Morre Tomás Improta, pianista e compositor de MPB e jazz, aos 77 anos

Falecimento de Tomás Improta, aos 77 anos, após enfrentar câncer na garganta.
Seu piano totalmente solto mas misteriosamente ligado com o que vinha à cabeça
Caetano Veloso descrevendo a presença musical de Tomás Improta durante os anos com A Outra Banda da Terra.
Mark

O que fazia Tomás Improta diferente de outros pianistas de sua época?

Mimi

Ele tinha essa capacidade rara de estar completamente presente no momento. Não era alguém que impunha sua vontade ao piano — era alguém que conversava com o instrumento e com os outros músicos ao seu redor.

Mark

Caetano Veloso usou uma palavra interessante: "misteriosamente ligado". O que você acha que ele quis dizer?

Mimi

Acho que Caetano estava descrevendo aquela coisa que não se ensina, que não se aprende em conservatório. Era intuição pura. Tomás ouvia o que Caetano estava sentindo e traduzia aquilo em notas, em acordes, em silêncios.

Mark

Ele nunca teve aula de música formal, certo?

Mimi

Exato. Venceu um concurso aos cinco anos sem ter recebido uma aula sequer. Cresceu cercado de música, de pianistas, e absorveu tudo naturalmente. Depois, quando descobriu o jazz e a bossa nova, já tinha uma linguagem própria.

Mark

Por que você acha que ele decidiu abrir uma escola nos anos 1990?

Mimi

Acho que chegou um momento em que ele sentiu que tinha algo a transmitir. Não era só sobre técnica — era sobre como ouvir, como estar presente, como deixar a música fluir.

Mark

Ele colaborou com praticamente todos os grandes nomes da música brasileira.

Mimi

Sim, mas nunca como protagonista. Sempre como aquele músico que você quer ao seu lado porque sabe que ele vai entender exatamente o que você precisa naquele momento.

  • A música brasileira perde um de seus pilares silenciosos: Improta era o tipo de músico que sustentava o brilho alheio sem nunca eclipsá-lo.
  • Caetano Veloso foi ao ar nas redes sociais para testemunhar a perda, descrevendo o piano do amigo como algo ao mesmo tempo livre e misteriosamente afinado com cada instante da performance.
  • Seu velório, marcado para segunda-feira no Crematório da Penitência, no Caju, reunirá um círculo de artistas e alunos que atravessaram décadas ao seu lado.
  • A escola Cenário, que Improta fundou em Botafogo nos anos 1990, permanece como herança viva — um espaço onde o legado do pianista continua a soar nas mãos de novos músicos.

Tomás Improta, pianista carioca que soube transformar o silêncio entre as notas em diálogo, partiu aos 77 anos após enfrentar um câncer na garganta. Filho de músicos, prodigioso desde a infância, ele percorreu décadas ao lado dos maiores nomes da música popular brasileira e do jazz, deixando nos palcos e estúdios uma presença que Caetano Veloso descreveu como pura espontaneidade. Sua morte, em 23 de agosto de 2026, encerra uma trajetória que foi tanto de intérprete quanto de formador — alguém que ensinou gerações a ouvir antes de tocar.

Tomás Improta morreu no domingo, 23 de agosto, aos 77 anos, vítima de um câncer na garganta. Pianista, compositor, arranjador e professor, ele era um dos músicos mais discretamente essenciais da cena brasileira — alguém que transitava com naturalidade entre a MPB e o jazz, sempre a serviço da música maior que o cercava.

Sua trajetória começou antes mesmo das primeiras aulas: filho dos pianistas Eurico Nogueira França e Ivy Improta, Tomás venceu o Concurso de Iniciação Musical do Conservatório Brasileiro de Música aos cinco anos sem nunca ter estudado formalmente. A música popular que preenchia sua casa e, mais tarde, a descoberta do jazz e da bossa nova nos anos 1960 moldaram um músico que aprendeu a improvisar antes de aprender a obedecer.

Ao longo das décadas seguintes, Improta esteve ao lado de Caetano Veloso — integrando A Outra Banda da Terra —, Gal Costa, Maria Bethânia, Gilberto Gil, Djavan e Chico Buarque, entre outros. Caetano, ao saber da morte do amigo, escreveu nas redes sociais que o piano de Tomás era completamente livre, mas misteriosamente conectado com o que vinha à sua mente em cada apresentação — a música em seu brilho mais espontâneo.

Nos anos 1990, Improta abriu a escola Cenário, em Botafogo, e passou a gravar como solista, lançando álbuns como 'Tear', 'Bartok Jazz' e 'Certas Mulheres'. Seu legado não está apenas nos discos, mas nas gerações de músicos que aprenderam com ele a diferença entre tocar alto e dizer algo verdadeiro.

Tomás Improta morreu no domingo, 23 de agosto, aos 77 anos. O pianista carioca enfrentava um câncer na garganta. Seu velório foi marcado para segunda-feira, 24 de agosto, a partir das 11 horas, no Crematório da Penitência, no bairro do Caju, no Rio de Janeiro.

Ele era pianista, compositor, arranjador e professor — um músico que transitava com naturalidade entre o universo da música popular brasileira e o jazz. Improta integrou bandas importantes, entre elas o Bicho e A Outra Banda da Terra, grupo que acompanhava o cantor Caetano Veloso. Mas sua presença não se limitava a esses projetos. Ao longo de sua carreira, esteve nos estúdios e nos palcos ao lado de Gal Costa, Maria Bethânia, Gilberto Gil, Zezé Motta, Djavan e Chico Buarque, entre tantos outros nomes que marcaram a música brasileira.

Caetano Veloso, em uma rede social, deixou seu testemunho sobre o amigo. Descreveu o piano de Tomás como algo completamente livre, mas misteriosamente conectado com aquilo que vinha à sua mente em cada momento de apresentação. Para Caetano, era a música em seu brilho mais espontâneo. A frase revela algo essencial sobre o trabalho de Improta: sua capacidade de ouvir, de estar presente, de dialogar musicalmente sem precisar de palavras.

Seu caminho na música começou cedo. Filho dos pianistas Eurico Nogueira França e Ivy Improta, Tomás venceu o Concurso de Iniciação Musical do Conservatório Brasileiro de Música aos cinco anos — sem nunca ter recebido uma aula formal de música. Desde a infância, compunha e improvisava ao piano, alimentado pela música popular que o cercava. Na década de 1960, descobriu o jazz e a bossa nova, e passou a integrar diversos grupos instrumentais.

Na década de 1990, Improta abriu um novo capítulo. Fundou a escola de música Cenário, no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro, onde começou a ensinar. Ao mesmo tempo, iniciou suas próprias gravações como solista. Lançou álbuns como "Tear" em 1992, "Bartok Jazz" em 1995 e "Certas Mulheres" em 1998, construindo uma discografia sólida no nicho da música instrumental.

Seu legado não se resume a discos ou apresentações. Improta deixa uma marca na formação de gerações de músicos que passaram por sua escola, e uma presença indelével nas gravações e shows de artistas que definiram a música brasileira moderna. Era um homem que sabia ouvir, que sabia estar ao lado, que sabia fazer o piano falar sem gritar.

Tomás Improta, pessoa importante na minha vida. Seu piano totalmente solto mas misteriosamente ligado com o que me vinha à cabeça em cada momento de show, no tempo da Outra Banda da Terra, era a música em seu brilho espontâneo
— Caetano Veloso, em homenagem ao amigo
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