Beatriz ignorou sangue nas fezes e dor ao evacuar por três anos, recusando medicamentos e colonoscopia recomendados pelo médico. Diagnóstico foi feito em estágio inicial, permitindo cura apenas com cirurgia, mas exigiu uso de bolsa de ostomia por dez meses.
Mulher descobre câncer colorretal aos 25 após ignorar sintomas por três anos
Se não fosse ela, eu não estaria viva
Por que Beatriz levou três anos para procurar ajuda, mesmo com um médico já tendo encontrado algo?
Ela estava em luto, bebendo para lidar com a dor do pai. O médico pediu que parasse de beber para tomar os medicamentos, e ela não conseguiu abdicar disso. Além disso, achava que era hemorroida — algo que podia esperar.
E quando os sintomas pioraram, por que demorou mais um ano para o diagnóstico?
Ela finalmente foi ao pronto-atendimento com dor intensa. O médico pediu colonoscopia, mas pelo SUS a fila era de um ano. Quando o exame aconteceu, o resultado levou mais duas semanas para chegar.
Como ela se sente agora sobre ter ignorado tudo aquilo?
Não romantiza. Diz que não tinha noção de como os sintomas eram graves e como tirariam sua qualidade de vida. Mas também reconhece que foi sortuda — o câncer foi descoberto em estágio inicial.
E por que ela decidiu compartilhar tudo nas redes sociais?
Quando recebeu o diagnóstico, procurou por outras pessoas passando pela mesma coisa e não encontrou. Percebeu que pacientes de câncer colorretal têm vivências muito específicas e precisam de identificação. Decidiu ser essa voz.
Qual é o risco real para pessoas jovens?
Diagnósticos em adultos de 20 a 39 anos aumentam 1% a 2,4% ao ano desde os anos 1980. Maus hábitos estão entre as causas. Mas o maior problema é que jovens tendem a achar que nada vai atingi-los — como Beatriz achava.
O Pulso
- Beatriz Suzuki ignorou sangue nas fezes e dor ao evacuar por três anos, recusando medicamentos e colonoscopia recomendados
- Diagnóstico feito em 2018, quando tinha 25 anos; câncer estava em estágio inicial
- Usou bolsa de ostomia por dez meses devido a complicação (fístula intestinal)
- Diagnósticos de câncer colorretal em adultos de 20 a 39 anos aumentam 1% a 2,4% ao ano desde os anos 1980
- Especialistas recomendam colonoscopia preventiva a partir dos 45 anos para população geral
Beatriz ignorou sangue nas fezes e dor ao evacuar por três anos, recusando medicamentos e colonoscopia recomendados pelo médico. Diagnóstico foi feito em estágio inicial, permitindo cura apenas com cirurgia, mas exigiu uso de bolsa de ostomia por dez meses.
Beatriz Suzuki, 31, descobriu aos 25 anos que tinha câncer colorretal após ignorar sintomas por três anos. Curada, agora usa redes sociais para conscientizar jovens sobre a importância de procurar ajuda médica.
Beatriz Suzuki tinha 22 anos quando começou a notar sangue ao evacuar. Era intermitente — nem sempre acontecia — então ela simplesmente deixou passar. Sua família insistiu que procurasse um coloproctologista, e ela foi. O médico encontrou uma ferida durante o exame de toque, prescreveu pomada e remédio, e a encaminhou para uma colonoscopia. Ela não tomou os medicamentos. Não fez o exame. Na época, Suzuki estava em luto pela morte do pai e usava álcool para lidar com a dor. Parar de beber para seguir o tratamento parecia impossível. Além disso, ela achava que era só uma hemorroida. Podia esperar.
Dois anos se passaram. Aos 24, novos sintomas surgiram — perda de peso que ela atribuía a bons hábitos, exercício regular. Mas ficava exausta só de caminhar uma quadra. O sangramento, agora diário e intenso, não podia mais ser ignorado. Uma dor aguda na barriga a levou a um pronto-atendimento. Dessa vez, ela contou tudo ao médico. Ele pediu uma colonoscopia. Pelo SUS, a espera foi de um ano.
O diagnóstico chegou em 2018, duas semanas após o exame. Câncer colorretal. Beatriz tinha 25 anos. A sorte — se é possível chamar assim — foi que o câncer havia sido descoberto em estágio inicial. Apenas a cirurgia para remover o tumor era necessária. Mas uma complicação, uma fístula intestinal, exigiu que ela usasse uma bolsa de ostomia por dez meses. Aceitar aquilo foi brutal. "Eu não conseguia nem olhar", lembra. Depois, porém, sua perspectiva mudou. "Se não fosse ela, eu não estaria viva."
Agora com 31 anos e curada, Suzuki transformou sua experiência em propósito. Quando recebeu o diagnóstico, procurou por outras pessoas passando pela mesma coisa. Não encontrou ninguém — havia apenas pacientes de câncer de mama. Pessoas com câncer colorretal, ela percebeu, têm vivências muito específicas. Precisam de identificação. Então começou a compartilhar sua história nas redes sociais. Um grupo no Facebook que criou tem quase 500 membros e mais de 500 mil visualizações. Preta Gil, que também teve câncer colorretal em 2023 e precisou usar bolsa de ostomia, a segue.
O que torna a história de Beatriz particularmente relevante é que ela não é isolada. Um estudo da American Cancer Society divulgado em 2023 mostrou que diagnósticos de câncer colorretal em adultos de 20 a 39 anos aumentam entre 1% e 2,4% ao ano desde os anos 1980. Os maus hábitos estão entre as principais causas. Segundo o oncologista Lucas Vieira dos Santos, do Hospital Beneficiência Portuguesa, o câncer de intestino pode levar uma década para se desenvolver, dependendo de sua agressividade. Alguns pacientes começam a reclamar de sintomas em poucos meses; outros levam anos.
Os sinais de alerta incluem alterações no trânsito intestinal — diarreia, constipação, sensação de evacuação incompleta — dificuldade para evacuar e sangue nas fezes. Pode aparecer ao se limpar após ir ao banheiro. Também há cólicas, falta de apetite, perda de peso repentina e cansaço constante. Em estágios mais avançados, o abdômen incha. Cerca de 15% dos tumores nascem por predisposição genética, mas não é a única causa. Síndrome de Lynch, polipose adenomatosa familiar e doenças inflamatórias intestinais como Doença de Crohn aumentam o risco.
O tratamento depende do estágio em que o câncer é descoberto. Tumores iniciais podem exigir apenas cirurgia. Intermediários geralmente precisam de cirurgia seguida de quimioterapia. Avançados, com metástases, demandam tratamentos sistêmicos — quimioterapia, imunoterapia, cirurgia. A bolsa de ostomia pode ser necessária temporária ou permanentemente em casos de obstrução intestinal. Para o oncologista Túlio Pfiffer, do Hospital Sírio Libanês, a maior medida de prevenção é que todas as pessoas, mesmo sem sintomas ou histórico familiar, façam uma colonoscopia preventiva a partir dos 45 anos. Quem tem histórico familiar deve conversar com um especialista e investigar mais cedo. A história de Beatriz é um lembrete de que aos 25 anos, quando temos planos e nos sentimos invencíveis, a saúde pode desaparecer rapidamente — e que ignorar sintomas tem um preço.
Citações Notáveis
Pacientes de câncer de intestino têm vivências muito específicas e precisam de identificação— Beatriz Suzuki
A maior medida de prevenção é que todas as pessoas, mesmo sem sintomas ou histórico familiar, façam uma colonoscopia de prevenção a partir dos 45 anos— Túlio Pfiffer, oncologista clínico do Hospital Sírio Libanês