogando bem no Brasileirão" e "está pronto para uma Copa do Mundo". Ancelotti está sendo cuidadoso por razão.
Então o jogo desta quarta é só mais um jogo?
Não. É um confronto direto pela Copa do Brasil. Se o Santos vencer, avança. Se empatar, vai para pênaltis. Mas sim, para a conversa sobre Neymar e a Seleção, é só mais um jogo.
Embora, claro, se ele marcar dois gols e virar a partida como em 2012, a conversa fica muito mais fácil para quem quer vê-lo na Copa.
Entendi. Então a história de 2012 não decide nada, mas ajuda a contar a história de agora.
Exatamente.
El Pulso
- A lesão de Neymar mantém Ancelotti em compasso de espera, e cada jogo pelo Santos vira prova de aptidão para a Copa do Mundo.
- Casemiro rompe o silêncio e defende publicamente a convocação, argumentando que nenhum outro jogador brasileiro tem a mesma capacidade de decidir partidas em momentos de equilíbrio.
- Com 11 gols e quatro assistências nos últimos 17 jogos, Neymar apresenta números que pressionam a comissão técnica a tomar uma posição antes da lista final.
- O jogo desta quarta no Couto Pereira — onde o Santos empatou 0 a 0 na ida — vale vaga direta nas oitavas, e um novo empate leva tudo para os pênaltis.
- O passado glorioso de 2012, com 56 gols em 66 jogos pela temporada completa, paira sobre o presente como argumento e como cobrança ao mesmo tempo.
Há lugares que guardam a memória dos gestos que nos definem. O Estádio Couto Pereira, em Curitiba, é um desses lugares para Neymar — foi lá que, em 2012, um jovem apagado no primeiro tempo se transformou em decisão pura, virando um jogo com dois gols e uma frase que resumia sua filosofia: 'é só uma bola'. Quatorze anos depois, Santos e Coritiba se reencontram no mesmo palco pela Copa do Brasil 2026, e o debate sobre o futuro do atacante na Seleção Brasileira empresta ao confronto um peso que vai além dos noventa minutos.
Em 16 de setembro de 2012, Neymar vivia uma tarde difícil no Couto Pereira. A marcação do Coritiba o sufocava, a torcida adversária o vaiava a cada toque na bola, e o Santos perdia por um gol. Ele próprio reconhecia a atuação ruim. Então, no segundo tempo, algo mudou: ele passou por quatro marcadores, driblou o goleiro e empatou. Virou-se para a arquibancada e disse 'é só uma bola'. Minutos depois, aproveitou um rebote e virou o placar. Mesmo com os dois gols, saiu insatisfeito consigo mesmo — 'não fiz o que sempre faço', afirmou.
Aquele ano havia sido extraordinário: 43 gols e 18 assistências pelo Santos, chegando a 56 gols e 30 assistências quando somada a Seleção Brasileira. Os dois gols contra o Coritiba foram parte de uma sequência que marcou uma geração.
Agora, em 2026, essa memória ganhou novo peso. Com a Copa do Mundo se aproximando, Casemiro tomou partido publicamente: 'Em uma partida de 0 a 0, ele pode dar uma assistência ou marcar um gol decisivo. Não temos esse tipo de jogador no momento'. Neymar já figurava na pré-lista de 55 convocados de Ancelotti, e seus números recentes — 11 gols e quatro assistências nos últimos 17 jogos pelo Santos — reforçavam o argumento.
Mas o treinador italiano mantinha cautela. 'A decisão será 100% profissional', disse Ancelotti, reconhecendo o talento histórico do atacante enquanto avaliava sua recuperação de lesão e sua capacidade de sustentar a intensidade de um Mundial.
Nesta quarta-feira, Santos e Coritiba voltam a se encontrar no mesmo Couto Pereira, agora pela quinta fase da Copa do Brasil 2026. O jogo de ida terminou 0 a 0 na Vila Belmiro. Quem vencer avança direto; novo empate decide nos pênaltis. Neymar retorna ao lugar onde, quatorze anos atrás, mostrou exatamente o que Casemiro tenta convencer Ancelotti a não desperdiçar.
