Rubens Amaral, advogado e economista que chegou a Brasília ainda em canteiro de obras, morreu aos 88 anos deixando consigo seis décadas de memória viva da capital. Nascido em Minas Gerais, ele foi um daqueles raros homens cuja biografia se confunde com a própria história de uma cidade — presente em seu nascimento, ativo em sua construção institucional, fiel até o fim às amizades que ali floresceram. Sua partida, por insuficiência cardíaca, encerra um capítulo humano insubstituível da fundação de Brasília.
Morre Rubens Amaral, advogado e pioneiro que viu Brasília nascer
Ele viu isso aqui sair da terra, ele amava Brasília
Por que a morte de Rubens Amaral importa agora, em 2023? Ele era uma figura pública conhecida?
Não era celebridade, mas era um dos últimos elos vivos com 1958. Quando você perde um pioneiro, perde uma testemunha ocular de como tudo começou.
A reportagem não deixa claro quantos pioneiros ainda estão vivos ou qual era a importância institucional dele além dos cargos que ocupou.
Ele parece ter sido mais um homem de relacionamentos do que de grandes realizações públicas documentadas.
Exatamente. Sua importância era ser um guardião de memória, alguém que mantinha viva a história através das amizades e das reuniões de sextas-feiras.
Mas a gente não sabe se essas reuniões continuam, se há outros que carregam essa tradição, ou se com ele vai embora também essa prática.
E quanto à família? Seus filhos entendem o significado histórico do que o pai viveu?
A filha Andréa parece entender profundamente. Ela fala com emoção sobre ele ter visto a cidade "sair da terra".
Mas não sabemos se os filhos pretendem documentar as histórias dele ou se esse conhecimento vai se perder.
Der Puls
- Aos 88 anos, Rubens Amaral faleceu por insuficiência cardíaca agravada por anos de problemas de saúde acumulados.
- Sua morte retira do convívio um dos últimos testemunhos vivos da Brasília que emergiu do cerrado em 1958.
- A filha Andréa, emocionada, resumiu o vazio deixado: 'Ele viu isso aqui sair da terra, ele amava Brasília.'
- A tradição das sextas-feiras com os pioneiros da Flor do Abaeté, que Rubens mantinha mesmo após o fechamento do boteco, perde agora um de seus guardiões mais devotos.
- Deixa esposa Simone, com quem viveu 60 anos de casamento, e três filhos — Andréa, Binho e Adriana — como herdeiros de uma trajetória que atravessou gerações da capital.
Rubens Amaral, advogado e economista que chegou a Brasília ainda em canteiro de obras, morreu aos 88 anos deixando consigo seis décadas de memória viva da capital. Nascido em Minas Gerais, ele foi um daqueles raros homens cuja biografia se confunde com a própria história de uma cidade — presente em seu nascimento, ativo em sua construção institucional, fiel até o fim às amizades que ali floresceram. Sua partida, por insuficiência cardíaca, encerra um capítulo humano insubstituível da fundação de Brasília.
Rubens Amaral morreu na terça-feira aos 88 anos, levando consigo seis décadas de memória viva de Brasília. O mineiro de Guapé chegou à capital em 1958, quando a cidade ainda era pouco mais que um canteiro de obras e uma promessa. Ficou para sempre, plantando raízes profundas e amizades que o acompanhariam até o fim. A insuficiência cardíaca, agravada por problemas de saúde acumulados ao longo dos anos, foi a causa da morte. Deixa a mulher Simone Fontes do Amaral, com quem esteve casado por 60 anos, e três filhos: Andréa, Rubens — o Binho — e Adriana.
Sua filha Andréa descreveu um homem apaixonado pela cidade que ajudou a construir. Rubens era presença certa na Flor do Abaeté, a famosa casa de chá que nunca serviu chá, mas funcionou como ponto de encontro sagrado para os pioneiros. Mesmo depois que o boteco fechou e os amigos foram desaparecendo, ele mantinha viva a tradição dos almoços de sexta-feira com aqueles que viram Brasília nascer.
No campo profissional, construiu carreira sólida no setor público: passou pela Novacap, pela Companhia Energética de Brasília — onde criou o fundo de pensão dos servidores — e chegou ao cargo de Secretário de Viação e Obras do Distrito Federal. Sua vida foi, ao mesmo tempo, a de uma testemunha e a de um artífice da capital que escolheu como lar.
Rubens Amaral morreu na terça-feira aos 88 anos, levando consigo seis décadas de memória viva de Brasília. O mineiro que saiu de Guapé aos 14 anos e depois se mudou para Belo Horizonte chegou à capital em construção em 1958, quando a cidade ainda era pouco mais que um canteiro de obras e uma ideia. Permaneceu aqui pelo resto da vida, plantando raízes profundas e tecendo uma rede de amizades que o acompanharia até o final. A insuficiência cardíaca, agravada por diversos problemas de saúde acumulados ao longo dos anos, foi a causa da morte. Deixa a mulher Simone Fontes do Amaral, com quem esteve casado por 60 anos, e três filhos: Andréa, Rubens (conhecido como Binho) e Adriana.
Sua filha Andréa, emocionada ao falar sobre o pai, descreveu um homem apaixonado pela vida e pela cidade que ajudou a construir. "Ele viu isso aqui sair da terra, ele amava Brasília", disse ela, capturando em poucas palavras o que significava ser um dos que estiveram presentes no nascimento da capital. Rubens era frequentador assíduo da Flor do Abaeté, a casa de chá que nunca serviu chá mas funcionou como ponto de encontro sagrado para os pioneiros. Ali, entre cervejas e gargalhadas, aqueles que viram Brasília nascer se reuniam para compartilhar histórias e amizades. Mesmo depois que o boteco fechou e membros do grupo foram desaparecendo, Rubens mantinha viva a tradição de almoçar com os pioneiros todas as sextas-feiras.
Profissionalmente, Amaral construiu uma carreira sólida no setor público. Trabalhou em diversos cargos no Governo do Distrito Federal, passou pela Novacap e pela Companhia Energética de Brasília, onde também criou o fundo de pensão para os servidores da empresa. Sua trajetória culminou como Secretário de Viação e Obras do Distrito Federal, deixando marcas institucionais na administração pública da capital que ajudou a erguer. Sua vida foi, portanto, dupla: a de um homem que viu a cidade nascer e a de um profissional que participou ativamente de sua estruturação e desenvolvimento.
Bemerkenswerte Zitate
Ele vai ficar lembrado como uma pessoa apaixonada pela vida, tinha muitos amigos e amava a cidade que ajudou a construir— Andréa Fontes Amaral, filha