Quase quarenta anos depois do acidente radiológico de Goiânia, a tragédia do Césio-137 continua cobrando suas vítimas. Lucimar das Neves Ferreira, irmão de Leide — a menina de seis anos que se tornou o rosto mais doloroso daquele desastre de 1987 — morreu aos 52 anos em Aparecida de Goiânia, carregando até o fim as marcas invisíveis da radiação que o atingiu quando era apenas um adolescente. Sua morte lembra que certas catástrofes não terminam com o último boletim de emergência: elas se prolongam silenciosamente pela vida inteira de quem sobreviveu.
Morre Lucimar, irmão de Leide das Neves, vítima do Césio-137 em Goiânia
Ele foi encontrado morto, dormiu e não levantou
Por que a morte de Lucimar importa agora, quase quarenta anos depois do acidente?
Porque mostra que o Césio-137 não terminou em 1987. As pessoas que sobreviveram carregam as consequências para o resto da vida. Lucimar viveu com problemas de saúde crônicos, desmaios, tratamentos que não funcionavam. Ele é prova de que o acidente continua matando.
Sua irmã Leide ficou famosa. Lucimar não. Como era viver na sombra dessa história?
Lucimar estava lá também, exposto aos mesmos riscos, mas tinha 14 anos, não 6. Talvez por isso tenha durado mais. Mas durar mais não significa viver melhor. Significa sofrer mais tempo.
A causa da morte não foi divulgada. Isso importa?
Importa porque levanta a pergunta: era relacionada à radiação ou não? Ninguém sabe. E talvez ninguém nunca saiba. Mas para uma família que perdeu dois filhos para o mesmo acidente, a resposta é sempre a mesma.
O que a Associação das Vítimas está fazendo agora?
Documentando. Marcelo Santos Neves conhecia Lucimar, sabia de seus desmaios, de seus tratamentos. A associação mantém registro dessas histórias porque elas importam, mesmo quando ninguém está olhando.
Qual é o legado real desse acidente?
Famílias inteiras marcadas. Duas gerações de problemas de saúde. E a sensação de que o Brasil nunca realmente prestou contas pelo que aconteceu.
The Pulse
- Lucimar foi encontrado morto em casa no sábado, 25 de julho, sem que a causa oficial fosse divulgada — mas décadas de saúde fragilizada pela exposição ao Césio-137 aos 14 anos pesavam sobre ele.
- Nos últimos meses, seu estado era tão grave que desmaios na rua se tornaram rotina, e sua mãe precisou resgatá-lo no Hospital de Urgências de Goiânia após um desses episódios.
- O presidente da Associação das Vítimas do Césio-137 relatou que Lucimar não respondia bem aos tratamentos médicos, evidenciando o quanto a exposição à radiação pode resistir a qualquer tentativa de cura.
- Com sua morte, a família perde mais um membro ceifado pelo mesmo acidente que em 1987 matou sua irmã Leide, de apenas 6 anos, símbolo nacional da negligência que permitiu aquela tragédia.
- O caso reacende o debate sobre o acompanhamento de longo prazo das vítimas do maior acidente radiológico do Brasil, cujas consequências seguem se manifestando décadas depois.
Quase quarenta anos depois do acidente radiológico de Goiânia, a tragédia do Césio-137 continua cobrando suas vítimas. Lucimar das Neves Ferreira, irmão de Leide — a menina de seis anos que se tornou o rosto mais doloroso daquele desastre de 1987 — morreu aos 52 anos em Aparecida de Goiânia, carregando até o fim as marcas invisíveis da radiação que o atingiu quando era apenas um adolescente. Sua morte lembra que certas catástrofes não terminam com o último boletim de emergência: elas se prolongam silenciosamente pela vida inteira de quem sobreviveu.
Lucimar das Neves Ferreira morreu no sábado, 25 de julho, aos 52 anos, encontrado sem vida em sua casa em Aparecida de Goiânia. A causa oficial não foi divulgada, mas sua história era inseparável de um trauma que durava quase quatro décadas: em 1987, aos 14 anos, ele foi exposto à radiação do Césio-137 durante o acidente que devastou Goiânia. Sua mãe, Lourdes das Neves Ferreira, havia compartilhado uma foto do filho em abril deste ano com uma legenda singela e carregada de amor — e de dor.
