Há fenômenos que moldam a vida na Terra sem que possamos vê-los a olho nu: as erupções do Sol, nascidas na sua coroa, viajam pelo espaço e perturbam satélites, comunicações e até a saúde dos astronautas. Para compreender este clima invisível, a NASA desenvolveu o JEDI, um par de telescópios em ultravioleta extrema que, integrado na missão Vigil da ESA a partir de 2031, observará o Sol de um ângulo que a humanidade nunca antes teve — 60 graus atrás da Terra, num ponto de equilíbrio gravitacional onde a vigilância será contínua e sem precedentes.
NASA envia telescópios JEDI para estudar erupções solares na missão Vigil da ESA
Uma perspetiva que a Terra nunca conseguiu oferecer
Porque é que a luz ultravioleta extrema é tão importante para compreender o Sol? Não conseguimos ver tudo o que precisamos com telescópios normais?
A luz ultravioleta extrema revela processos que a luz visível não consegue mostrar. A coroa solar — a camada onde as erupções nascem — brilha principalmente neste comprimento de onda. É como tentar compreender um incêndio olhando apenas para a fumaça.
Mas isto já não está a ser observado? Há outros satélites que estudam o Sol em ultravioleta.
Há, mas nenhum a partir desta posição específica. O ponto de Lagrange oferece um ângulo que a Terra nunca conseguiu. E o JEDI será o primeiro a fazer vigilância contínua a partir de lá.
Qual é o impacto prático? Como é que isto muda as coisas para as pessoas na Terra?
Os alertas sobre clima espacial melhoram. Quando há uma erupção solar, temos horas para avisar os operadores de satélites, as redes eléctricas, os astronautas. Dados melhores significam avisos mais precisos.
Mas quanto tempo até que isto funcione? O lançamento é em 2031. Isso é ainda daqui a vários anos.
Verdade. Mas a preparação começa agora. E quando chegar, os dados que o JEDI enviar serão únicos — ninguém mais terá acesso a esta perspetiva.
E se algo correr mal? Se o instrumento falhar?
Esse é o risco de qualquer missão espacial. Mas a NASA e a ESA têm experiência. E a importância científica justifica o investimento.
Além disso, o JEDI não é o único instrumento no Vigil. Há redundância, há outros sensores. Mas sim, é sempre um risco.
Então isto é realmente uma mudança de paradigma na forma como estudamos o Sol?
Sim. Pela primeira vez, teremos uma visão constante, 24 horas por dia, de um ângulo que nunca tivemos. Isso é transformador.
Der Puls
- As erupções solares podem desativar satélites, cortar comunicações e ameaçar astronautas, mas os sistemas de alerta atuais ainda são lentos e imprecisos demais para responder a tempo.
- O instrumento JEDI foi concebido para captar luz ultravioleta extrema — invisível ao olho humano — que revela os mecanismos ocultos por trás das explosões mais violentas do Sol.
- A missão Vigil da ESA posicionará o JEDI no ponto 5 de Lagrange Sol-Terra, um lugar gravitacionalmente estável a cerca de 1,5 milhão de quilómetros da Terra, oferecendo uma perspetiva solar inédita.
- Pela primeira vez, cientistas poderão ligar continuamente o que acontece na superfície solar ao que se passa na coroa — a conexão que falta para prever o clima espacial com precisão.
- Com lançamento previsto para 2031, o JEDI promete transformar os sistemas de alerta que protegem redes elétricas, GPS, comunicações e missões humanas no espaço.
Há fenômenos que moldam a vida na Terra sem que possamos vê-los a olho nu: as erupções do Sol, nascidas na sua coroa, viajam pelo espaço e perturbam satélites, comunicações e até a saúde dos astronautas. Para compreender este clima invisível, a NASA desenvolveu o JEDI, um par de telescópios em ultravioleta extrema que, integrado na missão Vigil da ESA a partir de 2031, observará o Sol de um ângulo que a humanidade nunca antes teve — 60 graus atrás da Terra, num ponto de equilíbrio gravitacional onde a vigilância será contínua e sem precedentes.
