NASA revela estruturas inéditas em raios X no jato do buraco negro M87*

Um sistema muito mais complexo, dinâmico e cheio de variações
Como os astrônomos descrevem a estrutura interna do jato revelada pelas observações em raios X do Chandra.

A cinquenta e cinco milhões de anos-luz da Terra, um buraco negro com a massa de 6,5 bilhões de sóis continua a reescrever o que a humanidade acredita saber sobre os alicerces do cosmos. O telescópio Chandra da NASA captou, em raios X, estruturas internas no jato do M87* com um nível de detalhe sem precedentes, revelando não um fluxo uniforme, mas um sistema em perpétua transformação. Mais de uma década de observações acumuladas confirmam que o universo não é um cenário estático, mas um organismo vivo — e que os buracos negros supermassivos são, talvez, seus agentes mais poderosos.

  • O que parecia um jato cósmico simples revelou-se um sistema extraordinariamente complexo, forçando a ciência a revisar décadas de suposições sobre o M87*.
  • Material viajando a velocidades próximas à da luz cria uma ilusão óptica de movimento superluminal — partes do jato parecem se deslocar cinco vezes mais rápido que a luz, desafiando a percepção dos próprios observadores.
  • Mais de dez anos de dados do Chandra mostram que o jato muda continuamente, transformando o M87* em um laboratório natural único para estudar física extrema que não pode ser reproduzida em nenhum experimento terrestre.
  • Os resultados, apresentados na 248ª reunião da Sociedade Astronômica Americana em 2026, reafirmam que o Chandra — mesmo após décadas em órbita — permanece insubstituível para monitorar fenômenos de longa duração.
  • A descoberta amplia a compreensão de como buracos negros supermassivos moldam ativamente a evolução das galáxias ao seu redor, lançando energia que afeta gás e poeira por milhões de anos.

O telescópio Chandra da NASA produziu a imagem mais detalhada já obtida do jato do buraco negro M87*, revelando estruturas internas complexas que permaneciam invisíveis em outras faixas do espectro eletromagnético. O que antes parecia um fluxo quase contínuo mostrou-se um sistema dinâmico e em constante mutação, surpreendendo a comunidade científica.

O M87* entrou para a história em 2019 como o primeiro buraco negro fotografado pela humanidade. Situado no centro da galáxia Messier 87, a cerca de 55 milhões de anos-luz da Terra, ele carrega uma massa equivalente a 6,5 bilhões de sóis. Desde então, tornou-se referência obrigatória para o estudo de fenômenos extremos do universo. Os raios X captados pelo Chandra permitiram enxergar regiões de altíssima energia inacessíveis à luz visível ou ao infravermelho.

A comparação de mais de dez anos de observações revelou que o jato não é uma estrutura estática: material se move continuamente, as diferentes faixas de luz apresentam comportamentos distintos e mudanças se acumulam ao longo do tempo. Esse jato não é apenas visualmente impressionante — ele transporta energia suficiente para influenciar o gás, a poeira e a própria evolução da galáxia Messier 87 durante milhões de anos, ilustrando o papel central dos buracos negros supermassivos na formação das estruturas cósmicas.

Um dos fenômenos mais intrigantes observados é o movimento aparentemente superluminal: certas partes do jato parecem se deslocar cerca de cinco vezes mais rápido que a luz. Trata-se, porém, de uma ilusão óptica gerada quando o material viaja em direção à Terra em velocidades extremas, distorcendo a perspectiva do observador.

Os resultados foram apresentados na 248ª reunião da Sociedade Astronômica Americana em 2026 e disponibilizados em pré-publicação no arXiv. Para os cientistas, a descoberta reforça tanto a relevância contínua do Chandra quanto a certeza de que os buracos negros supermassivos ainda guardam processos que a ciência mal começou a compreender.

O telescópio Chandra da NASA voltou a surpreender a comunidade científica com uma visão sem precedentes do buraco negro M87*. As novas observações em raios X revelaram estruturas internas no jato cósmico que nunca haviam sido capturadas com esse nível de detalhe, transformando o que parecia ser um fluxo quase contínuo em um sistema extraordinariamente complexo e dinâmico.

