Em menos de dois meses, o maior IPO da história transformou-se em uma das quedas mais espetaculares da memória recente dos mercados. A SpaceX, lançada na bolsa em junho com promessas de reconfigurar a exploração espacial, viu suas ações recuarem 46% do pico, arrastando a fortuna de Elon Musk de 1,45 trilhão para 692 bilhões de dólares — um lembrete de que a gravidade age sobre impérios financeiros com a mesma implacabilidade com que age sobre foguetes. O mercado, que primeiro aplaudiu o visionário, agora exige provas concretas de que a visão se sustenta.
Musk perde metade da fortuna em sete semanas após IPO da SpaceX
A reentrada na atmosfera foi brutal
Como um IPO do tamanho desse consegue desabar tão rápido? Não há mecanismos de proteção?
Há, mas eles funcionam quando há confiança. O IPO foi gigantesco porque o mercado acreditava na visão. Quando a realidade começou a questionar a narrativa — dívida inesperada, atrasos nos testes — a confiança evaporou.
A emissão de dívida foi realmente o gatilho?
Foi um sinal. Significava que a empresa queimava caixa mais rápido do que o mercado havia precificado. Levantou uma pergunta incômoda: quanto dessa avaliação de 1,77 trilhão era baseada em números reais?
E o Starship 9? Por que os investidores desconfiaram tanto?
Porque a empresa não foi transparente. Disse que o teste foi bem-sucedido, mas não forneceu detalhes. No mercado, silêncio é suspeita. Se tudo tivesse corrido bem, por que não comemorar?
Musk ainda é trilionário em algum lugar?
Não. Perdeu o status. Mas continua sendo o homem mais rico do mundo por uma margem enorme. O que é humilhante para ele é que a queda foi tão rápida — sete semanas. Mostra que fortuna em ações é volátil, especialmente quando concentrada em uma empresa.
Isso muda algo para a SpaceX como negócio?
Não muda a tecnologia ou a missão. Mas muda o acesso a capital. Se os investidores perdem confiança, fica mais caro captar recursos. E para uma empresa que queima bilhões em pesquisa e desenvolvimento, isso importa muito.
The Pulse
- A SpaceX estreou na Nasdaq em 11 de junho a 135 dólares por ação e disparou para 201,80 dólares em apenas cinco dias, fazendo de Musk o primeiro trilionário da história — mas a euforia durou menos de uma semana.
- A notícia de uma emissão de 25 bilhões de dólares em dívida, anunciada logo após o IPO que captou 75 bilhões, acendeu um sinal de alerta: investidores passaram a questionar o quanto a empresa realmente consome para operar.
- Os atrasos e cancelamentos nos testes do Starship 9 — o maior foguete já construído — aprofundaram a desconfiança, e a falta de transparência sobre os resultados do voo de 24 de julho alimentou rumores de que problemas estavam sendo ocultados.
- Em sete semanas, Musk perdeu 758 bilhões de dólares em patrimônio e admitiu publicamente, no X, que deixou de ser trilionário — uma confissão rara de um empresário que raramente reconhece reveses.
- As ações agora oscilam próximas a 109 dólares, 19% abaixo do preço de lançamento, e o mercado aguarda em compasso de espera por resultados que justifiquem a ambição original da empresa.
Em menos de dois meses, o maior IPO da história transformou-se em uma das quedas mais espetaculares da memória recente dos mercados. A SpaceX, lançada na bolsa em junho com promessas de reconfigurar a exploração espacial, viu suas ações recuarem 46% do pico, arrastando a fortuna de Elon Musk de 1,45 trilhão para 692 bilhões de dólares — um lembrete de que a gravidade age sobre impérios financeiros com a mesma implacabilidade com que age sobre foguetes. O mercado, que primeiro aplaudiu o visionário, agora exige provas concretas de que a visão se sustenta.
Julho terminou amargamente para Elon Musk. Em seu perfil no X, o empresário admitiu o que os números já revelavam há semanas: ele deixou de ser trilionário. Em sete semanas, sua fortuna despencou de 1,45 trilhão para 692 bilhões de dólares — uma perda de 758 bilhões, ou 52% do patrimônio, segundo a Forbes. Musk continua sendo o homem mais rico do planeta, mas a velocidade da queda expõe uma verdade incômoda: nem os visionários mais celebrados escapam das leis do mercado.