A NASA criou o JEDI — Joint EUV coronal Diagnostic Investigation —, um par de telescópios projetado para fotografar o Sol em luz ultravioleta extrema, um comprimento de onda que os olhos humanos não alcançam, mas que expõe os processos ocultos por trás das erupções solares mais intensas.
O instrumento será integrado na missão Vigil da Agência Espacial Europeia, com lançamento previsto para 2031. O destino é o ponto 5 Sol-Terra de Lagrange, uma posição gravitacionalmente estável situada cerca de 60 graus atrás da Terra na sua órbita. Dali, o JEDI terá uma vista privilegiada do Sol que nenhum outro instrumento em ultravioleta extrema alguma vez ocupou.
A coroa solar — a camada intermédia da atmosfera do Sol — é onde nascem tanto o vento solar constante como as explosões que perturbam satélites, sistemas GPS, redes elétricas e comunicações terrestres. Compreender esta região é compreender o clima espacial. O JEDI será o primeiro instrumento a estabelecer, de forma contínua, a ligação entre o que ocorre na superfície solar e o que se desenvolve acima, na coroa.
Nicola Fox, da Diretoria de Missões Científicas da NASA, descreve a missão como uma mudança fundamental na forma como a humanidade entende o Sol. Os dados ininterruptos do JEDI, captados de um ângulo inédito, poderão tornar os alertas de clima espacial mais rápidos e precisos — protegendo infraestruturas críticas na Terra e os seres humanos que vivem e trabalham no espaço.
A NASA desenvolveu um instrumento chamado JEDI — Joint EUV coronal Diagnostic Investigation — que em breve partirá para o espaço a bordo de uma missão europeia. O objetivo é simples em aparência, mas profundo em consequência: fotografar o Sol em luz ultravioleta extrema, um comprimento de onda invisível aos olhos humanos, mas que revela os mecanismos ocultos por trás das erupções solares mais violentas.
Este instrumento, na verdade um par de telescópios, será integrado na missão Vigil da Agência Espacial Europeia. O lançamento está previsto para 2031. Quando chegar ao seu destino, o Vigil ocupará uma posição gravitacionalmente estável conhecida como ponto 5 Sol-Terra de Lagrange — um local situado aproximadamente 60 graus atrás da Terra na sua órbita, a cerca de 1,5 milhão de quilómetros de distância. Deste ponto privilegiado, o JEDI terá uma perspetiva única do Sol que nenhum outro instrumento em ultravioleta extrema conseguiu até agora.
O que torna isto importante é que a coroa solar — a camada intermédia da atmosfera do Sol — é o lugar onde nascem tanto o vento solar contínuo como as explosões cataclísmicas que chamamos de erupções solares. Compreender como esta região funciona é compreender como o Sol cria o clima espacial, aquele conjunto de fenómenos que afeta os satélites em órbita, as comunicações terrestres, e até mesmo os astronautas no espaço. O JEDI será capaz de ligar o que vemos na superfície solar com o que acontece acima, na coroa — uma conexão que os cientistas ainda não conseguem estabelecer com clareza.
A missão Vigil funcionará 24 horas por dia, fornecendo um fluxo contínuo de dados a partir de um ângulo que a Terra nunca conseguiu oferecer. Nicola Fox, da Diretoria de Missões Científicas da NASA, descreve isto como uma mudança fundamental na forma como compreendemos o clima espacial solar. Estes dados melhorados podem levar a alertas mais precisos e mais rápidos — avisos que protejam satélites de comunicações, sistemas de navegação GPS, redes eléctricas e até as missões humanas no espaço.
O JEDI será pioneiro nesta tarefa específica: será o primeiro instrumento a oferecer uma vigilância constante do Sol em ultravioleta extrema a partir desta posição única. Para os investigadores, isto representa um tesouro de informação nova, dados que até agora simplesmente não existiam. A combinação entre a perspetiva do Vigil e a capacidade do JEDI de ver em luz ultravioleta extrema promete reescrever o que sabemos sobre como o Sol se comporta e como podemos prever os seus efeitos na Terra e no espaço.
Bemerkenswerte Zitate
A combinação com a visão do Vigil mudará a maneira como entendemos o clima espacial solar, o que pode levar à melhoria dos alertas para mitigar os efeitos nos satélites e nos humanos— Nicola Fox, Diretoria de Missões Científicas da NASA