Maricarmen Abascal viveu 87 anos e mais de sete décadas no mesmo apartamento em Madri — até que um despejo a arrancou daquele lar em setembro de 2025, e ela não sobreviveu para ver o acordo que lhe permitiria voltar. Sua história, singular e ao mesmo tempo universal, condensou a frustração de uma nação inteira diante de uma crise habitacional que não poupa nem os mais velhos nem os mais jovens. O que um despejo fez a uma mulher, as ruas fizeram à política: dezenas de milhares saíram às praças, o Parlamento foi pressionado e eleições antecipadas foram convocadas. Maricarmen partiu, mas a pergun
Morre Maricarmen Abascal, símbolo dos protestos contra crise habitacional na Espanha
Lutei para que outras pessoas aprendam a lutar pelas delas
Por que a morte de uma mulher idosa despejada de sua casa se tornou um ponto de virada político na Espanha?
Porque Maricarmen não era apenas uma pessoa — era a encarnação de um problema que afeta milhões. Sete décadas em um apartamento, depois expulsa aos 87 anos. Isso tocou algo profundo nas pessoas.
Mas precisamos ser claros: sabemos que ela morreu, mas não sabemos exatamente por quê. O hospital não divulgou a causa. Ela estava internada há duas semanas.
Os protestos realmente influenciaram as decisões políticas de Sánchez?
Os números falam por si: dez mil pessoas em Madri no dia do despejo, manifestações em várias cidades. O Parlamento rejeitou medidas de proteção aos inquilinos. Sánchez convocou eleições antecipadas.
Mas é difícil separar causa e efeito aqui. Sánchez já enfrentava pressão por outros assuntos — corrupção, migração. Os protestos podem ter acelerado uma decisão que ele já estava considerando.
E quanto ao acordo que permitiria ela voltar para casa? Parecia uma vitória.
Era uma vitória, mas chegou tarde demais. Ela estava frágil, internada, esperando se recuperar para assinar os papéis. Não chegou a esse ponto.
Novamente, precisamos ser cuidadosos. Sabemos que ela foi internada após o despejo e que morreu duas semanas depois. Mas a relação direta entre o despejo e a morte não foi confirmada oficialmente.
Qual é o legado dela agora?
Ela colocou a crise habitacional no centro da política espanhola. Suas palavras — "lutei para que outras pessoas aprendam a lutar pelas delas" — continuam ressoando.
E a questão permanece aberta: a Espanha vai realmente mudar suas políticas habitacionais, ou isso vai desaparecer das manchetes quando as eleições terminarem?
Der Puls
- Uma idosa de 87 anos foi retirada em uma maca do apartamento onde viveu por mais de 70 anos, apesar de dezenas de pessoas terem passado a noite tentando impedir o despejo.
- Em horas, quase dez mil pessoas tomaram as ruas de Madri, e os protestos se espalharam por Barcelona, Sevilha e Valência, transformando um caso individual em crise nacional.
- O Parlamento rejeitou medidas contra despejos, e o primeiro-ministro Pedro Sánchez convocou eleições antecipadas para novembro, tentando capitalizar o ressentimento público sobre moradia.
- Um acordo foi anunciado: Maricarmen poderia voltar ao apartamento com novo contrato de oito anos — ela aguardava no hospital para assinar assim que se recuperasse.
- Ela morreu antes de retornar, menos de duas semanas após o acordo, deixando como legado um vídeo em que prometia continuar lutando para que outros aprendessem a defender suas casas.
Maricarmen Abascal viveu 87 anos e mais de sete décadas no mesmo apartamento em Madri — até que um despejo a arrancou daquele lar em setembro de 2025, e ela não sobreviveu para ver o acordo que lhe permitiria voltar. Sua história, singular e ao mesmo tempo universal, condensou a frustração de uma nação inteira diante de uma crise habitacional que não poupa nem os mais velhos nem os mais jovens. O que um despejo fez a uma mulher, as ruas fizeram à política: dezenas de milhares saíram às praças, o Parlamento foi pressionado e eleições antecipadas foram convocadas. Maricarmen partiu, mas a pergunta que ela encarna — quem tem direito a um lar? — permanece sem resposta.
Maricarmen Abascal tinha 87 anos e havia passado mais de sete décadas no mesmo apartamento no bairro de El Retiro, em Madri. Em 23 de setembro, apesar dos esforços de dezenas de pessoas que acamparam em frente ao prédio para impedir a ação, ela foi despejada e levada de maca ao Hospital Gregorio Marañón. Em 7 de outubro, o sindicato dos inquilinos de Madri confirmou sua morte.
O despejo individual rapidamente se tornou um movimento nacional. No mesmo dia em que Abascal foi removida, quase dez mil pessoas foram às ruas de Madri. Ativistas ocuparam a Puerta del Sol, e famílias de várias gerações se somaram aos protestos nos dias seguintes. Barcelona, Sevilha e Valência também viram manifestações, todas exigindo maior proteção aos inquilinos e a proibição de despejos sem alternativas de moradia disponíveis.
O caso tocou em uma ferida aberta: a Espanha enfrenta uma crise habitacional crescente que afeta tanto idosos quanto jovens. O ministro Ángel Víctor Torres reconheceu que Maricarmen havia se tornado símbolo do que ocorre com tantas famílias. As repercussões políticas foram imediatas — o Parlamento rejeitou medidas contra despejos, e o primeiro-ministro Pedro Sánchez convocou eleições antecipadas para 29 de novembro, buscando aproveitar o ressentimento público num momento em que seu governo enfrentava outros desgastes.
