Namorada de chefe da PF recebeu milhões da Ambipar, empresa ligada a Vorcaro

Tecnicamente insolvente enquanto recebia recursos públicos
A Ambipar pediu recuperação judicial com R$ 10,5 bilhões em dívidas em outubro de 2025, mesmo mantendo contratos ativos com o governo.

No cruzamento entre poder, dinheiro e silêncio institucional, emerge a figura de Renata Varandas — apresentadora, lobista e namorada do chefe da Polícia Federal —, que recebeu valores milionários da Ambipar, empresa com quase meio bilhão em contratos públicos e investigada por corrupção. O caso ilumina uma geometria de interesses que conecta a cúpula da segurança pública, o sistema financeiro e a mídia, levantando perguntas que as instituições, até agora, preferiram não responder.

  • Uma apresentadora de TV que também faz lobby recebeu milhões de uma empresa investigada — enquanto seu namorado chefiava a corporação responsável por fiscalizar as mesmas regiões onde ela opera.
  • A Ambipar assinou contratos bilionários com o governo, três deles sem licitação, e pediu recuperação judicial com R$ 10,5 bilhões em dívidas enquanto ainda recebia dinheiro público.
  • O diretor-geral da PF participou de um evento em Londres pago pelo empresário investigado meses antes de um contrato de R$ 269,7 milhões ser firmado com a Funai — sem que qualquer conflito fosse declarado.
  • O STF restringiu o acesso de Andrei Rodrigues às investigações do caso Master, sinalizando desconfiança institucional sobre a independência da PF em relação aos investigados.
  • O nome da Ambipar foi silenciosamente removido do perfil público de Renata após o início das apurações, e o SBT News jamais informou o público sobre seus vínculos profissionais ou pessoais.

Renata Varandas apresenta um programa político no SBT News, é sócia de um escritório de lobby em Brasília e namorada de Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal. A ela foram pagos milhões de reais pela Ambipar — multinacional com quase R$ 500 milhões em contratos governamentais e envolvida em investigações de corrupção ligadas ao empresário Daniel Vorcaro. O SBT News nunca informou o público sobre nenhum desses vínculos. O nome da empresa havia aparecido na biografia pública de Renata no Instagram, mas foi removido após o início das apurações.

Em 2024, a Ambipar assinou cinco contratos com o governo federal para serviços em terras indígenas, três deles sem licitação. O maior, de R$ 269,7 milhões com a Funai, foi fechado em dezembro — no mesmo mês em que Renata estreou seu programa no SBT News. A Polícia Federal, sob comando de seu namorado, atua justamente na segurança dessas regiões. Oito meses antes desse contrato, Andrei Rodrigues esteve em Londres num evento com Daniel Vorcaro, cujo custo de 640 mil dólares foi bancado pelo próprio empresário.

A Ambipar entrou em recuperação judicial em outubro de 2025, com dívidas de R$ 10,5 bilhões — tecnicamente insolvente enquanto ainda recebia recursos públicos. A empresa é investigada pela CVM por suposta manipulação coordenada de ações junto ao Banco Master, cujas cotações subiram 863% em apenas dois meses de 2024. O ministro do STF André Mendonça, novo relator do caso, proibiu que delegados compartilhem informações sigilosas com Andrei Rodrigues, numa decisão que expõe a desconfiança crescente entre o tribunal e a cúpula da PF.

Renata Varandas apresenta um programa político no SBT News. Ela também é sócia de um escritório de lobby em Brasília e namorada de Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal. E ela recebeu milhões de reais da Ambipar, uma multinacional que possui contratos governamentais avaliados em quase R$ 500 milhões e está envolvida em investigações de corrupção ligadas ao empresário Daniel Vorcaro.

A jornalista já havia sido demitida da TV Record anteriormente por misturar jornalismo com interesses financeiros. Desta vez, ela exibia a Ambipar como vínculo profissional em seu perfil no Instagram — o nome foi removido da biografia pública após o início das apurações sobre o caso. O SBT News nunca informou ao público sobre nenhum dos vínculos profissionais ou pessoais mantidos pela apresentadora.

