Nelson Faria e Sandro Haick lançam álbum duplo 'Talking standards' com standards do jazz e MPB

A liberdade que o jazz oferece transformou admiração em som
Faria e Haick usaram a linguagem do jazz para criar um diálogo entre suas guitarras em 14 composições.
Mark

Por que levou tanto tempo para esses dois guitarristas gravarem juntos se já se admiravam?

Mimi

A admiração não é suficiente. Precisa de oportunidade, de sintonia no momento certo. Eles se encontraram em 2025 em um evento comercial e ali algo clicou. Às vezes a música funciona assim.

Mark

O jazz é realmente o fio condutor, ou é só uma forma de dizer que tocam com liberdade?

Mimi

É os dois. O jazz é a linguagem que permite que dois guitarristas conversem sem precisar de um roteiro. Cada um pode responder ao outro, pode desviar, pode voltar. É uma conversa de verdade.

Mark

Por que dividir o álbum em standards internacionais e depois brasileiros? Não seria mais natural misturar?

Mimi

Acho que é uma escolha de narrativa. O primeiro volume é como dizer: aqui está a linguagem universal do jazz. O segundo é dizer: e aqui está como essa linguagem soa quando falamos português, quando tocamos Jobim e Dominguinhos.

Mark

Escolher 14 de 40 músicas é descartar muito. Como se faz isso?

Mimi

Você pensa em diálogo. Não é só sobre as músicas que você ama, é sobre como elas conversam entre si, como a voz de um guitarrista responde à do outro. Algumas músicas bonitas não cabem nessa conversa.

Mark

Três dias de estúdio na Itália parece pouco tempo.

Mimi

Ou é exatamente o tempo certo. Quando você está preparado, quando conhece o outro músico, quando sabe o que quer, três dias é suficiente. Às vezes mais tempo é menos.

  • A admiração entre os dois guitarristas existia há anos, mas faltava o momento certo — e foi um encontro casual em 2025 que acendeu a faísca do projeto.
  • Com apoio do selo italiano Bobo Records, Faria e Haick tiveram apenas três dias de estúdio para transformar 40 músicas candidatas em 14 faixas definitivas.
  • O álbum duplo navega entre dois mundos: o primeiro volume mergulha nos standards do jazz internacional, com Thelonious Monk e Victor Young; o segundo resgata a alma brasileira de Jobim, Dominguinhos e João Bosco.
  • O lançamento digital chega em 22 de agosto nas plataformas de streaming, enquanto as edições físicas em vinil e CD estão previstas para setembro.

Quando dois músicos que se admiram há anos finalmente ocupam o mesmo estúdio, o resultado é menos um álbum do que uma conversa adiada. Nelson Faria e Sandro Haick, guitarristas de gerações e origens distintas, gravaram em três dias na Itália o que décadas de respeito mútuo vinham preparando: 'Talking Standards', um duplo mergulho no jazz e na música brasileira que chega ao mundo em 22 de agosto de 2026.

Nelson Faria, mineiro, e Sandro Haick, paulistano, se conheciam e se respeitavam há tempos. Mas foi em 2025, durante um show em que os dois dividiram o palco, que a ideia de gravar juntos começou a tomar forma. Com o apoio do selo italiano Bobo Records, os guitarristas passaram três dias em estúdio na Itália e saíram com 'Talking Standards', um álbum duplo com 14 composições selecionadas de um repertório inicial de 40 músicas.

O disco está dividido em dois volumes de sete faixas cada. O primeiro é dedicado aos grandes standards do jazz internacional: 'Round Midnight', de Thelonious Monk (1943), e 'Stella by Starlight', de Victor Young e Ned Washington (1944), estão entre as escolhas. O segundo volume é inteiramente brasileiro, com obras de Tom Jobim — 'Desafinado' e 'Insensatez' —, Dominguinhos, João Bosco e Milton Nascimento, compositores que moldaram a identidade musical do país.

A liberdade interpretativa do jazz foi o fio que costurou os dois mundos: ela permitiu que as guitarras de Faria e Haick dialogassem tanto nas melodias americanas quanto nas brasileiras. O álbum chega às plataformas digitais em 22 de agosto, com edições em vinil e CD previstas para setembro — o primeiro registro sonoro de uma parceria que demorou, mas chegou.

Dois guitarristas que se admiram há tempos finalmente gravaram juntos. Nelson Faria, mineiro, e Sandro Haick, paulistano, passaram três dias em um estúdio na Itália e saíram com um álbum duplo chamado "Talking standards". O disco chega aos aplicativos de áudio neste sábado, 22 de agosto, e traz 14 composições escolhidas a dedo de um repertório muito maior.

A história da parceria é simples e orgânica. Em 2025, Faria fez um show em um evento comercial onde Haick tocava baixo como multi-instrumentista. Os dois já se conheciam e se respeitavam musicalmente, mas foi naquele encontro que a ideia de gravar junto começou a tomar forma. O projeto ganhou apoio do selo italiano Bobo Records, que bancou a produção.

O álbum está dividido em duas partes, cada uma com sete faixas. O primeiro volume é dedicado aos standards internacionais do jazz — peças que atravessaram décadas e continentes. Ali estão "Round Midnight", composta por Thelonious Monk em 1943, e "Stella by Starlight", de Victor Young e Ned Washington de 1944. Essas são as músicas que definem o tom: o jazz como fio condutor, como a linguagem que permite aos dois guitarristas conversarem através de suas cordas.

O segundo volume muda de endereço. Aqui, tudo é brasileiro. Os dois escolheram trabalhar com compositores que marcaram a música do país: Tom Jobim, Dominguinhos e João Bosco. De Jobim vêm "Desafinado" (1959, feita com Newton Mendonça) e "Insensatez" (1961, com Vinicius de Moraes). Dominguinhos contribui com "De Volta pro Aconchego" (1985, com Nando Cordel) e "Princesinha no Choro" (1995). João Bosco aparece em "Incompatibilidade de Gênios" (1976, com Aldir Blanc) e "Papel Machê" (1984, com José Carlos Capinan). Milton Nascimento e Márcio Borges completam a seleção com "Tarde" de 1969.

Escolher 14 músicas de um total de 40 candidatas não foi trivial. Faria e Haick tiveram que pensar em como essas peças conversariam entre si, como a guitarra de um dialogaria com a do outro. A liberdade que o jazz oferece — aquela capacidade de reinterpretar, de encontrar novos caminhos em melodias conhecidas — parece ter sido decisiva para o projeto.

As edições físicas do álbum, em vinil e CD, chegam em setembro. Mas quem quiser ouvir pode começar hoje mesmo, nos serviços de streaming. É o primeiro trabalho que os dois assinam juntos, e marca um momento em que a admiração mútua finalmente se transformou em som gravado.

A admiração entre os guitarristas é recíproca, mas 'Talking standards' é o primeiro álbum que Faria e Haick gravam e assinam juntos
— Contexto da parceria
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