Namorado de Ana Paula corre com bandeira em ato por justiça em Santana

Ana Paula Viana Rodrigues, 19 anos, foi morta por estrangulamento durante assalto em seu local de trabalho em Santana.
Corria no ritmo do amor que sentia por Ana. Corria por ela.
Marco, namorado de Ana Paula, participou da Corrida da Mulher em Santana com uma bandeira contendo fotos da jovem morta.

Em Santana, enquanto a cidade corria em ato simbólico contra a violência de gênero, Marco erguia uma bandeira com o rosto de Ana Paula Viana Rodrigues, sua namorada de 19 anos estrangulada seis dias antes em seu local de trabalho. O acusado, Cláudio Pacheco, foragido do sistema penitenciário desde outubro de 2024 e já condenado por homicídio contra mulher em 2018, confessou ter matado a jovem para roubar seu celular e trocá-lo por crack. Entre a classificação legal do crime e o peso humano do luto, a história de Ana Paula levanta questões que o Código Penal, sozinho, não consegue responder.

  • Uma jovem de 19 anos foi estrangulada enquanto trabalhava sozinha em uma loja, vítima de um homem que a polícia já havia perdido de vista meses antes.
  • O acusado, com histórico de homicídio qualificado contra mulher, estava foragido desde outubro de 2024 — uma falha do sistema que custou uma vida.
  • A confissão imediata e o celular recuperado no ponto de venda de drogas fecharam o caso para a polícia, mas abriram uma disputa sobre como nomear o que aconteceu.
  • A classificação como roubo seguido de morte, e não feminicídio, divide a narrativa entre a motivação declarada pelo réu e o padrão de violência que ele carrega.
  • Enquanto a investigação avança para o julgamento, Marco corre pelas ruas com uma bandeira — transformando o luto em ato público de memória e exigência de justiça.

No domingo em que Santana realizava sua Corrida da Mulher, Marco corria segurando uma bandeira com fotos de Ana Paula Viana Rodrigues, sua namorada de 19 anos morta por estrangulamento seis dias antes. Ela havia sido encontrada no depósito da loja onde trabalhava, sozinha, na manhã de 9 de março. O crime foi rápido. A dor, não.

Poucas horas após o crime, a polícia prendeu Cláudio Pacheco, 42 anos, conhecido como 'Coringa'. Ele estava foragido desde outubro de 2024, quando não retornou de um trabalho externo do sistema penitenciário do Amapá. Pacheco confessou imediatamente: estava sob efeito de drogas, roubou o celular de Ana Paula e o trocou por seis porções de crack em um ponto de venda na cidade.

O delegado Anderson Ramos foi direto: o crime é roubo seguido de morte, não feminicídio. A motivação era química e econômica, disse ele — a necessidade de um homem viciado, não o ódio contra uma mulher. Mas Pacheco não era um criminoso sem história. Em 2018, já havia sido condenado por homicídio qualificado contra uma mulher de 24 anos. O sistema o perdeu de vista. Ana Paula pagou o preço.

Um dia após a morte da namorada, Marco escreveu nas redes sociais sobre o vazio que ela deixou. No domingo, ele corria — não atrás de uma classificação jurídica, mas atrás de algo mais difícil de nomear: a certeza de que Ana Paula havia existido, havia sido amada, e não seria reduzida a um artigo do Código Penal.

No domingo de manhã, enquanto a cidade de Santana realizava sua Corrida da Mulher, um homem corria pelas ruas segurando uma bandeira com fotos de uma jovem. Seu nome era Marco. A jovem nas fotos era Ana Paula Viana Rodrigues, sua namorada de 19 anos, morta por estrangulamento apenas seis dias antes.

Ana Paula foi encontrada no depósito da loja onde trabalhava na segunda-feira, dia 9 de março. Ela estava sozinha no estabelecimento quando foi atacada. O crime foi rápido e brutal. Poucas horas depois, a polícia prendeu Cláudio Pacheco, conhecido como "Coringa", um homem de 42 anos que havia desaparecido do sistema penitenciário do Amapá meses antes. Pacheco confessou imediatamente. Ele disse que estava sob efeito de drogas quando matou a jovem. Seu objetivo não era apenas tirar a vida dela — era roubar seu celular para trocar por seis porções de crack em um ponto de venda de drogas na cidade.

O delegado Anderson Ramos, responsável pela investigação na 1ª Delegacia de Santana, foi claro sobre a classificação do crime. Não era feminicídio, disse ele. Era roubo seguido de morte, previsto no artigo 157 do Código Penal. A polícia tinha a confissão do acusado, tinha o celular encontrado no local onde Pacheco o havia trocado por drogas, tinha os fatos. A motivação era econômica e química — a necessidade de um homem viciado em crack, não o ódio contra uma mulher.

Mas Marco, no domingo, corria por outra verdade. Um dia após a morte de Ana Paula, ele havia escrito nas redes sociais palavras que revelavam o peso do luto. "Meu amor, sempre vai ser e sempre será tudo pra mim, você sempre foi minha força, minha felicidade e dedicação para tudo na minha vida", escreveu ele. Naquela manhã, enquanto a cidade corria em ato contra a violência de gênero, Marco corria também — não pela justiça legal, mas pela memória. A bandeira que erguia era um testemunho de que Ana Paula havia existido, havia sido amada, e não seria esquecida.

Cláudio Pacheco não era um criminoso ocasional. Em 2018, ele havia sido condenado por homicídio qualificado contra uma mulher de 24 anos. Depois disso, havia entrado no sistema penitenciário. Em outubro de 2024, durante um trabalho externo, simplesmente não retornou. Ficou foragido por meses. Ninguém o encontrou até a manhã em que Ana Paula foi morta. Agora ele está preso novamente, aguardando julgamento por um crime que a polícia insiste em chamar de roubo, mas que deixou uma família destruída e um namorado correndo pelas ruas com uma bandeira, tentando transformar o luto em memória.

Meu amor, sempre vai ser e sempre será tudo pra mim, você sempre foi minha força, minha felicidade e dedicação para tudo na minha vida
— Marco, namorado de Ana Paula, em publicação nas redes sociais
Ele matou para roubar e adquirir droga. Não se trata de feminicídio. Foi um roubo seguido de morte
— Delegado Anderson Ramos, 1ª Delegacia de Santana
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que o delegado foi tão específico em dizer que não era feminicídio? Parecia uma questão importante para ele.

Model

Porque a lei é precisa. Feminicídio exige que o crime seja motivado pelo ódio ou desprezo contra a mulher por causa do seu gênero. Pacheco matou por droga. A vítima poderia ter sido qualquer pessoa naquele lugar naquele momento.

Inventor

Mas ela era uma mulher sozinha em uma loja. Vulnerável. Isso não conta?

Model

Conta para o luto, para a realidade do que aconteceu. Mas não conta para a tipificação legal. A lei quer saber a intenção, não apenas o resultado.

Inventor

E Marco? O que ele estava fazendo naquela corrida?

Model

Ele estava fazendo o que a lei não faz. Estava dizendo que Ana Paula importava, que ela era mais do que uma vítima de roubo. Estava recusando deixar que ela fosse reduzida a um artigo do Código Penal.

Inventor

Você acha que ele concorda com a classificação da polícia?

Model

Não sei. Mas sei que ele corria por ela, não pela classificação. A bandeira era sobre memória, não sobre jurisprudência.

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