Neurologista explica como prevenir demências com hábitos do dia a dia

Reserva cerebral é como a poupança do cérebro
Palmeira explica que hábitos consistentes ao longo da vida constroem proteção contra doenças degenerativas.
Mark

Como alguém sabe se está esquecendo demais? Qual é a linha entre normal e preocupante?

Mimi

O neurologista deixa claro que não é só sobre a quantidade de esquecimentos. É sobre frequência, impacto na vida diária e se o problema é de atenção ou memória. Esquecer por que entrou em um cômodo é diferente de esquecer uma conversa que alguém teve com você cinco minutos atrás.

Luke

Mas isso é subjetivo, não é? Duas pessoas podem ter a mesma frequência de esquecimentos e uma achar que está interferindo na vida e outra não. Como um médico diferencia isso na prática?

Mark

E quanto à genética? Se meu avó teve Alzheimer, estou condenado?

Mimi

Não. Palmeira é bem claro: ter um familiar com a doença não significa que você vai desenvolver. As formas genéticas puras são raras. Até o gene APOE4, que aumenta o risco, não é determinante.

Luke

Certo, mas ele também diz que a genética "participa do processo". Então ela importa, só que não é tudo. A questão é: quanto importa? Qual é o peso real da genética versus estilo de vida?

Mark

Então basicamente preciso fazer exercício, aprender coisas novas e ter amigos de verdade?

Mimi

Sim. E dormir bem, controlar pressão, colesterol, diabetes, não fumar, não beber demais, cuidar da audição e visão, evitar isolamento. Se você controlar todos esses fatores, o risco de demência cai pela metade.

Luke

Pela metade segundo quem? Palmeira cita isso como fato, mas não diz qual é a fonte. É um consenso na neurologia? É um estudo específico? Porque "metade" é um número grande e precisa de base sólida.

Mark

Nunca é tarde para começar, certo?

Mimi

Palmeira diz que sim. Melhor um pouco de exercício do que nenhum. Ele mesmo voltou a nadar depois de anos. O ponto é que você não está fazendo apenas para prevenir demência — está fazendo porque gosta.

Luke

Isso é inspirador, mas é anedota pessoal dele. Quanto tempo leva para hábitos novos começarem a fazer diferença? Semanas? Meses? Anos? Ele não especifica.

  • O medo de esquecer cresce com a idade, mas confundir distração com perda de memória real pode gerar ansiedade desnecessária ou, pior, ignorar sinais que merecem atenção médica.
  • Esquecer repetidamente compromissos recentes ou histórias que alguém acabou de contar são alertas concretos — diferentes dos lapsos comuns causados por sobrecarga ou falta de atenção.
  • Metade do risco de demência é modificável: sedentarismo, pressão alta, isolamento social, problemas de audição e sono inadequado estão todos na lista de fatores que podem ser controlados.
  • Exercício físico, aprendizado contínuo e conexões sociais genuínas são os três pilares que o neurologista aponta como inegociáveis para construir reserva cerebral ao longo da vida.
  • A mensagem central é de agência, não de fatalismo: começar com vinte minutos de caminhada duas vezes por semana já conta — o que importa é acumular hábitos antes que a necessidade se torne urgente.

Em algum momento da vida, quase todos se perguntam se o esquecimento que sentem é sinal de algo mais grave. O neurologista André Palmeira, do Hospital Moinhos de Vento, oferece uma resposta que é ao mesmo tempo científica e humana: a maioria dos lapsos é normal, mas metade do risco de demência poderia ser evitada com escolhas que estão ao alcance de qualquer pessoa. O cérebro, como qualquer órgão, responde ao cuidado acumulado ao longo de décadas — e a proteção mais eficaz não vem de remédios, mas de hábitos vividos com consistência e sentido.

Esquecer onde deixou as chaves ou o nome de um conhecido são experiências quase universais. Mas quando esse esquecimento deixa de ser normal? Foi para responder a essa pergunta que o neurologista André Palmeira, do Centro da Memória do Hospital Moinhos de Vento, participou do programa "Tá Tudo Bem?", da Rádio Gaúcha e GZH.

Palmeira começa pela distinção fundamental: há diferença entre não registrar uma informação — por distração ou sobrecarga — e não conseguir recuperá-la depois de tê-la armazenado. O segundo caso é o que merece atenção. Esquecer repetidamente uma história que alguém acabou de contar, ou um compromisso marcado dias antes, são exemplos de lapsos que fogem do padrão esperado. No Alzheimer, a memória recente costuma ser a primeira afetada; lembranças antigas, distribuídas por todo o cérebro, tendem a resistir por mais tempo.

O envelhecimento aumenta o risco, mas não é causa. A partir dos 40 ou 50 anos, o cérebro naturalmente perde volume e neurônios — isso não significa doença. A genética também participa, mas menos do que se imagina: as formas hereditárias determinadas por mutações são raras, e mesmo o gene APOE4 não é determinante.

O que é modificável, porém, é expressivo. Palmeira afirma que eliminar todos os fatores de risco evitáveis reduziria o risco de demência na população à metade. A lista inclui sedentarismo, obesidade, pressão alta, diabetes, tabagismo, álcool em excesso, isolamento social, problemas de audição e visão, depressão, poluição e traumatismos cranianos.

