Da Amazônia aos laboratórios do Alabama, Kauê Costa percorreu um caminho que a ciência raramente torna fácil: o de quem parte de uma universidade pública brasileira e chega ao reconhecimento internacional. Aos 36 anos, o neurocientista paraense foi selecionado pela Scientific American como um dos 28 jovens cientistas mais promissores do mundo em 2026 — uma distinção que ilumina não apenas sua pesquisa sobre dopamina e aprendizado, mas também o potencial da formação científica brasileira quando encontra espaço para florescer.
Neurocientista formado pela USP de Ribeirão Preto é eleito um dos mais promissores do mundo
Como o cérebro seleciona informações durante o aprendizado
Por que a dopamina é tão central para entender o aprendizado? Não é apenas uma molécula de recompensa?
É uma simplificação comum. A dopamina está envolvida em recompensa, sim, mas também em predição, em como o cérebro antecipa consequências e ajusta o comportamento. Costa estuda especificamente como ela media diferentes tipos de aprendizado — é mais fundamental do que apenas sentir prazer.
E por que isso importa agora? Por que a Scientific American o reconheceu em 2026?
Porque entender esses mecanismos pode abrir caminhos para tratar Parkinson, esquizofrenia, vício — doenças onde a dopamina está desregulada. Costa não está apenas respondendo perguntas acadêmicas; está construindo conhecimento que pode ter aplicação clínica real.
Ele fez toda essa pesquisa fora do Brasil. Isso significa que a USP de Ribeirão Preto não conseguiu retê-lo?
Não é bem assim. O mestrado em Ribeirão Preto foi fundamental para sua formação. Depois, ele precisava de recursos, de laboratórios bem equipados, de colaborações internacionais. A carreira científica de ponta muitas vezes exige mobilidade. O importante é que ele começou aqui.
Qual é o próximo passo para ele? Essa lista da Scientific American leva a algo concreto?
Geralmente leva a mais visibilidade, mais oportunidades de colaboração, mais facilidade em conseguir financiamento. Para Costa, significa que seu trabalho sobre dopamina e aprendizado agora tem uma plataforma global. Os próximos anos vão ser cruciais para ver se essas investigações sobre proteínas e circuitos neurais realmente levam a descobertas transformadoras.
Le Pouls
- A dopamina, reduzida popularmente à 'molécula do prazer', é na verdade o centro de um dos enigmas mais complexos da neurociência — e é exatamente esse território que Costa escolheu como campo de batalha.
- A seleção pela Scientific American não foi uma cortesia: a revista consultou cientistas e instituições ao redor do mundo antes de escolher Costa entre milhares de candidatos possíveis.
- Seu grupo de pesquisa em Birmingham investiga como a fisiologia dos neurônios dopaminérgicos controla processos de aprendizado — um trabalho que exige precisão molecular e paciência de longo prazo.
- Os próximos passos são ambiciosos: desvendar como interações proteicas no nível celular dão origem a comportamentos mediados pela dopamina, com implicações diretas para doenças neurológicas e psiquiátricas.
- A trajetória de Costa — do Pará à FMRP-USP, do mestrado em Ribeirão Preto ao professorado em Birmingham — recoloca em evidência o valor da ciência pública brasileira como ponto de partida para excelência global.
Da Amazônia aos laboratórios do Alabama, Kauê Costa percorreu um caminho que a ciência raramente torna fácil: o de quem parte de uma universidade pública brasileira e chega ao reconhecimento internacional. Aos 36 anos, o neurocientista paraense foi selecionado pela Scientific American como um dos 28 jovens cientistas mais promissores do mundo em 2026 — uma distinção que ilumina não apenas sua pesquisa sobre dopamina e aprendizado, mas também o potencial da formação científica brasileira quando encontra espaço para florescer.
Kauê Costa estava em seu laboratório na Universidade de Birmingham, no Alabama, quando soube que a Scientific American o havia incluído na lista de 2026 dos 28 cientistas mais promissores do mundo. Para o neurocientista de 36 anos, nascido no Pará, era o reconhecimento de uma trajetória construída pacientemente — da graduação em Ciências Biológicas na Universidade Federal do Pará ao mestrado na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, a FMRP-USP, sob orientação do professor Benedito Honório Machado.