Em 2024, a Ambipar assinou cinco contratos com o governo federal somando R$ 480,9 milhões para serviços em terras indígenas. Três desses contratos foram realizados sem licitação. O maior deles, no valor de R$ 269,7 milhões com a Funai, ocorreu em dezembro de 2024, após a primeira colocada na licitação ser desclassificada. Na mesma época, em 21 de dezembro, Renata estreou seu programa semanal no SBT News. A Polícia Federal, chefiada pelo namorado de Renata, atua na segurança dessas mesmas regiões operadas pela empresa.

Oito meses antes do contrato com a Funai, Andrei Rodrigues participou de um evento em Londres com Daniel Vorcaro. O encontro custou 640 mil dólares — cerca de R$ 3,2 milhões à época — e foi pago por Vorcaro. Fontes da PF indicam que Andrei estaria adotando o mesmo procedimento que o ministro Alexandre de Moraes adotou com sua esposa, Viviane Barci, por meio de um contrato no valor de R$ 129 milhões em serviços advocatícios para o Banco Master, valor considerado bem acima da média.

Em outubro de 2025, a Ambipar pediu recuperação judicial com dívidas de R$ 10,5 bilhões. A empresa estava tecnicamente insolvente enquanto recebia recursos públicos e mantinha contratos ativos com o governo federal. A Ambipar é investigada pela CVM por suposta manipulação de ações em conjunto com o Banco Master. Segundo relatório técnico, o grupo atuou de forma coordenada para inflar as cotações da empresa, que registraram uma alta de 863% entre junho e agosto de 2024.

O ministro do STF André Mendonça, novo relator do caso Master, restringiu o acesso do diretor-geral da PF às investigações do inquérito. A decisão proíbe que delegados compartilhem dados sigilosos com Andrei Rodrigues, em meio à desconfiança entre o tribunal e a PF. A restrição ocorreu após Andrei entregar um relatório com menções ao ministro Dias Toffoli, encontradas no celular de Vorcaro. Toffoli era o antigo relator, mas se afastou após revelações de que sua empresa vendeu parte de um resort para um fundo do Banco Master.

Andrei estaria adotando o mesmo procedimento que Alexandre de Moraes adotou com a esposa, Viviane Barci, por meio de um contrato no valor de R$ 129 milhões em serviços advocatícios para o Master
— Fontes da PF
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Como uma jornalista que apresenta um programa político consegue receber milhões de uma empresa privada sem que isso seja divulgado?

Model

Porque ninguém estava olhando — ou ninguém queria olhar. Ela exibia a Ambipar no Instagram, mas o SBT News nunca mencionou isso ao público. Quando as apurações começaram, o nome desapareceu da biografia dela.

Inventor

E o namorado dela, o chefe da PF, qual é o conflito de interesse aqui?

Model

A Polícia Federal, sob sua direção, atua na segurança das mesmas regiões onde a Ambipar opera. Além disso, ele participou de um evento em Londres pago por Vorcaro, o empresário ligado à empresa. É difícil não ver um padrão.

Inventor

Mas a Ambipar não é uma empresa legítima com contratos governamentais?

Model

Tecnicamente sim, mas três de seus cinco contratos em 2024 foram feitos sem licitação. E em outubro de 2025, ela pediu recuperação judicial com R$ 10,5 bilhões em dívidas — enquanto ainda recebia dinheiro público.

Inventor

Então o STF percebeu isso?

Model

Percebeu o suficiente para proibir que Andrei Rodrigues acesse as investigações do caso. O novo relator, André Mendonça, não confia na PF neste assunto.

Inventor

Por que Dias Toffoli saiu do caso?

Model

Sua empresa vendeu parte de um resort para um fundo do Banco Master — o mesmo banco investigado por manipular ações da Ambipar. Quando isso veio à tona, ele se afastou.

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