Mulher morre após ser espancada pelo marido em Sobradinho

Luciane Simão Silva, 42 anos, morreu após agressão do marido, deixando dois filhos órfãos, um de 7 anos e outro de idade não revelada.
Mesmo internada, o agressor continuava a ameaçá-la
Rondinele enviava mensagens de ameaça enquanto Luciane se recuperava dos ferimentos no hospital.
Mark

Por que o casal reatou o relacionamento se havia uma medida protetiva?

Mimi

A medida protetiva só funciona se a vítima a mantém ativa na Justiça. Quando o casal voltou a ficar junto, Luciane provavelmente pediu para cancelá-la ou simplesmente deixou de renovar. Muitas mulheres voltam para seus agressores por razões econômicas, emocionais ou porque acreditam que dessa vez será diferente.

Mark

As mensagens de ameaça enquanto ela estava internada — como a polícia soube disso?

Mimi

O irmão relatou à polícia. Ele estava acompanhando Luciane no hospital e viu as mensagens chegando. Provavelmente mostrou os registros aos investigadores. Essas mensagens são evidência de que o agressor continuava tentando controlá-la mesmo depois de a ter ferido gravemente.

Mark

A agressão aconteceu em um lugar público. Havia testemunhas?

Mimi

Sim, aconteceu na Praça da Fercal, um espaço aberto. A polícia está ouvindo testemunhas presenciais para reconstruir exatamente o que aconteceu. Mas o fato de ser em público não impediu a agressão — e às vezes não impede nem mesmo que outras pessoas intervenham.

Mark

Qual é a diferença prática entre feminicídio e lesão corporal seguida de morte?

Mimi

Feminicídio reconhece que a morte foi motivada por preconceito de gênero — porque ela era mulher, porque questionou o marido, porque tentou se separar ou porque ele a controlava. Lesão corporal seguida de morte é mais genérica: reconhece que houve agressão e morte, mas não necessariamente que o gênero foi o motivo. A tipificação muda a sentença e o significado do crime.

Mark

Luciane pediu ajuda em algum momento?

Mimi

Ela denunciou em 2017. Ela postou sobre violência contra mulheres em 2018. Mas depois voltou para o marido. Talvez tenha achado que as coisas melhorariam. Talvez não tivesse para onde ir. A verdade é que pedir ajuda não é suficiente se o sistema não conseguir proteger quem denuncia.

  • Luciane foi golpeada no rosto pelo marido em plena praça pública, caiu, bateu a cabeça e foi levada ao hospital — mas recebeu alta antes de seu estado se agravar fatalmente.
  • Mesmo internada, ela continuava sendo ameaçada por mensagens do próprio agressor, perturbações que, segundo a polícia, comprometeram sua recuperação.
  • O irmão de Luciane foi quem denunciou o caso à delegacia, revelando um histórico de agressões constantes que a família conhecia de perto.
  • Rondinele Ferreira foi preso no domingo, um dia antes de Luciane morrer, enquanto investigadores ainda debatem se o crime será tipificado como feminicídio ou lesão corporal seguida de morte.
  • Dois filhos ficaram órfãos, e Luciane passa a integrar a estatística de 107 mulheres mortas por violência de gênero no Distrito Federal desde a criação da Lei do Feminicídio.

Em Sobradinho, Luciane Simão Silva, de 42 anos, morreu após ser espancada pelo marido em uma praça pública — encerrando oito anos de um casamento marcado pela violência. Ela havia buscado proteção legal no passado, mas o amor e a reconciliação a deixaram vulnerável uma vez mais. Sua morte, que levou cinco dias para chegar, levanta agora uma pergunta que o direito precisa responder: quando um homem mata uma mulher por ser mulher, como a lei deve nomear esse ato?

Luciane Simão Silva tinha 42 anos e oito anos de casamento quando foi espancada pelo marido, Rondinele Ferreira, na noite de 16 de dezembro, na Praça da Fercal, em Sobradinho. Ele estava sob efeito de drogas quando desferiu um golpe no rosto dela. Luciane caiu e bateu a cabeça em um banco. Socorrida e levada ao Hospital Regional de Sobradinho, recebeu alta e voltou para casa — mas seu estado piorou nos dias seguintes, e ela precisou ser transferida para o Hospital de Base, onde morreu na madrugada de segunda-feira, 21 de dezembro.