Tudo começou com o maior IPO da história. Em 11 de junho, a SpaceX foi lançada na Nasdaq a 135 dólares por ação, captando 75 bilhões de dólares e avaliando a empresa em 1,77 trilhão de dólares. As ações subiram consistentemente até atingir 201,80 dólares em 16 de junho, consolidando Musk como o primeiro trilionário da história. O status parecia permanente.
Mas a euforia durou menos de uma semana. A notícia de que a SpaceX planejava emitir 25 bilhões de dólares em dívida gerou desconfiança imediata: por que buscar mais recursos logo após uma captação histórica? A interpretação de que a empresa consumia mais do que se imaginava derrubou as ações para 154,60 dólares em 22 de junho.
O segundo golpe veio do Starship 9. O teste do maior foguete já construído, marcado para 16 de julho, foi adiado por falhas em motores e só ocorreu em 24 de julho. A SpaceX declarou sucesso, mas a escassez de detalhes alimentou suspeitas de que algo estava sendo omitido. Desde então, as ações alternam raros dias de recuperação com sequências de queda, e em 31 de julho caminham para fechar próximas a 109 dólares — 46% abaixo do pico e 19% abaixo do preço de lançamento. O mercado aguarda provas concretas de que a ambição da empresa pode, de fato, ser entregue.
Julho terminou amargamente para Elon Musk. O empresário, conhecido por sua franqueza abrasiva e confiança inabalável, fez uma admissão pública há poucos dias em seu perfil na rede social X: deixou de ser trilionário. Não era novidade para quem acompanhava os números, mas a velocidade e a escala da queda foram extraordinárias. Em sete semanas, sua fortuna caiu de 1,45 trilhão de dólares para 692 bilhões — uma perda de 758 bilhões de dólares, ou 52% do patrimônio, segundo a revista Forbes.
Musk continua sendo o homem mais rico do planeta, distante do segundo colocado, Larry Page, fundador do Google, cujo patrimônio soma 282 bilhões de dólares. Mas a implosão revela algo mais profundo: nem mesmo os visionários mais celebrados escapam de erros e reviravoltas. A razão está toda ligada ao desempenho da SpaceX, sua empresa de exploração espacial, que passou por um ciclo vertiginoso de euforia e desencanto.
Tudo começou com o maior IPO da história. Em 11 de junho, as ações da SpaceX foram lançadas na bolsa a 135 dólares cada, arrecadando 75 bilhões de dólares e estabelecendo um valor de mercado de 1,77 trilhão de dólares para a companhia. Como Musk detém uma participação significativa, essa avaliação elevou automaticamente seu patrimônio pessoal a patamares nunca antes alcançados. Quando as negociações começaram na Nasdaq no dia 12 de junho, as ações subiram consistentemente até atingir o pico de 201,8 dólares em 16 de junho. Parecia que o status de trilionário estava consolidado.
Mas a partir desse ponto, tudo desmoronou. Menos de uma semana após o IPO, o mercado foi surpreendido pela notícia de que a SpaceX planejava emitir 25 bilhões de dólares em títulos de dívida. A medida levantou questões óbvias: por que captar mais recursos se o caixa havia acabado de ser abastecido pela venda de ações? A interpretação de que a empresa consumia mais recursos do que se imaginava derrubou as cotações para 154,60 dólares em 22 de junho.
O próximo golpe veio do Starship 9, o maior foguete já construído e a aposta principal da companhia para reduzir custos de voos espaciais. O teste estava marcado para 16 de julho, mas falhas em motores adiaram o lançamento para 23 de julho. Após novo cancelamento, a nave finalmente decolou em 24 de julho. Embora a SpaceX tenha declarado sucesso, a falta de detalhes sobre o teste deixou investidores desconfiados de que algo estava sendo ocultado.
Desde então, as ações alternam raros dias de recuperação com sequências de quedas. Nesta sexta-feira, 31 de julho, a SpaceX caminha para fechar próximo a 109 dólares — o menor patamar desde o IPO, 19% abaixo do preço de lançamento e 46% abaixo do pico de 16 de junho. A fortuna de Musk, que havia alcançado altitudes nunca antes imaginadas, foi puxada de volta pela gravidade. A reentrada na atmosfera foi brutal, e o mercado agora aguarda sinais concretos de que a empresa consegue entregar nos seus ambiciosos planos.
Notable Quotes
Deixou de ser o primeiro trilionário da história— Elon Musk, em postagem na rede social X