O país tornou-se alvo fácil para todas as investidas externas e internas
Em outubro de 2024, o jornalista Luis Nassif lança um livro que propõe uma releitura da história política recente do Brasil: a Operação Lava Jato não teria sido uma investigação isolada, mas uma ação coordenada por grupos de mídia e instituições que, ao longo da chamada 'década maldita de 2010', desestabilizou governos, prendeu um presidente e abriu caminho para o bolsonarismo. A obra convida o país a examinar, com distância crítica, como a democracia pode ser corroída não apenas por golpes abertos, mas por conspirações que se disfarçam de justiça.
- Nassif acusa a Lava Jato de ter sido uma conspiração orquestrada por grupos de mídia com cumplicidade institucional, não uma operação anticorrupção legítima.
- A sequência de danos foi concreta e irreversível: o impeachment de Dilma, a prisão de Lula, o veto à sua candidatura em 2018 e a chegada de Bolsonaro ao poder.
- O livro mapeia um ecossistema de crise — ultradireita, crime organizado e revolução das comunicações — como forças que se alimentaram mutuamente para desestabilizar a democracia brasileira.
- A herança desse período inclui um Congresso capturado pelo Centrão, um Banco Central alinhado a interesses bolsonaristas e Forças Armadas descomprometidas com a legalidade.
- O lançamento em três cidades e o formato de roda de conversa sinalizam que a obra pretende ser uma intervenção ativa no debate público, não apenas um registro histórico.
Luis Nassif, jornalista e editor do GGN, lança nesta quinta-feira o livro 'A conspiração Lava Jato: o jogo político que comprometeu o futuro do país', com estreia no Rio de Janeiro e passagens marcadas por São Paulo e Brasília ao longo de outubro. A tese central é provocadora: a Operação Lava Jato não foi uma investigação criminal autônoma, mas uma ação coordenada por grupos de mídia sustentada pela complacência de instituições poderosas.
A obra reúne textos escritos por Nassif ao longo de quase duas décadas — de 2005 até os eventos de 8 de janeiro de 2023 — e argumenta que o lavajatismo integrou um fenômeno mais amplo, que incluiu a revolução das comunicações, o avanço da ultradireita e a expansão do crime organizado. Juntos, esses elementos teriam funcionado como precursores diretos do bolsonarismo e da crise democrática que se seguiu.
Nassif recupera o que chama de 'década maldita de 2010', período em que setores da imprensa teriam conspirado contra os governos do PT — primeiro com o mensalão, depois com a Lava Jato. O resultado foi o impeachment de Dilma Rousseff, a prisão de Lula e seu afastamento das eleições de 2018, e a ascensão de Jair Bolsonaro à presidência.
Na introdução, o autor faz um balanço dos danos deixados pelo período bolsonarista: ultradireita dispersa pelo país, Congresso dominado pelo Centrão, Banco Central capturado por interesses de mercado, Forças Armadas sem compromisso com a legalidade democrática e um Brasil vulnerável às novas ferramentas da guerra digital. O prefácio é de Carol Proner, da UFRJ, e a apresentação é assinada por Lenio Streck, constitucionalista de renome. O lançamento no Rio inclui roda de conversa com presidentes de entidades como a ABI e o Clube de Engenharia, reforçando o caráter de intervenção pública da obra.
Luis Nassif, jornalista e editor do site GGN, lança nesta quinta-feira um livro que reescreve a história política recente do Brasil através de uma tese provocadora: a Operação Lava Jato não foi uma investigação criminal isolada, mas uma conspiração orquestrada por grupos de mídia e sustentada pela complacência de instituições poderosas. O título é direto — "A conspiração Lava Jato: o jogo político que comprometeu o futuro do país" — e o lançamento acontece no Rio de Janeiro, com desdobramentos marcados para São Paulo e Brasília nos dias 20 e 25 de outubro.
O livro reúne textos de Nassif escritos ao longo de quase duas décadas, começando em 2005 e terminando na tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023. Essa amplitude temporal não é casual. Nassif argumenta que o lavajatismo não emergiu do nada, mas foi parte de um fenômeno maior que incluiu a revolução das comunicações, o avanço da ultradireita e a expansão do crime organizado — todos eles, em sua visão, precursores diretos do bolsonarismo e da crise democrática que deixou o país sem rumo.
