Mortes pela polícia crescem em SP em 2025 apesar de queda em homicídios

834 pessoas morreram em ações envolvendo policiais em 2025; 270 mulheres foram vítimas de feminicídio no estado, com recorde de 60 casos na capital.
Um assassinato a cada três horas e meia, mas o menor patamar em 24 anos
São Paulo registra 2.527 homicídios em 2025, queda de 3,9%, mas taxa de 5,46 por 100 mil habitantes é a menor desde 2001.
Mark

Como explicar que homicídios caem enquanto mortes pela polícia aumentam? Parecem tendências opostas.

Mimi

São fenômenos diferentes com causas diferentes. Os homicídios envolvem dinâmicas entre criminosos, vítimas, investigação. A letalidade policial é sobre o uso da força pelo Estado. Uma pode estar sob controle enquanto a outra escapa.

Mark

Mas o que causa essa alta na letalidade policial especificamente?

Mimi

Os dados não explicam o porquê. Pode ser mais confrontos, pode ser mudanças nas operações, pode ser registros diferentes. O que sabemos é que 2025 teve o pior trimestre desde 2015.

Mark

E os feminicídios? Por que crescem quando homicídios caem?

Mimi

Porque violência contra mulheres segue lógicas próprias. Não é apenas crime de rua. É crime doméstico, é crime de gênero. Enquanto a criminalidade geral recua, essa forma específica de violência persiste e piora.

Mark

O pesquisador do Fórum menciona que a Polícia Civil está sucateada. Isso afeta a queda de homicídios?

Mimi

Afeta, mas não é tudo. Ele diz que é um ecossistema — monopólio territorial, prevenção, mediação de conflitos. A polícia fraca pode até deixar espaço para que criminosos organizados controlem melhor o território, reduzindo conflitos.

Mark

Então menos homicídios pode significar menos liberdade, não mais segurança?

Mimi

É uma possibilidade que os dados deixam em aberto. A redução é real, mas suas causas profundas — e suas implicações — exigem análise além dos números.

  • A taxa de homicídios em São Paulo caiu ao menor nível desde 2001, mas a capital paulista nada contra essa maré, registrando alta de 6,4% em 2025.
  • Os feminicídios atingiram recorde histórico no estado — 270 vítimas — e na capital — 60 casos —, sinalizando que a violência contra mulheres segue trajetória oposta à tendência geral.
  • A letalidade policial cresceu para 834 mortes em ações de policiais, com o último trimestre registrando o pior índice desde 2015, justamente quando outros homicídios recuam.
  • Roubos caíram 16,7% no estado, mas especialistas alertam para a subnotificação e para a migração das quadrilhas para golpes digitais via celulares roubados.
  • Pesquisadores apontam que a Polícia Civil está cada vez mais sucateada, comprometendo a capacidade de solucionar crimes e lançando dúvidas sobre a sustentabilidade das melhorias.

São Paulo encerra 2025 com uma contradição que desafia leituras simples sobre segurança pública: enquanto os homicídios atingem o menor patamar em 24 anos, a letalidade policial volta a crescer e os feminicídios batem recorde histórico. Os números revelam que a queda da violência letal geral não é uniforme — ela coexiste com formas específicas de morte que seguem em ascensão, expondo as fraturas estruturais de um estado que melhora em algumas métricas enquanto regride em outras.

São Paulo terminou 2025 com uma contradição incômoda: os homicídios caíram para o menor patamar em quase um quarto de século, mas as mortes causadas por policiais voltaram a subir e os feminicídios atingiram recorde histórico. Os dados da Secretaria da Segurança Pública compõem um quadro complexo no terceiro ano do governo Tarcísio de Freitas.

O estado registrou 2.527 homicídios dolosos em 2025 — queda de 3,9% em relação a 2024 e a terceira redução consecutiva, levando a taxa a 5,46 mortes por 100 mil habitantes, o menor índice desde o início da série histórica, em 2001. A capital, porém, não acompanha essa tendência: foram 530 homicídios, alta de 6,4%, interrompendo quatro anos seguidos de melhora.

Os feminicídios apresentam cenário ainda mais preocupante. Com 270 vítimas no estado e 60 na capital, ambos os números são recordes desde que a série começou a ser registrada, em 2018 — crescimentos de 6,7% e 22,4%, respectivamente. Enquanto a violência letal em geral recua, a violência contra mulheres segue em trajetória ascendente.

