Lucy decolou de Cabo Canaveral no sábado e observará mais asteroides que qualquer nave anterior, buscando esclarecer a formação do sistema solar. A nave visitará um asteroide principal entre Marte e Júpiter em 2025, depois os sete asteroides troianos, com o último sobrevoo em 2033.
Nasa lança nave Lucy em missão de 12 anos para estudar asteroides de Júpiter
Cada asteroide oferece uma parte da história do nosso sistema solar
Por que os asteroides troianos são tão importantes para entender a formação do sistema solar?
Eles são como cápsulas do tempo. Acredita-se que esses asteroides foram capturados pela gravidade de Júpiter nos primeiros dias do sistema solar, então eles preservam material praticamente inalterado desde essa época. Estudá-los nos dá acesso direto a como as coisas eram quando tudo estava se formando.
Mas isso é uma teoria, certo? Quer dizer, sabemos que estão lá, sabemos que são antigos, mas a ideia de que eles preservam material pristino — isso ainda precisa ser confirmado pela missão?
Exatamente. É por isso que Lucy existe. Ninguém nunca chegou perto o suficiente desses asteroides para verificar essas hipóteses.
E por que energia solar? Parece arriscado enviar uma sonda tão longe do Sol com painéis solares.
É uma inovação. Tecnicamente é mais desafiador, mas também é mais eficiente em termos de combustível e longevidade. Os painéis de Lucy são muito maiores e mais sofisticados do que os de missões anteriores.
Quantos asteroides troianos existem realmente? A reportagem menciona sete mil conhecidos.
Sim, cerca de sete mil foram catalogados até agora. Mas provavelmente existem muito mais que ainda não foram descobertos.
E esses oito que Lucy vai visitar — eles foram escolhidos aleatoriamente ou há uma razão específica?
Foram escolhidos estrategicamente. Representam diferentes tipos de asteroides troianos, diferentes tamanhos, diferentes composições aparentes. Isso vai dar à Nasa uma amostra mais completa.
A reportagem diz que alguns são cinza e outros vermelhos. Sabemos o que causa essas diferenças de cor?
Não completamente. Pode ser composição mineral diferente, pode ser exposição à radiação solar, pode ser uma combinação de fatores. Isso também é algo que Lucy vai ajudar a esclarecer.
Doze anos é muito tempo. O que pode dar errado?
Muita coisa, tecnicamente. Mas a Nasa construiu redundâncias em todos os sistemas críticos. E há comunicação constante com a Terra.
Qual é a margem de erro nos cálculos de trajetória para uma missão de doze anos?
Excelente pergunta. Não sei o número exato, mas pequenos ajustes são feitos continuamente. A precisão necessária é extraordinária.
Il Polso
- Lançamento em 16 de outubro de 2021, de Cabo Canaveral, via foguete Atlas V
- Primeira sonda solar a se aventurar tão longe do Sol
- Observará oito asteroides troianos, mais que qualquer missão anterior
- Primeiro sobrevoo previsto para 2025; últimos em 2033
- Custo total: US$ 981 milhões (R$ 5,35 bilhões)
Lucy decolou de Cabo Canaveral no sábado e observará mais asteroides que qualquer nave anterior, buscando esclarecer a formação do sistema solar. A nave visitará um asteroide principal entre Marte e Júpiter em 2025, depois os sete asteroides troianos, com o último sobrevoo em 2033.
A Nasa lançou a nave Lucy em missão de 12 anos para estudar oito asteroides troianos na órbita de Júpiter, sendo a primeira sonda solar a se aventurar tão longe do Sol.
No sábado de madrugada, em Cabo Canaveral, um foguete Atlas V levantou voo carregando a nave Lucy rumo a uma jornada de doze anos pelo sistema solar. O lançamento, que ocorreu às 6h34 no horário de Brasília, marca o início de uma missão sem precedentes: pela primeira vez, uma sonda movida exclusivamente por energia solar se aventura tão longe do Sol, em direção aos asteroides troianos que orbitam Júpiter.
O que torna Lucy singular não é apenas sua fonte de energia, mas o escopo ambicioso de seu trabalho científico. A nave foi projetada para observar oito asteroides — mais do que qualquer outra missão anterior conseguiu estudar. Cada um desses mundos rochosos, segundo Thomas Zurbuchen, diretor da divisão de ciência da Nasa, carrega consigo fragmentos da história do sistema solar, pistas sobre como nosso cosmos se formou bilhões de anos atrás. O maior desses asteroides mede aproximadamente 95 quilômetros de diâmetro.
A trajetória de Lucy segue um cronograma preciso. Por volta de 2025, a nave fará seu primeiro sobrevoo, passando por um asteroide principal localizado na região entre Marte e Júpiter. Depois disso, ela se dirigirá aos sete asteroides troianos, aproximando-se deles a velocidades de cerca de 24 mil quilômetros por hora, mantendo uma distância que varia entre 400 e 950 quilômetros conforme o tamanho de cada objeto. Os últimos sobrevoos estão previstos para 2033, encerrando uma década de exploração contínua.
Os asteroides troianos, dos quais cerca de sete mil já foram catalogados, apresentam uma diversidade que intriga os cientistas. Hal Levison, pesquisador principal da missão, destaca que esses corpos celestes são "muito diferentes uns dos outros" — alguns exibem uma coloração cinzenta, enquanto outros apresentam tons avermelhados. Essa variedade sugere histórias geológicas distintas, oferecendo oportunidades para compreender melhor os processos que moldaram o sistema solar primitivo.
O nome Lucy foi escolhido em homenagem ao fóssil de australopiteco descoberto na Etiópia em 1974, um achado que revolucionou o entendimento sobre as origens da humanidade. Assim como aquele esqueleto antigo iluminou nosso passado evolutivo, a Nasa espera que esta missão lance luz sobre a evolução do sistema solar. A nave carrega instrumentos sofisticados para essa tarefa, incluindo um espectrômetro infravermelho chamado L'TES que contém um diamante. Esse instrumento medirá a radiação térmica dos asteroides, permitindo aos cientistas determinar a temperatura de suas superfícies e, comparando leituras diurnas e noturnas, inferir se o solo é composto por blocos rochosos sólidos ou por poeira e areia fina.
O investimento necessário para essa empreitada é substancial: a missão custará aproximadamente 981 milhões de dólares, o equivalente a cerca de 5,35 bilhões de reais. Trata-se de um compromisso financeiro e científico de longo prazo, refletindo a importância que a comunidade espacial atribui à compreensão dos asteroides troianos e, por extensão, aos mecanismos que governaram a formação de nosso próprio mundo.
Citazioni salienti
Cada um desses asteroides oferece uma parte da história do nosso sistema solar, da nossa história— Thomas Zurbuchen, diretor da divisão de ciência da Nasa
Os asteroides troianos são muito diferentes uns dos outros — alguns são cinza e outros vermelhos— Hal Levison, pesquisador principal da missão Lucy