No meio da tarde de 16 de setembro de 2012, o Santos enfrentava o Coritiba no Estádio Couto Pereira pela 25ª rodada do Campeonato Brasileiro. Aos nove minutos, o atacante Deivid abriu o placar para o time da casa com um cabeceio. Neymar, então camisa 11 do Santos, não estava bem. A marcação sufocava seus movimentos, e cada vez que tocava na bola, a torcida do Coritiba o vaiava. Ele próprio sentia o peso da atuação — apagado, sem conseguir impor seu ritmo ao jogo.
No segundo tempo, algo mudou. Neymar tomou o confronto para si. Em uma sequência que os observadores da época descreveram como arrebatadora, ele passou por quatro marcadores seguidos, driblou o goleiro Vanderlei e empatou a partida. Na comemoração, virou-se para a torcida adversária e disse "é só uma bola" — uma frase que resumia sua confiança de que precisava de apenas uma oportunidade para resolver tudo. Poucos minutos depois, aproveitou um rebote do chute de Patito Rodriguez e virou o placar. O Santos venceu. Mesmo com os dois gols que definiram o resultado, Neymar saiu insatisfeito. "No meu ponto de vista, fui mal. Não fiz o que sempre faço", afirmou após o apito final.
Esse jogo de 2012 ganhou novo peso nos últimos meses. O ano havia sido extraordinário para o jovem atacante: 43 gols e 18 assistências em 47 partidas pelo Santos, chegando a 56 gols e 30 assistências em 66 jogos contando a Seleção Brasileira. Com os dois gols contra o Coritiba, ele atingiu 36 gols em apenas 38 jogos naquele ano. Números que marcaram uma época.
Agora, em 2026, com a Copa do Mundo se aproximando, aquela tarde no Couto Pereira voltava à conversa. Os defensores de Neymar na Seleção Brasileira usavam exatamente esse histórico como argumento. Casemiro, capitão da Seleção, falava publicamente em favor da convocação: "Em uma partida de 0 a 0, ele pode dar uma assistência ou marcar um gol decisivo. Nós não temos esse tipo de jogador no momento". A comissão técnica de Carlo Ancelotti havia colocado Neymar na pré-lista de 55 convocados, avaliando seu quadro como evolutivo. Seus números recentes também pesavam: nos últimos 17 jogos pelo Santos, havia marcado 11 gols e dado quatro assistências.
Mas Ancelotti era cauteloso. O treinador afirmou que a decisão sobre levar ou não Neymar seria "100% profissional", baseada em critérios técnicos e na capacidade de sustentar a intensidade que uma Copa do Mundo exige. "Neymar é um jogador importante para este país pelo talento que sempre foi demonstrado. Mas ele teve problemas, está se recuperando e trabalhando duro para voltar", disse o técnico à agência Reuters. O passado brilhante não garantia o futuro.
Nesta quarta-feira, 13 de maio, Santos e Coritiba se reencontravam no mesmo Couto Pereira, agora pela quinta fase da Copa do Brasil 2026. O jogo de ida havia terminado 0 a 0 na Vila Belmiro. Quem vencesse avançaria direto às oitavas de final; um novo empate levaria a decisão para os pênaltis. A bola rolaria às 19h30. Neymar voltava ao lugar onde, quatorze anos antes, havia mostrado exatamente o que Casemiro descrevia: a capacidade de resolver uma partida quando tudo parecia perdido.
Citas Notables
Em uma partida de 0 a 0, ele pode dar uma assistência ou marcar um gol decisivo. Nós não temos esse tipo de jogador no momento— Casemiro, capitão da Seleção Brasileira
Neymar é um jogador importante para este país pelo talento que sempre foi demonstrado. Mas ele teve problemas, está se recuperando e trabalhando duro para voltar— Carlo Ancelotti, técnico da Seleção Brasileira