Para Leonardo Silva, pesquisador sênior do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a redução dos homicídios resulta de uma combinação de fatores: o monopólio territorial do PCC, políticas de prevenção e investigação, e mecanismos informais de mediação de conflitos. Ele ressalva, porém, que a Polícia Civil está cada vez mais sucateada, o que compromete a capacidade de solucionar crimes.

A letalidade policial segue na contramão de todo o restante: 834 pessoas morreram em ações envolvendo policiais em 2025, 21 a mais que no ano anterior. O último trimestre concentrou 276 dessas mortes, o maior número desde 2015. Nos crimes patrimoniais, os roubos caíram 16,7% no estado, mas especialistas alertam para a subnotificação e para a migração das quadrilhas para golpes digitais — uma criminalidade menos visível nas estatísticas, mas potencialmente tão prejudicial.

São Paulo terminou 2025 com uma contradição incômoda: enquanto os homicídios caíram para o menor patamar em quase um quarto de século, as mortes causadas por policiais voltaram a subir, e os feminicídios atingiram um recorde histórico. Os números, divulgados pela Secretaria da Segurança Pública, desenham um quadro complexo no terceiro ano do governo Tarcísio de Freitas.

O estado registrou 2.527 homicídios dolosos ao longo de 2025, o que significa um assassinato a cada três horas e meia. A queda de 3,9% em relação a 2024 representa a terceira redução consecutiva, levando a taxa estadual a 5,46 mortes por 100 mil habitantes — o menor índice desde que a série histórica começou, em 2001. Essa tendência de melhora vem se consolidando desde 2013, com interrupções apenas em 2020 e 2022. Em escala nacional, o Brasil também segue uma trajetória de queda há nove anos, com taxa de 17,1 homicídios por 100 mil habitantes em 2024, conforme o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Mas a capital paulista não acompanha essa tendência. São Paulo registrou 530 homicídios em 2025, um aumento de 6,4% comparado ao ano anterior, interrompendo quatro anos consecutivos de melhora nos indicadores. É um movimento que contrasta com o desempenho do interior e da região metropolitana.

Os feminicídios, porém, apresentam um cenário ainda mais preocupante. O estado atingiu 270 vítimas em 2025, crescimento de 6,7% em relação a 2024 — um recorde desde que a série começou a ser registrada, em 2018. Na capital, foram 60 casos, um aumento de 22,4%, também o maior número da série histórica. Esses números sugerem que enquanto a violência letal em geral recua, a violência contra mulheres segue em trajetória ascendente.

Para Leonardo Silva, pesquisador sênior do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a redução dos homicídios resulta de uma combinação de fatores: o monopólio territorial exercido pelo Primeiro Comando da Capital, políticas de prevenção e investigação, e mecanismos informais de mediação de conflitos. Ainda assim, Silva ressalva que medir o peso de cada variável é tarefa difícil. Ele aponta uma realidade incômoda: a estrutura de polícia judiciária em São Paulo não melhorou ao longo dos anos. A Polícia Civil, segundo ele, está cada vez mais sucateada, o que compromete a capacidade de solucionar crimes, inclusive homicídios. Estudos do Ipea também identificam um componente demográfico: o envelhecimento da população tende a reduzir a violência letal, já que jovens e adolescentes concentram a maior parte das vítimas no país.

A letalidade policial, porém, segue na contramão. Em 2025, 834 pessoas morreram em ações envolvendo policiais civis e militares, tanto em serviço quanto de folga — 21 mortes a mais que em 2024. O último trimestre do ano concentrou 276 dessas mortes, o maior número registrado desde o início da série, em 2015. Esse crescimento ocorre justamente quando outras formas de violência letal estão em queda.

Nos crimes patrimoniais, o quadro é misto. Os roubos caíram 16,7% no estado, totalizando cerca de 161 mil registros. Os furtos, porém, subiram 3,6% na capital, enquanto o estado apresentou leve redução. Especialistas alertam para dois problemas: a subnotificação de crimes e a adaptação das quadrilhas, que cada vez mais se voltam para golpes digitais a partir do roubo de celulares. O padrão sugere uma mudança na natureza da criminalidade patrimonial, menos visível nas estatísticas tradicionais mas potencialmente tão prejudicial.

A estrutura de polícia judiciária em São Paulo não melhorou. A Polícia Civil está cada vez mais sucateada, e isso impacta a capacidade de solucionar crimes
— Leonardo Silva, pesquisador sênior do Fórum Brasileiro de Segurança Pública
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