O foco de sua pesquisa é a dopamina — não como simples molécula do prazer, mas como peça central em processos muito mais sofisticados de aprendizado. Costa e sua equipe investigam quais tipos de aprendizado dependem desse neurotransmissor e como a fisiologia dos neurônios que o produzem controla esses mecanismos. É um trabalho que exige precisão, paciência e domínio profundo do comportamento molecular dentro de circuitos neurais.
A escolha pela Scientific American resultou de consultas a cientistas e instituições internacionais — Costa foi selecionado entre milhares de candidatos por contribuições consideradas tecnicamente sólidas e relevantes para o futuro da área. Para os próximos anos, seu grupo planeja aprofundar a compreensão de como o cérebro seleciona informações durante o aprendizado e como interações proteicas no nível celular originam comportamentos mediados pela dopamina — pesquisa com potencial de transformar o entendimento de doenças neurológicas e psiquiátricas.
Mais do que uma honra pessoal, o reconhecimento de Costa é lido como um sinal: a ciência brasileira, quando bem apoiada, é capaz de competir no mais alto nível global.
Kauê Costa estava em seu laboratório na Universidade de Birmingham, no Alabama, quando a notícia chegou: a revista Scientific American o havia incluído em sua lista de 2026 dos 28 cientistas mais promissores do mundo. Para o neurocientista de 36 anos, formado em Ribeirão Preto, era o reconhecimento de uma trajetória que começou longe dali, no Pará, e que o levou a investigar um dos mistérios mais profundos do cérebro humano: como aprendemos.
Costa é natural do estado do Pará e se graduou em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Pará. Seu caminho para a neurociência começou de verdade quando ingressou no programa de mestrado da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, a FMRP-USP, onde trabalhou sob orientação do professor Benedito Honório Machado. Dali, ele seguiu para o doutorado no exterior e, eventualmente, construiu seu próprio grupo de pesquisa focado em neurociência comportamental. Hoje, como professor associado em Birmingham, ele lidera investigações que buscam desvendar os mecanismos mais fundamentais de como o cérebro funciona.
O trabalho de Costa concentra-se em um neurotransmissor específico: a dopamina. Ela não é apenas a molécula do prazer, como muitos imaginam. Na verdade, ela desempenha um papel central em processos muito mais complexos — particularmente em como o cérebro aprende coisas novas. Costa e sua equipe investigam quais tipos de aprendizado dependem da dopamina e, mais importante ainda, como a fisiologia dos neurônios que produzem esse neurotransmissor controla esses processos de aprendizagem. É um trabalho que exige precisão, paciência e uma compreensão profunda de como as moléculas se comportam dentro de circuitos neurais.
A seleção pela Scientific American não foi aleatória. A revista consultou cientistas e instituições internacionais, pedindo indicações de pesquisadores cujas contribuições tivessem impacto real no campo. Costa foi escolhido entre milhares de candidatos possíveis — um reconhecimento de que seu trabalho não é apenas tecnicamente sólido, mas também relevante para o futuro da neurociência.
Para os próximos anos, Costa e seu grupo têm planos ambiciosos. Pretendem aprofundar ainda mais a compreensão sobre como o cérebro seleciona e processa informações durante o aprendizado. Mais especificamente, querem desvendar como as interações entre proteínas, no nível celular, dão origem aos comportamentos que são mediados pela dopamina. É o tipo de pesquisa que pode levar anos, que exige financiamento constante e colaboração internacional, mas que também pode transformar nossa compreensão de doenças neurológicas e psiquiátricas que envolvem disfunção dopaminérgica.
O que torna a história de Costa particularmente significativa é que ela representa uma trajetória brasileira de excelência científica. Formado em uma universidade pública do Brasil, ele agora lidera pesquisa de ponta em uma instituição internacional de prestígio. Seu reconhecimento pela Scientific American não é apenas uma honra pessoal — é também um sinal de que a ciência brasileira, quando bem apoiada, pode competir no mais alto nível global.
Citations marquantes
Investigamos quais tipos de aprendizado são mediados pela dopamina e como a fisiologia dos neurônios produtores desse neurotransmissor controla esses processos— Kauê Costa
Aprofundar os estudos sobre como o cérebro seleciona e processa informações durante a aprendizagem e como as interações entre proteínas dão origem aos comportamentos mediados pela dopamina— Kauê Costa, sobre planos futuros de pesquisa