A agressão física, porém, não foi o único ataque. Mesmo internada, Luciane recebia mensagens de ameaça do marido, que desestabilizaram seu quadro clínico enquanto ela tentava se recuperar. Foi o irmão dela quem procurou a delegacia para denunciar o caso e relatar o histórico de violência constante.

Não era a primeira vez. Em 2017, Luciane havia registrado boletim de ocorrência contra Rondinele e obtido medida protetiva. O casal, porém, reatou o relacionamento, e a proteção deixou de valer. Em agosto de 2018, ela havia publicado nas redes sociais um apelo pelo fim da violência contra as mulheres — palavras que não foram suficientes para salvá-la.

Rondinele foi preso no domingo, 20 de dezembro. A delegada-adjunta da 13ª Delegacia de Sobradinho, Ágatha Braga, informou que investigadores ainda colhem depoimentos para definir se o crime será tipificado como lesão corporal seguida de morte ou feminicídio — uma distinção que determina se a Justiça reconhecerá, ou não, o preconceito de gênero como motivação do crime.

Luciane deixa dois filhos: um menino de sete anos, filho do casal, e uma filha de outro relacionamento. Ambos crescerão sem a mãe. Desde a criação da Lei do Feminicídio, 107 mulheres morreram por violência de gênero no Distrito Federal, deixando 137 crianças órfãs. Luciane e seus filhos agora fazem parte desse número.

Luciane Simão Silva tinha 42 anos e estava casada há oito anos quando seu marido a espancou na noite de quarta-feira, 16 de dezembro, na Praça da Fercal, em Sobradinho. Ela foi socorrida e levada ao Hospital Regional de Sobradinho, recebeu alta e voltou para casa. Mas seu estado piorou nos dias seguintes. No fim de semana, precisou retornar ao Hospital de Base, onde faleceu na madrugada de segunda-feira, 21 de dezembro, em decorrência dos ferimentos.

O marido dela, Rondinele Ferreira, tinha 34 anos. Segundo investigações da polícia, ele estava sob efeito de drogas quando questionou Luciane sobre algo. Irritado com a pergunta, desferiu um golpe no rosto dela. Luciane caiu e bateu a cabeça em um banco. Tudo isso aconteceu em um espaço público, diante de possíveis testemunhas.

Mas a agressão não terminou ali. Mesmo internada no hospital, Luciane continuou sendo perturbada pelo marido, que lhe enviava mensagens de ameaça. Essas mensagens, segundo relatos da polícia, desestabilizaram seu quadro de saúde enquanto ela tentava se recuperar dos ferimentos. O irmão de Luciane foi quem procurou a delegacia para denunciar o caso, relatando também que a irmã sofria agressões constantes do companheiro.

Não era a primeira vez que Luciane denunciava violência doméstica. Em 2017, ela havia registrado um boletim de ocorrência contra o marido, e a Justiça havia decretado uma medida protetiva em seu favor. Mas o casal reatou o relacionamento, e a proteção legal deixou de estar em vigor. Em agosto de 2018, Luciane havia postado uma foto nas redes sociais pedindo o fim da violência contra as mulheres — um apelo que não a protegeu.

Rondinele foi localizado e preso no domingo, 20 de dezembro. A delegada-adjunta da 13ª Delegacia de Polícia de Sobradinho, Ágatha Braga, explicou que os investigadores ainda estão colhendo elementos e ouvindo testemunhas para decidir se o crime será tipificado como lesão corporal seguida de morte ou feminicídio. A diferença entre essas duas acusações é significativa: uma reconhece o crime como motivado por preconceito de gênero, a outra não.

Luciane deixa dois filhos. Um deles, de sete anos, era filho do casal. Ela tinha também uma filha de outro relacionamento, cuja idade não foi revelada. Ambos crescerão sem a mãe. Segundo dados que o jornal havia publicado em agosto daquele ano, desde a criação da Lei do Feminicídio, 107 mulheres morreram por preconceito de gênero no Distrito Federal, deixando 137 crianças e adolescentes órfãos por esse tipo de crime. Luciane e seus filhos agora fazem parte dessa estatística.

Estamos colhendo mais elementos e iremos ouvir mais testemunhas presenciais para sabermos se ele responderá por lesão corporal seguida de morte ou feminicídio
— Ágatha Braga, delegada-adjunta da 13ª Delegacia de Polícia de Sobradinho
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