O M87* conquistou fama internacional em 2019 ao se tornar o primeiro buraco negro fotografado pela humanidade. Localizado a cerca de 55 milhões de anos-luz da Terra, no centro da galáxia Messier 87, ele possui uma massa estimada em 6,5 bilhões de vezes superior à do Sol. Desde então, tornou-se um dos objetos mais valiosos para o estudo de fenômenos extremos do universo. O Chandra, especializado em observações de raios X, permitiu aos astrônomos enxergar regiões extremamente energéticas que não aparecem com clareza em luz visível ou infravermelho.

O que torna essa descoberta particularmente significativa é a revelação de uma estrutura muito mais intrincada do que as observações anteriores sugeriam. Embora o jato do M87* já tivesse sido estudado em diferentes comprimentos de onda, os raios X forneceram uma separação muito mais clara entre as estruturas internas. A comparação de mais de dez anos de dados do Chandra mostrou que o jato não é uma estrutura estática, mas sim um fenômeno em constante transformação. Os astrônomos identificaram movimento contínuo de material ao longo da emissão, diferenças claras entre as várias faixas de luz e mudanças registradas em escalas de tempo prolongadas.

Esse jato cósmico não é meramente um espetáculo visual impressionante. Durante o processo de alimentação do buraco negro, parte da matéria é direcionada para seus polos e posteriormente lançada em jatos poderosos que atravessam milhares de anos-luz. Esse material viaja em velocidades próximas à da luz, carregando uma quantidade imensa de energia que afeta o gás, a poeira e outras estruturas ao redor da galáxia durante milhões de anos. Dessa forma, o jato influencia diretamente a evolução da galáxia Messier 87, ilustrando como buracos negros supermassivos interferem no desenvolvimento das estruturas cósmicas que os cercam.

Um fenômeno particularmente intrigante observado pelos cientistas é o movimento aparente superluminal do jato. Em certos momentos, partes da estrutura parecem se deslocar cerca de cinco vezes mais rápido que a luz. Contudo, essa velocidade não foi realmente superada. Trata-se de uma ilusão óptica que ocorre quando o material viaja quase na direção da Terra em velocidades extremas, criando uma perspectiva que faz o deslocamento parecer mais rápido do que realmente é.

O estudo foi apresentado durante a 248ª reunião da Sociedade Astronômica Americana em 2026 e também disponibilizado em pré-publicação no arXiv. Para a comunidade científica, os resultados reforçam a importância contínua do Chandra, que mesmo após décadas em operação permanece essencial para o acompanhamento de fenômenos extremos por períodos prolongados. A nova imagem do M87* demonstra que buracos negros supermassivos ainda guardam processos extraordinariamente complexos e difíceis de compreender. Cada observação adicional revela detalhes antes invisíveis e amplia significativamente o conhecimento sobre buracos negros, galáxias e jatos cósmicos, sugerindo que o universo é muito mais dinâmico e intrincado do que as aparências iniciais indicam.

O jato do M87* muda de forma constante ao longo do tempo, revelando um sistema muito mais complexo do que parecia
— Pesquisadores da NASA
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que o Chandra consegue ver coisas que outros telescópios não conseguem?

Model

Os raios X penetram regiões extremamente energéticas que não brilham com clareza em luz visível. É como se você tivesse estado olhando para um incêndio com óculos de luz visível e de repente colocasse óculos infravermelhos — de repente você vê estruturas internas que estavam ali o tempo todo.

Inventor

Então o jato já estava mudando constantemente, mas ninguém sabia?

Model

Exatamente. Quando você observa algo por mais de dez anos em raios X, consegue acompanhar a evolução quase como uma sequência de imagens. O que parecia um fluxo contínuo revelou-se um sistema muito mais vivo e dinâmico.

Inventor

Esse movimento superluminal — como é possível parecer mais rápido que a luz sem realmente ser?

Model

É pura perspectiva. Imagine um carro se aproximando de você em alta velocidade, quase na sua direção. Ele parece se mover mais rápido do que realmente está se movendo. O jato faz algo semelhante, viajando quase na nossa direção a velocidades próximas à da luz.

Inventor

E isso importa para a galáxia inteira?

Model

Importa muito. Esse jato carrega energia por milhares de anos-luz, afetando gás e poeira ao redor durante milhões de anos. O buraco negro não é apenas um objeto isolado — ele está constantemente remodelando o ambiente da galáxia.

Inventor

O que muda agora que sabemos disso?

Model

Agora os cientistas têm um laboratório natural muito mais detalhado para estudar como buracos negros supermassivos funcionam. Cada nova imagem do Chandra adiciona uma camada de compreensão sobre processos que ainda são profundamente misteriosos.

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