MP aciona Justiça contra Teresina por falta de intérpretes de Libras nas escolas

28 alunos surdos estão privados do direito à educação inclusiva pela ausência de intérpretes de Libras nas escolas municipais.
28 crianças surdas aprendem sem quem as traduza
Em Teresina, estudantes que usam Libras frequentam escolas municipais sem intérpretes disponíveis.
Mark

Por que o Ministério Público decidiu agir agora, se essas leis já existem há tanto tempo?

Mimi

Porque as denúncias dos pais chegaram ao ponto de não poder ser ignoradas. Crianças surdas estão dentro de salas de aula sem conseguir acompanhar nada. A lei existe, mas não estava sendo cumprida.

Mark

A Prefeitura disse que tem dificuldade em contratar. Isso é um problema real ou uma desculpa?

Mimi

Parece ser real — eles admitiram não ter nem um banco de dados de intérpretes. Mas isso não muda o fato: a obrigação é deles, não das crianças. Se não conseguem contratar, precisam encontrar uma forma.

Mark

E os outros 40 alunos surdos que não usam Libras? Eles estão bem?

Mimi

A ação do MP é específica para quem usa Libras, que são os 28. Os outros 40 podem estar usando outras estratégias de comunicação, ou talvez já tenham intérpretes. Mas a questão central é a mesma: inclusão real nas escolas.

Mark

O que muda se a Justiça der razão ao MP?

Mimi

Muda tudo. A Prefeitura seria obrigada a contratar intérpretes permanentes. Deixaria de ser uma questão de boa vontade e viraria uma exigência judicial que precisa ser cumprida.

  • 28 crianças e adolescentes surdos assistem às aulas sem que ninguém traduza o que está sendo ensinado — o aprendizado segue, mas sem eles.
  • Pais e responsáveis formalizaram reclamações ao Ministério Público após perceberem que seus filhos chegavam às escolas sem o suporte garantido por lei.
  • A Prefeitura de Teresina admitiu, em reunião com o MP, que não tem cadastro de intérpretes disponíveis e enfrenta dificuldades reais de contratação.
  • O MP ajuizou ação exigindo que a Justiça obrigue o município a garantir intérpretes de forma permanente para todos os alunos surdos que usam Libras.
  • O caso agora aguarda decisão judicial, mas o conflito já está exposto: de um lado, crianças com direito ao aprendizado; do outro, uma gestão que diz não conseguir cumpri-lo.

Em Teresina, 28 estudantes surdos frequentam escolas públicas sem intérpretes de Libras — uma ausência que não é apenas logística, mas uma ruptura com direitos fundamentais consagrados na Constituição e em décadas de legislação inclusiva. O Ministério Público do Piauí levou o caso à Justiça, confrontando a Prefeitura com a distância entre o que a lei promete e o que a sala de aula entrega. É o momento em que o Estado é chamado a responder pelo silêncio imposto a quem já enfrenta o mundo em silêncio.

Em Teresina, 28 estudantes surdos que dependem da Língua Brasileira de Sinais estão nas salas de aula sem intérpretes. A situação levou o Ministério Público do Piauí a acionar judicialmente a Prefeitura Municipal, após reclamações de pais que viram seus filhos desassistidos no ambiente escolar.

Durante uma reunião realizada em 11 de setembro, a Prefeitura reconheceu os obstáculos na contratação desses profissionais e admitiu não possuir sequer um cadastro de intérpretes disponíveis. No total, 68 estudantes com surdez estão matriculados na rede municipal — mas são os 28 que usam Libras como principal forma de comunicação os mais diretamente prejudicados, já que sem tradução em tempo real a aula simplesmente não chega até eles.

O MP fundamenta a ação na Constituição Federal, no Estatuto da Criança e do Adolescente e na Lei Brasileira de Inclusão — normas que há anos estabelecem a presença de intérpretes como obrigação, não como opção. O pedido é direto: que a Justiça force o município a garantir intérpretes de forma permanente para todos os alunos surdos que usem Libras. O desfecho depende da decisão judicial, mas a tensão já está posta entre crianças esperando aprender e uma administração que diz não conseguir viabilizar quem as ajude a fazê-lo.

Em Teresina, 28 crianças e adolescentes surdos que dependem da Língua Brasileira de Sinais para aprender estão frequentando escolas públicas sem intérpretes. O Ministério Público do Piauí decidiu levar o caso à Justiça, acionando a Prefeitura Municipal para garantir que esses estudantes tenham acesso ao direito fundamental à educação.

A ação foi desencadeada por reclamações de pais e responsáveis que viram seus filhos chegarem às salas de aula sem o profissional necessário para traduzir as aulas. Durante um encontro entre o MP e a administração municipal realizado em 11 de setembro, a Prefeitura reconheceu publicamente que enfrenta obstáculos para contratar esses profissionais. Através da Secretaria Municipal de Educação, o governo local também admitiu não dispor de um cadastro de intérpretes disponíveis para preencher as vagas.

O cenário é ainda mais amplo. Ao todo, 68 estudantes com surdez estão matriculados nas escolas da rede municipal de Teresina. Desses, 28 usam Libras como principal forma de comunicação — e são justamente esses que se veem prejudicados pela ausência de tradução em tempo real durante as aulas. Sem um intérprete, a barreira de comunicação transforma a sala de aula em um espaço onde o aprendizado fica comprometido, onde o estudante surdo fica isolado enquanto a lição segue adiante.

O Ministério Público fundamenta sua ação em marcos legais que já existem há anos. A Constituição Federal, o Estatuto da Criança e do Adolescente e a Lei Brasileira de Inclusão — todas essas normas estabelecem claramente que estudantes com deficiência auditiva têm direito à presença de intérpretes nas escolas. Não é uma sugestão. É uma obrigação legal.

O que o MP está pedindo agora é que a Justiça force a Prefeitura a cumprir o que a lei já determina: garantir intérpretes de forma permanente e contínua para todos os alunos surdos que usem Libras na rede municipal. Não é uma solução temporária ou experimental. É a implementação do que deveria estar acontecendo desde o início. O próximo passo depende da decisão judicial, mas o conflito já está posto: de um lado, crianças esperando poder aprender; do outro, uma administração que diz não conseguir contratar quem as ajude.

A Prefeitura Municipal admitiu que enfrenta dificuldades para contratar intérpretes de Libras
— Ministério Público do Piauí, em audiência de 11 de setembro
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