Os três hábitos protetores que o neurologista destaca são exercício físico — "inegociável", nas suas palavras —, vida intelectualmente ativa e conexões sociais reais. Redes digitais não substituem o contato humano genuíno. Palmeira usa a própria experiência como exemplo: voltou a nadar não como estratégia de prevenção, mas porque gosta. A proteção cerebral vem como bônus.

Essa lógica do bônus é o coração da mensagem. Construir reserva cerebral — como uma poupança de conexões neurais — ao longo da vida reduz o impacto de doenças degenerativas quando elas surgem. Não é preciso começar com muito: vinte minutos de caminhada, duas vezes por semana, já é um ponto de partida. O que importa é começar antes que a urgência bata à porta.

Esquecer por que entrou em um cômodo. Não lembrar o nome de alguém conhecido. Ter um branco ao tentar recordar uma rua. Esses lapsos acontecem com quase todos. A pergunta que importa é: quando deixam de ser normais?

Essa foi a questão central de um episódio recente do programa "Tá Tudo Bem?", da Rádio Gaúcha e GZH, apresentado pela jornalista Kathlyn Moreira. O convidado foi André Palmeira, neurologista do Centro da Memória do Hospital Moinhos de Vento de Porto Alegre. Durante a conversa, Palmeira ofereceu um mapa para distinguir o esquecimento cotidiano de sinais que merecem atenção médica — e explicou como hábitos simples podem proteger o cérebro ao longo de décadas.

O primeiro passo é entender a diferença entre dois tipos de falha mental. Quando alguém está sobrecarregado ou distraído, pode não conseguir registrar uma informação em primeiro lugar. Isso é um problema de atenção. Já um déficit de memória é diferente: a informação foi armazenada, mas não pode ser recuperada quando necessária. Segundo Palmeira, o esquecimento que deve chamar atenção é aquele que se repete com frequência e interfere na vida diária — como esquecer repetidamente uma história que alguém acabou de contar, ou esquecer compromissos importantes que foram marcados dias antes.

O envelhecimento complica o quadro. A partir dos 40 ou 50 anos, é esperado que o cérebro perca volume e neurônios. Isso não significa, por si só, que uma doença degenerativa esteja em curso. O que importa é onde essa perda ocorre e se está acima do que é típico para a idade. Com o passar dos anos, o cérebro se torna menos resiliente, e doenças degenerativas tendem a ocorrer com mais frequência depois dos 65 anos. Mas envelhecimento não é causa; é fator de risco.

Quando se trata de Alzheimer especificamente, o padrão de esquecimento importa. A doença costuma afetar primeiro a memória recente — aquela que registra informações novas. Lembranças antigas estão espalhadas por todo o cérebro e tendem a ser perdidas mais tarde. Portanto, não lembrar detalhes da infância não é necessariamente um sinal de alerta. Mas esquecer repetidamente uma lista de compras que se tentou memorizar, ou esquecer um compromisso importante feito dias antes, pode ser mais significativo.

A genética participa do processo, mas sua influência é menor do que muitos imaginam. Ter um familiar com Alzheimer não significa que a pessoa desenvolverá a doença. As formas familiares determinadas por mutações genéticas são raras. Mesmo o gene APOE4, que aumenta o risco de Alzheimer, não é determinante — existem pessoas com duas cópias do gene que nunca desenvolvem a doença.

O que é modificável, porém, é substancial. Palmeira afirma que se todos os fatores de risco evitáveis fossem eliminados, o risco de demência na população cairia pela metade. A lista inclui sedentarismo, obesidade, pressão alta, colesterol elevado, diabetes, tabagismo, consumo excessivo de álcool, problemas de audição e visão, depressão, isolamento social, poluição ambiental e traumatismos cranianos. O sono também desempenha papel importante.

Os hábitos que protegem o cérebro são três, segundo Palmeira. Primeiro, exercício físico é inegociável — não existe envelhecimento saudável sem ele. Segundo, manter uma vida intelectualmente ativa, aprendendo coisas novas em qualquer idade. Terceiro, uma vida social genuína. Redes sociais não substituem conexões reais. Palmeira ilustra o conceito com sua própria experiência: voltou a nadar, um hábito da infância que havia abandonado. Nada não apenas para prevenir demência, mas porque gosta e porque aquilo o faz bem. A prevenção é um bônus.

Esse conceito de "bônus" é importante. Palmeira enfatiza que é melhor começar com pouco exercício do que nenhum — duas vezes por semana, vinte minutos de caminhada já é algo. O que importa é construir o que ele chama de "reserva cerebral", como uma poupança do cérebro. Se alguém chega aos 60 ou 70 anos com uma boa reserva de conexões neurais e neurônios, a chance de ser afetado gravemente por doenças degenerativas é menor. Essa reserva se constrói ao longo da vida, com hábitos consistentes, não com mudanças de última hora.

Não existe envelhecimento saudável sem exercício físico
— André Palmeira, neurologista
Rede social não substitui conexões de verdade
— André Palmeira, neurologista
Möchten Sie die ganze Geschichte? Das Original lesen bei GZH ↗
Kontakt FAQ