Em meio a negociações de cessar-fogo mediadas pelo Egito e pelo Catar, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu declarou que Israel não suspenderá suas operações militares em Gaza, mesmo diante da aceitação pelo Hamas de uma trégua de 60 dias. A postura revela uma tensão profunda entre a linguagem diplomática e a lógica da guerra: para Netanyahu, a paz só é concebível após a eliminação completa do Hamas — condição que, por sua própria natureza, torna qualquer acordo provisório uma ficção. Enquanto líderes debatem termos e prazos, crianças em Gaza enfrentam o risco de morrer de fome, l
Netanyahu promete manter ofensiva em Gaza mesmo com cessar-fogo do Hamas
Libertar Gaza da tirania do Hamas, libertar Israel do terrorismo
Netanyahu diz que vai continuar a guerra mesmo se o Hamas aceitar cessar-fogo. Como isso se encaixa com as negociações que estão acontecendo?
As negociações existem, mas Netanyahu está sinalizando que elas têm um limite claro. Para ele, não há acordo possível que deixe o Hamas de pé. É uma posição que torna qualquer negociação condicional à rendição total.
Ele invoca Trump e faz uma comparação com a Alemanha nazista. Por que essa analogia importa?
Porque Netanyahu está tentando enquadrar a eliminação do Hamas não como uma escolha política, mas como uma necessidade histórica. A comparação com a SS sugere que deixar o grupo vivo seria deixar o núcleo do problema intacto.
Mas o Hamas já aceitou o cessar-fogo. Isso não muda a equação?
Muda, mas apenas se Israel também aceitar. Netanyahu está dizendo que a aceitação do Hamas não é suficiente. Ele quer mais: quer que o grupo desapareça. É uma escalada das exigências.
E quanto aos reféns? Ele menciona 50 reféns restantes.
Sim, ele condiciona o fim da guerra à libertação desses reféns. Mas ao mesmo tempo aprova um plano para intensificar a ofensiva. É uma posição que parece dizer: continuaremos atacando até conseguirmos o que queremos.
A ONU está alertando sobre fome infantil em Gaza. Como isso se relaciona com tudo isso?
É o custo humano que fica invisível nas negociações. Enquanto se discute cessar-fogo e eliminação do Hamas, crianças estão em risco de morte por fome. O cerco total e o bloqueio de ajuda humanitária criaram uma crise que vai além da guerra militar.
The Pulse
- O Hamas aceitou uma trégua de 60 dias, mas Netanyahu sinalizou que as bombas não vão parar — criando um paradoxo em que um acordo existe no papel enquanto a guerra avança no terreno.
- Israel aprovou um plano para intensificar a ofensiva na Cidade de Gaza, último reduto do Hamas, transformando o momento das negociações em um momento de escalada militar.
- A ONU lança um alerta urgente: crianças em Gaza estão à beira da morte por fome, enquanto o bloqueio israelense impede a entrada de ajuda humanitária em um território sob cerco total.
- Netanyahu invoca Trump e compara o Hamas à SS nazista para justificar a impossibilidade de qualquer acordo que permita a sobrevivência do grupo — elevando a retórica a um patamar que fecha espaços para compromisso.
- O fim da guerra, segundo Netanyahu, depende da rendição do Hamas e da libertação dos 50 reféns restantes — condições que, combinadas à ofensiva em curso, tornam o horizonte da paz cada vez mais distante.
Em meio a negociações de cessar-fogo mediadas pelo Egito e pelo Catar, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu declarou que Israel não suspenderá suas operações militares em Gaza, mesmo diante da aceitação pelo Hamas de uma trégua de 60 dias. A postura revela uma tensão profunda entre a linguagem diplomática e a lógica da guerra: para Netanyahu, a paz só é concebível após a eliminação completa do Hamas — condição que, por sua própria natureza, torna qualquer acordo provisório uma ficção. Enquanto líderes debatem termos e prazos, crianças em Gaza enfrentam o risco de morrer de fome, lembrando ao mundo que o tempo da diplomacia e o tempo do sofrimento raramente coincidem.
Benjamin Netanyahu declarou nesta quinta-feira que Israel não interromperá suas operações militares em Gaza, mesmo que o Hamas aceite um cessar-fogo. Em entrevista à Sky News Austrália, o primeiro-ministro afirmou que o país está "prestes a completar a guerra" e que eliminar o grupo palestino é condição inegociável para qualquer paz duradoura.