O trabalho resgata o que Nassif chama de "década maldita de 2010", período em que setores da imprensa, segundo sua análise, conspiraram sistematicamente contra os governos do Partido dos Trabalhadores. Primeiro usaram o escândalo do mensalão como arma política. Depois, quando esse instrumento perdeu força, pivotaram para a Lava Jato. O resultado foi uma sequência de eventos que reconfigurou o país: o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, a prisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu afastamento das eleições de 2018, e a subsequente ascensão de Jair Bolsonaro à presidência.
Na introdução do livro, Nassif descreve a herança deixada pelo "interregno bolsonarista" em termos que soam como um balanço de danos. A ultradireita se espalhou por todo o país. O Congresso Nacional ficou inteiramente dominado pelo Centrão. O Banco Central foi capturado por interesses bolsonaristas e de mercado. As Forças Armadas perderam qualquer compromisso com a legalidade democrática. E o Brasil se tornou vulnerável a investidas externas e internas, agora armadas com os novos instrumentos da guerra digital.
O prefácio é assinado por Carol Proner, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A apresentação fica a cargo de Lenio Streck, professor de Direito Constitucional na Universidade do Vale do Rio dos Sinos e na Universidade Estácio de Sá. O lançamento no Rio acontece a partir das 18h no auditório da Associação Brasileira de Imprensa, na Rua Araújo Porto Alegre, 71, no Centro.
O evento incluirá uma roda de conversa entre Nassif e os presidentes da ABI (Otávio Costa), do Clube de Engenharia (Francis Bogossian) e do Senge-RJ (Olímpio Alves dos Santos), além da jornalista Hildegard Angel. A mediação será do jornalista Marcelo Auler. O formato sugere que o livro não é apenas um registro histórico, mas uma intervenção no debate público contemporâneo sobre as raízes da instabilidade política brasileira.
Notable Quotes
A Lava Jato não foi uma mera operação, conduzida de forma medíocre e inescrupulosa, mas uma ação impulsionada inicialmente pelos grupos de mídia e sustentada pelo apoio e complacência de instituições relevantes da sociedade— Luis Nassif, na tese central do livro
O interregno bolsonarista deixou de herança a ultradireita espalhada por todos os rincões do país, um Congresso inteiramente dominado pelo Centrão, um Banco Central capturado e Forças Armadas sem compromisso com a legalidade democrática— Luis Nassif, na introdução do livro
The Hearth Conversation Another angle on the story
O livro argumenta que a Lava Jato foi uma conspiração. Mas conspiração implica coordenação deliberada entre pessoas. Nassif nomeia quem estava coordenando?
Ele identifica grupos de mídia como os impulsionadores iniciais e depois mostra como instituições relevantes — setores do judiciário, da segurança, da política — ofereceram apoio e complacência. Não é necessariamente um grupo de pessoas em uma sala, mas um alinhamento de interesses.
E por que agora? Por que lançar um livro sobre isso em 2024, quando Lula já está de volta ao poder?
Porque a crise não acabou. Nassif argumenta que o bolsonarismo deixou uma herança estrutural — ultradireita dispersa, instituições capturadas, Forças Armadas descomprometidas. O país perdeu sua visão de futuro. Entender como chegou aqui é necessário para sair.
O livro conecta Lava Jato a fenômenos como a revolução das comunicações e o crime organizado. Como essas coisas se relacionam?
Nassif vê a revolução das comunicações como tendo criado novos canais de poder e manipulação. O crime organizado se expandiu nesse mesmo período. E a ultradireita aproveitou esses instrumentos. Todos esses fenômenos convergiram para desestabilizar a democracia.
Qual é o público-alvo? Pessoas que já concordam com essa narrativa, ou ele está tentando convencer céticos?
Provavelmente ambos. O livro reúne textos de 2005 até 2023, então tem densidade de análise. Mas o título e a tese são provocadores — ele quer que pessoas que acreditam na Lava Jato como operação legítima leiam e reconsiderem.
E a participação de Lenio Streck na apresentação — isso muda como o livro será recebido?
Streck é uma figura respeitada no direito constitucional. Sua participação confere uma certa legitimidade acadêmica ao argumento. Não é apenas jornalismo de opinião; tem respaldo de um jurista conhecido.