Poucos dias após o despejo, os advogados de Maricarmen anunciaram um acordo com o proprietário: ela poderia retornar ao apartamento com um novo contrato de oito anos e aluguel semelhante ao anterior. Do leito hospitalar, ela gravou um vídeo para seus apoiadores. 'Eu não consegui defender minha casa, mas lutei para que outras pessoas aprendam a lutar pelas delas', disse. 'Minha casa foi minha vida. Mas isso não significa que não continuarei lutando.'
Ela morreu antes de poder assinar o acordo ou cruzar novamente a porta de seu lar. Sua morte não encerra a questão que seu caso colocou em evidência — ao contrário, reforça a urgência de políticas que protejam aqueles que, como ela, construíram uma vida inteira em um único lugar e enfrentam a possibilidade de perder tudo.
Maricarmen Abascal tinha 87 anos quando foi removida do apartamento onde havia passado mais de sete décadas de sua vida. O despejo ocorreu em 23 de setembro, no bairro de El Retiro, em Madri, apesar dos esforços de dezenas de pessoas que passaram a noite em frente ao prédio tentando impedir a ação. Ela foi levada ao Hospital Gregorio Marañón em uma maca logo após ser retirada do imóvel. Nesta quarta-feira, 7 de outubro, o sindicato dos inquilinos de Madri confirmou sua morte.
O que começou como um despejo individual rapidamente se transformou em um movimento de proporções nacionais. No dia em que Abascal foi removida de sua casa, quase dez mil pessoas se reuniram nas ruas de Madri para protestar. Ativistas acamparam na Puerta del Sol, uma das principais praças da capital, onde foram se juntando outras pessoas — famílias de várias gerações — nos dias seguintes. As manifestações não ficaram restritas a Madri: Barcelona, Sevilha e Valência também viram seus cidadãos nas ruas, todos exigindo maior proteção aos inquilinos e a proibição de despejos quando não houvesse alternativas de moradia disponíveis.
O caso de Maricarmen tocou em uma ferida aberta na Espanha. O país enfrenta uma crise habitacional crescente que afeta tanto idosos quanto jovens, tornando cada vez mais difícil para as pessoas conseguir ou manter um teto sobre suas cabeças. Sua história — sete décadas em um único lar, depois expulsa aos 87 anos — condensava toda a frustração acumulada. Ángel Víctor Torres, ministro da Política Territorial, reconheceu que ela havia se tornado um símbolo do que ocorre com muitas famílias que lutam pela moradia.
Os protestos tiveram repercussões políticas imediatas. O Parlamento rejeitou medidas que poderiam coibir despejos e limitar a pressão sobre os aluguéis. Essa rejeição, combinada com a mobilização nas ruas, levou o primeiro-ministro Pedro Sánchez a convocar eleições antecipadas para 29 de novembro. Analistas observam que Sánchez buscava desviar a atenção de outros problemas que afetavam seu governo — a forma como lidava com a crise migratória no enclave de Ceuta, no norte da África, e uma série de casos de corrupção envolvendo seu Partido Socialista e sua família. A crise habitacional oferecia um terreno onde ele poderia aproveitar o crescente ressentimento público.
Poucos dias após o despejo, chegou uma notícia que pareceu oferecer alguma esperança. Os advogados de Maricarmen anunciaram que havia sido alcançado um acordo com o proprietário do imóvel. Ela poderia voltar para casa sob um novo contrato de oito anos, pagando um aluguel semelhante ao que pagava antes. Beatriz Duro, sua advogada, confirmou os termos em coletiva de imprensa. Abascal estava internada no hospital, aguardando exames médicos e planejando assinar o acordo assim que se recuperasse.
Mesmo do leito hospitalar, Maricarmen gravou um vídeo dirigido aos seus apoiadores. "Eu não consegui defender minha casa, mas lutei para que outras pessoas aprendam a lutar pelas delas", disse. "Minha casa foi minha vida. E agora tenho que deixá-la para trás. Mas isso não significa que não continuarei lutando." Suas palavras capturavam a resignação e a determinação de quem havia perdido tudo mas recusava aceitar a derrota como final.
Sua morte, menos de duas semanas após o acordo que lhe permitiria retornar, encerra um capítulo mas não resolve a questão que seu caso colocou em evidência. Os protestos que mobilizaram dezenas de milhares de pessoas não desaparecerão com seu falecimento. Se tudo, a morte de Maricarmen reforça a urgência de políticas habitacionais que protejam os mais vulneráveis — aqueles que, como ela, construíram suas vidas em um único lugar e agora enfrentam a possibilidade de perder tudo.
Bemerkenswerte Zitate
Eu não consegui defender minha casa, mas lutei para que outras pessoas aprendam a lutar pelas delas. Minha casa foi minha vida.— Maricarmen Abascal, em vídeo gravado do hospital
Maricarmen havia se tornado um símbolo do que ocorre com muitas famílias, idosos e jovens que lutam para conseguir sua própria casa ou permanecer nela— Ángel Víctor Torres, ministro da Política Territorial da Espanha