No limiar entre o direito e a política, Luiz Felipe Pereira da Cunha — advogado que ousou levar ao plano internacional denúncias contra um dos ministros mais poderosos do Brasil — foi encontrado morto em sua casa no dia 8 de setembro de 2025, aos 56 anos, vítima aparente de um infarto. Sua trajetória encarna a tensão permanente entre a advocacia em casos politicamente sensíveis e as forças que tais causas mobilizam. Com sua partida, clientes vulneráveis perdem uma voz ativa, e o sistema jurídico brasileiro perde mais uma testemunha incômoda de suas próprias contradições.
Morre Luiz Felipe, advogado de réus do 8/1 e denunciante de Moraes, aos 56 anos
Advogado que denunciou ministro morre um mês após cliente obter benefício
Quem era Luiz Felipe Cunha e por que sua morte importa agora?
Era um advogado que defendia réus dos atos de 8 de janeiro e que tinha coragem de confrontar o poder — apresentou denúncia à OEA contra um ministro do Supremo. Não era um trabalho seguro ou confortável.
Mas precisamos ser claros: a denúncia à OEA é um fato, mas não sabemos ainda qual era o peso real dela ou se teria consequências. A morte dele é confirmada; o impacto jurídico da denúncia ainda é incerto.
Ele defendia Adalgiza Dourado, certo? E ela conseguiu prisão domiciliar depois que ele denunciou Moraes.
Exatamente. Em abril fez a denúncia, em maio Moraes concedeu o benefício. Pode parecer uma vitória, mas também levanta questões sobre o que realmente mudou e por quê.
Aí está o ponto delicado. Não sabemos se a denúncia causou a decisão de Moraes ou se foi coincidência. O ministro justificou com idade e saúde. Precisamos ser honestos sobre o que podemos afirmar.
E agora? Quem continua defendendo esses clientes?
Essa é a pergunta real. Cunha tinha dois clientes importantes — Adalgiza e Oswaldo Eustáquio. Oswaldo está esperando resposta sobre asilo na Espanha. A morte deixa um vazio.
E não sabemos ainda como isso vai afetar os processos. Pode haver atrasos, pode haver mudanças na estratégia de defesa. Isso é consequência real, mas ainda está se desenrolando.
Il Polso
- Um advogado de 56 anos que desafiou o ministro Alexandre de Moraes na arena internacional foi encontrado sem vida em casa, deixando clientes e causas em aberto.
- A denúncia formal apresentada à OEA por violações de direitos humanos contra uma cliente de 65 anos condenada a 16 anos de prisão colocou Cunha no centro de um dos capítulos mais tensos da justiça brasileira pós-8 de janeiro.
- Apenas um mês após a denúncia internacional, o próprio ministro denunciado concedeu prisão domiciliar à cliente do advogado — uma sequência de eventos que permanece sem explicação definitiva.
- A morte ocorre enquanto outro cliente, o comunicador Oswaldo Eustáquio, aguarda resposta a um pedido de asilo político na Espanha, deixando sua defesa em situação incerta.
- A OAB do Distrito Federal emitiu nota de pesar, mas a ausência de Cunha levanta perguntas concretas sobre quem assumirá a continuidade de suas ações jurídicas.
No limiar entre o direito e a política, Luiz Felipe Pereira da Cunha — advogado que ousou levar ao plano internacional denúncias contra um dos ministros mais poderosos do Brasil — foi encontrado morto em sua casa no dia 8 de setembro de 2025, aos 56 anos, vítima aparente de um infarto. Sua trajetória encarna a tensão permanente entre a advocacia em casos politicamente sensíveis e as forças que tais causas mobilizam. Com sua partida, clientes vulneráveis perdem uma voz ativa, e o sistema jurídico brasileiro perde mais uma testemunha incômoda de suas próprias contradições.
Luiz Felipe Pereira da Cunha foi encontrado morto em sua residência na segunda-feira, 8 de setembro, aos 56 anos. Familiares acreditam que a causa tenha sido um infarto, e o corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal para confirmação.
Cunha havia construído sua atuação recente na defesa de réus processados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. Um de seus casos mais emblemáticos era o de Adalgiza Maria Dourado, uma mulher de 65 anos condenada a 16 anos de reclusão. Em abril de 2025, o advogado levou o caso além das fronteiras nacionais, apresentando denúncia formal à OEA contra o ministro Alexandre de Moraes por supostas violações de direitos humanos cometidas durante a detenção de sua cliente na penitenciária feminina da Colmeia, no Distrito Federal.
A sequência que se seguiu é carregada de ambiguidade: um mês após a denúncia internacional, o próprio Moraes concedeu prisão domiciliar a Dourado, citando sua idade avançada e condições de saúde. O encadeamento entre a denúncia e a concessão do benefício pelo ministro denunciado nunca recebeu uma explicação pública clara.
Além do caso Dourado, Cunha integrava a equipe de defesa do comunicador Oswaldo Eustáquio, apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro, que aguarda resposta a um pedido de asilo político na Espanha. Com a morte do advogado, esses processos ficam sem seu principal articulador.
A OAB do Distrito Federal expressou solidariedade aos familiares e amigos em nota oficial. A partida de Cunha encerra uma carreira marcada pela disposição de atuar em casos politicamente delicados — e abre um vazio difícil de preencher para aqueles que dependiam de sua defesa.
Luiz Felipe Pereira da Cunha foi encontrado morto em sua casa na segunda-feira, 8 de setembro, aos 56 anos. O advogado sofreu um mal súbito — familiares acreditam que tenha sido um infarto, e o corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal para confirmação da causa.
Cunha era conhecido nos círculos jurídicos por sua atuação na defesa de réus processados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. Entre seus clientes estava Adalgiza Maria Dourado, uma mulher de 65 anos que respondia por envolvimento nos eventos daquele dia e havia sido condenada a 16 anos de reclusão. Em abril de 2025, o advogado apresentou uma denúncia formal à Organização dos Estados Americanos contra o ministro Alexandre de Moraes, acusando-o de violações de direitos humanos contra Dourado durante sua detenção na penitenciária feminina da Colmeia, no Distrito Federal.
Um mês depois da denúncia internacional, em maio, Moraes concedeu prisão domiciliar à cliente de Cunha. Na decisão, o ministro considerou a idade avançada da acusada e suas condições de saúde, incluindo ansiedade e níveis elevados de colesterol. A sequência de eventos — a denúncia contra Moraes seguida pela concessão do benefício pelo próprio ministro denunciado — marca uma trajetória complexa que agora termina abruptamente com a morte do advogado.
Cunha também integrava a equipe de defesa do comunicador Oswaldo Eustáquio, apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro, que aguarda resposta a um pedido de asilo político apresentado às autoridades espanholas. Sua morte remove uma figura ativa na defesa de réus ligados aos eventos de janeiro, um período que continua gerando processos e tensões no sistema judiciário brasileiro.
A Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal emitiu nota oficial lamentando o falecimento. "As diretorias da Seccional do Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil e da Caixa de Assistência dos Advogados do Distrito Federal se solidarizam e desejam força, coragem e muita união aos familiares e amigos", expressou a entidade. A morte de Cunha marca o fim de uma carreira dedicada à defesa de clientes em casos politicamente sensíveis, deixando questões em aberto sobre a continuidade de suas ações e a defesa de seus clientes.
Citazioni salienti
Acreditamos que tenha sido um infarto. O corpo ainda vai para o IML— Familiar do advogado
A OAB/DF e a CAADF se solidarizam e desejam força, coragem e muita união aos familiares e amigos— Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal