Negacionistas do clima deveriam passar agosto na cada vez mais quente Phoenix

Mais de 3 mil pessoas dormem nas ruas de Phoenix onde o contato com cimento aquecido causa queimaduras e mortes por calor extremo.
Nem sempre o salvamento chega a tempo
Bombeiros em Phoenix usam sacos de gelo para tentar salvar pessoas desacordadas pelo calor extremo nas ruas.
Mark

Por que Phoenix recebe tão pouca atenção nacional comparada a Los Angeles ou Nova York quando enfrenta crises climáticas?

Mimi

Porque a conta dos desastres recai desigualmente sobre os pobres. Phoenix não tem celebridades ou símbolos culturais que capturem a imaginação nacional. Tem três mil pessoas dormindo nas ruas.

Mark

O ditado sobre uísque e água — é realmente tão literal assim?

Mimi

Sim. A cidade permitiu que mais de 140 data centers se instalassem sem planejamento hídrico. Cresceu rapidamente sem resolver o problema básico: não há água para todos.

Mark

Os bombeiros realmente usam sacos de gelo para salvar pessoas do calor?

Mimi

Usam. É um procedimento de emergência. Imergem a pessoa desacordada no saco coberto de gelo. Minutos contam. Nem sempre funciona.

Mark

E quanto aos incêndios florestais — a falta de estradas é realmente o problema?

Mimi

Cientistas ambientais dizem que não. É um pretexto. O governo quer liberar exploração madeireira em 180 mil quilômetros quadrados de floresta virgem.

Mark

Isso reverte algo que existia antes?

Mimi

Sim. Uma proteção florestal de 25 anos, estabelecida por Bill Clinton. Apenas dois estados conseguiram se blindar legalmente contra isso.

Mark

Qual é a chance de isso mudar?

Mimi

Baixa. Quando o assunto é ambiente, não rende audiência para o extremo ideológico. Rende mais combater vacinas e minorias sexuais.

  • Phoenix ultrapassa 40°C dia após dia em agosto, e mais de três mil pessoas sem abrigo dormem sobre cimento que causa queimaduras — bombeiros chegam com gelo, não com mangueiras.
  • Incêndios florestais no oeste americano já destruíram áreas maiores que a Bélgica, enquanto fumaça canadense sufocou Nova York e bairros inteiros de Los Angeles viraram cinzas.
  • O governo federal usa a dificuldade de acesso a áreas remotas como pretexto para abrir 180 mil km² de florestas virgens a estradas e exploração madeireira — revertendo 25 anos de proteção ambiental.
  • Cientistas desmentem a justificativa oficial: estradas não combatem incêndios, mas facilitam a extração de madeira defendida por Donald Trump.
  • Com 38% dos americanos relatando perdas por eventos climáticos extremos no último ano, a urgência existe — mas a crise climática ainda não encontrou espaço no centro do debate político e midiático.

No coração do deserto americano, Phoenix queima em silêncio — mais de três mil pessoas dormem sobre cimento que escalda a pele enquanto bombeiros chegam com gelo e sacos para cadáveres. Ao mesmo tempo, o governo federal reverte décadas de proteção florestal para abrir 180 mil quilômetros quadrados de florestas virgens à exploração madeireira, ignorando a ciência e aprofundando as condições que alimentam os incêndios que já consomem o oeste americano. A crise climática não é abstrata: ela queima, sufoca e mata — mas recai com peso desproporcional sobre os invisíveis, longe das câmeras que cobrem Nova York e Los Angeles.

Phoenix, Arizona, abriga mais de cinco milhões de pessoas numa região onde agosto significa calor acima de 40°C sem trégua. A cidade cresce entre as mais rápidas dos Estados Unidos, mas a água escasseia para os recém-chegados, para a agricultura e para os mais de 140 data centers instalados sem planejamento. Todas as noites, mais de três mil pessoas dormem nas ruas. O cimento aquecido queima a pele. Quando bombeiros respondem a emergências durante as ondas de calor, levam gelo e sacos de cadáveres — e nem sempre chegam a tempo.

Enquanto isso, outras cidades americanas recebem atenção nacional quando desastres climáticos as atingem: Los Angeles viu bairros inteiros virarem cinzas, e Nova York sufocou com a fumaça de incêndios canadenses que já haviam destruído uma área maior que a Bélgica. Phoenix vive seu inferno com uma resignação estranha — talvez porque os custos dos desastres climáticos recaiam desigualmente sobre os pobres e os invisíveis.

No oeste rural, centenas de incêndios consomem Oregon, Washington, Idaho e Califórnia. A dificuldade de acesso a áreas isoladas foi usada como justificativa para uma decisão de grande alcance: o Departamento de Agricultura americano anunciou planos para liberar a construção de estradas em 180 mil quilômetros quadrados de florestas virgens — revertendo uma proteção garantida há 25 anos por Bill Clinton. O objetivo real é a extração madeireira. Cientistas ambientais desmentem a narrativa oficial: estradas não combatem incêndios.

Uma pesquisa recente revelou que 38% dos americanos sofreram perdas por eventos climáticos extremos no último ano. Ainda assim, o tema não gera audiência nem mobilização política suficiente. Diante disso, a colunista propõe uma solução irônica: que todas as reuniões de políticos sejam marcadas para agosto, em Phoenix — para que o namoro com a catástrofe finalmente esfrie.

Phoenix, Arizona, abriga mais de cinco milhões de pessoas numa região metropolitana onde agosto traz temperaturas que ultrapassam os 40 graus Celsius dia após dia. Há um ditado que circula entre os moradores: "Uísque é para beber, água é para matar." A frase resume uma realidade brutal. A cidade cresce entre as mais rapidamente dos Estados Unidos, mas não há água suficiente para os recém-chegados, para a agricultura vizinha, nem para os mais de 140 data centers cuja proliferação o governo local permitiu sem planejamento.

Todas as noites, mais de três mil pessoas dormem nas ruas de Phoenix. O cimento aquecido queima a pele. Quando os bombeiros respondem a emergências durante as ondas de calor extremo, raramente precisam de mangueiras ou escadas. Levam sacos de cadáveres e grandes quantidades de gelo. Encontram pessoas desacordadas pelo calor, as imergem nos sacos cobertos de gelo, e rezam para que os minutos contem a seu favor. Nem sempre chegam a tempo. Um curta-metragem gravado no verão anterior documentou essas cenas.

Enquanto isso, outras cidades americanas recebem atenção nacional quando desastres climáticos as atingem. Los Angeles viu bairros inteiros transformados em cinzas em janeiro de 2025. Nova York e o nordeste do país enfrentaram níveis perigosos de poluição do ar em julho, causada pela fumaça de incêndios florestais no Canadá que, naquele ano, já haviam destruído uma área maior que a Bélgica. Mas Phoenix vive seu inferno com uma resignação estranha, talvez porque os custos dos desastres climáticos recaem desigualmente sobre os pobres.

O oeste rural americano está pegando fogo. Centenas de incêndios nos estados de Oregon, Washington, Idaho e Califórnia têm sido parcialmente causados por tempestades com raios. O combate a esses incêndios enfrenta desafios reais, incluindo a falta de estradas em áreas isoladas. Mas essa dificuldade foi usada como justificativa para algo bem diferente. Na semana em que a coluna foi escrita, a secretaria de Agricultura americana anunciou planos para liberar a construção de estradas em 180 mil quilômetros quadrados de florestas virgens. Essas florestas absorvem milhões de toneladas de carbono por ano e são habitats para espécies ameaçadas. Cientistas ambientais desmentem o argumento de que estradas são necessárias para combater incêndios.

O objetivo real é liberar a extração madeireira, uma causa defendida energicamente por Donald Trump. Apenas os estados de Idaho e Colorado aprovaram leis locais para se blindar desse retrocesso. A decisão reverte uma proteção florestal garantida há 25 anos por Bill Clinton.

Uma pesquisa recente mostrou que 38% dos americanos disseram ter enfrentado perdas provocadas por um evento climático extremo no último ano. Mas falar de ambiente não rende audiência ou vídeos virais para o extremo do espectro ideológico preocupado em combater vacinas e minorias sexuais. A colunista sugere uma solução provocativa: se todas as conferências e reuniões de políticos fossem marcadas para agosto em Phoenix, talvez o namoro com a catástrofe pudesse esfriar.

Uísque é para beber, água é para matar
— Ditado entre moradores de Phoenix
A conta dos desastres recai desigualmente sobre os pobres
— Análise da colunista sobre Phoenix
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