Dois dias antes, o Hamas havia anunciado a aceitação de uma proposta de cessar-fogo de 60 dias, mediada pelo Egito e pelo Catar, que previa a libertação de metade dos reféns israelenses em troca de prisioneiros palestinos. Apesar disso, Netanyahu não apenas ignorou o gesto como invocou o presidente Donald Trump para reforçar seu argumento, comparando a permanência do Hamas em Gaza à manutenção da SS na Alemanha após a Segunda Guerra Mundial.
O cenário diplomático é paradoxal: segundo fontes próximas às negociações, o texto aceito pelo Hamas é praticamente idêntico a uma versão anterior que já havia recebido aprovação de Tel Aviv. Ainda assim, Israel não se pronunciou formalmente — e, na prática, caminhou na direção oposta, com o ministro da Defesa Israel Katz aprovando na quarta-feira um plano para intensificar a ofensiva na Cidade de Gaza, último grande bastião do Hamas.
No terreno, a situação é crítica. A Cidade de Gaza está sob cerco total, e uma ofensiva de larga escala foi lançada nesta quinta-feira. A ONU alertou para o risco de morte de crianças por fome, enquanto imagens mostram palestinos em filas para receber alimentos de organizações de caridade. O bloqueio israelense continua impedindo a entrada de ajuda humanitária, aprofundando uma crise que já afeta o acesso da população às necessidades mais básicas.
Netanyahu condicionou o fim da guerra à rendição do Hamas e à libertação dos 50 reféns ainda mantidos pelo grupo, rejeitando qualquer narrativa de ocupação territorial. Para ele, o objetivo é "libertar Gaza da tirania do Hamas" — uma formulação que, ao mesmo tempo em que nega intenções expansionistas, fecha a porta para qualquer solução que não passe pela destruição completa do adversário.
Benjamin Netanyahu deixou claro nesta quinta-feira que Israel não interromperá suas operações militares em Gaza, independentemente de o Hamas aceitar um acordo de cessar-fogo. O primeiro-ministro israelense, em entrevista à emissora Sky News Austrália, afirmou que o país está "prestes a completar a guerra" e que a eliminação do grupo palestino é condição não negociável para a paz.
O Hamas havia anunciado dois dias antes que aceitava a proposta de cessar-fogo apresentada pelos mediadores egípcios e cataríes. O acordo prevê 60 dias de suspensão das operações militares na Faixa de Gaza, além da libertação de metade dos reféns israelenses em troca de prisioneiros palestinos. Apesar dessa aceitação, Netanyahu sinalizou que as operações continuarão. Ele invocou o presidente americano Donald Trump para reforçar seu argumento, citando uma frase de Trump sobre a necessidade do Hamas desaparecer de Gaza. Netanyahu comparou a situação a deixar a SS na Alemanha após a Segunda Guerra Mundial — uma analogia que buscava justificar a impossibilidade de um acordo que permitisse a permanência do grupo.
O cenário nas negociações é complexo. Segundo pessoas próximas às conversas, o texto do acordo é praticamente idêntico a uma versão anterior apresentada pelo enviado especial americano Steve Witkoff, que já havia recebido aprovação de Tel Aviv. Ainda assim, Israel não se pronunciou formalmente sobre a proposta. Mais do que isso, o país aprovou nos últimos dias um plano para intensificar sua ofensiva militar. O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, aprovou o plano na quarta-feira, e Netanyahu deveria dar o aval final na quinta-feira.
Netanyahu argumentou que a eliminação do último reduto do Hamas é essencial para uma paz duradoura. Ele também rejeitou a narrativa de que Israel busca ocupar Gaza, afirmando que o objetivo é "libertar Gaza da tirania do Hamas" e dar ao território e a Israel "um futuro diferente". Ao mesmo tempo, o primeiro-ministro condicionou o fim da guerra à rendição do Hamas e à libertação dos 50 reféns restantes mantidos pelo grupo.
A situação no terreno é crítica. A Cidade de Gaza está sob cerco total das forças israelenses, que lançaram uma ofensiva de larga escala nesta quinta para tomar o último grande bastião do Hamas no território palestino. A Organização das Nações Unidas alertou para o risco de morte de crianças por fome na Faixa de Gaza. Imagens recentes mostram palestinos em filas para receber alimentos distribuídos por organizações de caridade, enquanto as restrições israelenses continuam bloqueando a chegada de ajuda humanitária. O cerco total e as operações militares contínuas criaram uma crise humanitária aguda, com a população enfrentando sérias dificuldades no acesso a necessidades básicas.
Notable Quotes
Vamos fazer isso de qualquer maneira. Nunca houve dúvida de que não deixaríamos o Hamas lá.— Benjamin Netanyahu
A guerra pode acabar hoje se o Hamas depor as armas e libertar os 50 reféns restantes.— Benjamin Netanyahu