Pike, 50 anos, está consciente e falando após tentativa de execução fracassada em Nashville, com danos graves nos braços. Especialistas afirmam ser o primeiro caso documentado de sobrevivência após injeção letal bem-sucedida; pentobarbital pode ter se dispersado em tecido subcutâneo.
Mulher condenada à morte nos EUA está consciente após execução fracassada
Ela certamente teria morrido se o veneno tivesse circulado normalmente
Como é possível que alguém sobreviva a uma injeção letal? Não é exatamente para isso que o procedimento foi desenvolvido?
Sim, mas o que aconteceu com Pike é diferente de tudo que se tem registro. O pentobarbital foi injetado — não foi um fracasso técnico simples. A teoria é que a droga se dispersou no tecido subcutâneo em vez de entrar na corrente sanguínea. Mesmo assim, as doses que ela recebeu seriam fatais se tivessem circulado normalmente.
Mas isso é uma teoria, certo? Os anestesiologistas estão especulando sobre o que aconteceu porque ninguém realmente sabe. As autoridades ainda não explicaram o que deu errado.
Verdade. E há outra complicação: ela pode ter sofrido lesão cerebral. As tentativas de reanimação não foram feitas imediatamente. Leva uma semana para o pentobarbital sair do corpo dela, então os médicos ainda não conseguem fazer um exame neurológico completo.
Então ela está acordada, mas pode estar permanentemente prejudicada?
Sim. Os especialistas dizem que é "muito possível" que ela tenha dano cerebral. E mesmo que sobreviva, o prognóstico é incerto. Pode haver "quadros médicos graves" pela frente.
E quanto ao que vem depois? Eles vão tentar executá-la de novo?
Ninguém sabe. As autoridades não disseram nada. O governador suspendeu todas as execuções no Tennessee pelo resto do ano, e o chefe do sistema prisional disse que vai renunciar.
Isso é uma situação completamente sem precedentes, então.
Sem precedentes em um sentido muito específico: é a primeira vez que alguém sobrevive depois que o veneno realmente entrou no corpo. Mas há muitas perguntas sem resposta sobre o que aconteceu e o que acontece agora.
O Pulso
- Christa Pike, 50 anos, está consciente após tentativa de execução fracassada em Nashville
- Primeira sobrevivência documentada após injeção letal bem-sucedida nos EUA
- Condenada em 1995 pelo assassinato de Colleen Slemmer, jovem de 19 anos
- Pentobarbital provavelmente se dispersou em tecido subcutâneo em vez de entrar na corrente sanguínea
- Governador do Tennessee suspendeu todas as execuções pelo resto do ano
Pike, 50 anos, está consciente e falando após tentativa de execução fracassada em Nashville, com danos graves nos braços. Especialistas afirmam ser o primeiro caso documentado de sobrevivência após injeção letal bem-sucedida; pentobarbital pode ter se dispersado em tecido subcutâneo.
Christa Pike, condenada à morte, permanece consciente após falha em duas injeções letais. Especialistas descrevem sua sobrevivência como sem precedentes na história das execuções americanas.
Christa Pike acordou. Aos 50 anos, condenada à morte há décadas, ela sobreviveu ao que deveria ter sido o fim — duas injeções letais que falharam na semana passada em Tennessee. Agora está consciente e falando em um hospital de Nashville, ainda algemada, com danos graves nos braços, enquanto médicos tentam eliminar o pentobarbital que corre por seu corpo.
Pike foi condenada em 1995 pelo assassinato de Colleen Slemmer, uma jovem de 19 anos. Na época, Pike tinha 18 anos e, junto com seu namorado Tadaryl Shipp, espancou, torturou e matou Slemmer em um acampamento de treinamento profissional para jovens. Três décadas depois, ela chegou à câmara de execução. Mas algo deu errado — algo que especialistas em direito penal dizem nunca ter acontecido antes.
Os advogados de Pike divulgaram um comunicado nesta terça-feira descrevendo sua recuperação como "sem precedentes na área médica". Ela é, segundo sua defesa, a única pessoa de que se tem notícia a ter sobrevivido a uma tentativa de execução consumada nos Estados Unidos. Houve outros sete casos em que prisioneiros sobreviveram a execuções, mas em nenhum deles o veneno chegou realmente a entrar nas veias — os executores simplesmente não conseguiram fazer a injeção. Pike é diferente. O pentobarbital entrou. Deveria ter matado.
Deborah Denno, criminóloga e professora de direito na Fordham University, disse estar "absolutamente surpresa" pelo fato de Pike estar consciente. "Eles fizeram tudo o que deveriam fazer como parte do processo de execução e, simplesmente, não funcionou. Isso nunca aconteceu antes", afirmou à BBC. Joel Zivot, anestesiologista que assessora a defesa de Pike, oferece uma explicação possível: em vez de entrar na corrente sanguínea, o pentobarbital provavelmente se dispersou pelo tecido subcutâneo — a camada de gordura sob a pele. As duas doses que ela recebeu teriam sido suficientes para causar morte se tivessem circulado normalmente. "Ela certamente teria morrido", disse Zivot.
Mas a sobrevivência traz seu próprio custo. Zivot alertou que é "muito possível" que Pike tenha sofrido lesão cerebral, já que as tentativas de reanimação não foram realizadas imediatamente após o colapso. Seriam necessárias "pelo menos uma semana" para que o pentobarbital se dissipasse do organismo e permitisse um exame neurológico adequado. Mesmo com todas as intervenções médicas disponíveis, disse ele, "as perspectivas de sobrevivência dela permanecem incertas". É provável que ela enfrente "quadros médicos graves que poderiam mudar significativamente" sua vida.
Os advogados de Pike afirmam que, no mínimo, esperam "uma longa recuperação". Seu prognóstico permanece incerto. Enquanto isso, as autoridades não esclareceram se tentarão executá-la novamente. O governador do Tennessee, Bill Lee, suspendeu todas as execuções no estado pelo resto do ano. O chefe do sistema prisional estadual afirmou no fim de semana que pretende renunciar ao cargo. A questão agora é o que acontece com uma mulher que sobreviveu ao que deveria ter sido irreversível — e se o sistema tentará novamente.
Citações Notáveis
Eles fizeram tudo o que deveriam fazer como parte do processo de execução e, simplesmente, não funcionou. Isso nunca aconteceu antes.— Deborah Denno, criminóloga e professora de direito
Ela certamente teria morrido se o pentobarbital tivesse entrado na corrente sanguínea e circulado normalmente.— Joel Zivot, anestesiologista assessor da defesa