Os últimos anos de Lucimar foram marcados por problemas crônicos de saúde. Segundo Marcelo Santos Neves, presidente da Associação das Vítimas do Césio-137, ele estava em tratamento contínuo, mas não respondia bem às intervenções médicas. Episódios de desmaio na rua eram frequentes; há cerca de três meses, sua mãe precisou buscá-lo no Hospital de Urgências após um desses colapsos. Ele foi encontrado morto em casa, dormiu e não acordou.
Lucimar era irmão de Leide das Neves Ferreira, a menina de 6 anos que se tornou o símbolo mais reconhecível do acidente. Em setembro de 1987, uma cápsula de Césio-137 retirada de um aparelho de radioterapia abandonado foi parar nas mãos de catadores e, depois, num ferro-velho. O pai de Leide levou fragmentos do material para casa, e a menina teve contato direto com a substância radioativa. Ela morreu em 23 de outubro de 1987, vítima da síndrome aguda da radiação.
Lucimar sobreviveu àquele setembro, mas nunca se recuperou por completo. Com sua morte, a família perde mais um membro marcado por um único dia que mudou tudo — e o Brasil é lembrado de que o maior acidente radiológico de sua história ainda não terminou para quem o viveu.
Lucimar das Neves Ferreira morreu no sábado, 25 de julho, aos 52 anos. Ele foi encontrado morto em sua casa em Aparecida de Goiânia, na região metropolitana. A causa da morte não foi divulgada. Mas quem conhecia sua história sabia que ele carregava consigo, há quase quarenta anos, as marcas invisíveis de um dos piores desastres do Brasil.
Em 1987, quando tinha apenas 14 anos, Lucimar foi atingido pela radiação do Césio-137 durante o acidente que devastou Goiânia. Sua mãe, Lourdes das Neves Ferreira, compartilhou essa informação em uma publicação nas redes sociais em abril deste ano, acompanhada de uma foto do filho. "Esse é meu filho Lucimar. Na época do acidente do Césio-137, estava com 14 anos. Amo você, meu filho", escreveu ela. Naquela época, Lucimar era apenas um adolescente entre as centenas de pessoas que tiveram suas vidas alteradas para sempre por aquele evento trágico.
Os últimos anos de Lucimar foram marcados por problemas de saúde crônicos. Segundo Marcelo Santos Neves, presidente da Associação das Vítimas do Césio-137, ele enfrentava dificuldades constantes e estava em tratamento médico contínuo. "Ele estava fazendo tratamento agora, não sei bem de quê, porque ele não correspondia aos tratamentos", relatou Marcelo. O quadro de saúde era tão delicado que Lucimar sofria episódios de desmaio na rua. Em uma dessas ocasiões, há cerca de três meses, sua mãe precisou buscá-lo no Hospital de Urgências de Goiânia após ele desmaiar e ser levado para lá. "Ele foi encontrado morto, dormiu e não levantou, na casa dele", resumiu Marcelo o desfecho.
Lucimar era irmão de Leide das Neves Ferreira, a menina que se tornou o rosto mais conhecido do acidente radiológico. Leide tinha apenas 6 anos quando tudo começou, em 13 de setembro de 1987. Naquele dia, uma cápsula contendo Césio-137 foi retirada de um aparelho de radioterapia abandonado no antigo Instituto Goiano de Radiologia, no Centro de Goiânia. A peça foi levada por catadores, que a venderam a um ferro-velho. Dias depois, em 24 de setembro, o pai de Leide, Ivo Alves Ferreira, levou fragmentos da substância radioativa para casa. A menina teve contato direto com o material e ingeriu partículas radioativas.
Leide morreu em 23 de outubro de 1987, aos 6 anos, vítima da síndrome aguda da radiação. Sua morte marcou o Brasil e transformou aquele acidente em símbolo de negligência e tragédia. O acidente de Goiânia é considerado o maior acidente radiológico do país. Lucimar sobreviveu àquele setembro de 1987, mas nunca se recuperou completamente. Passou décadas convivendo com as consequências da exposição, enfrentando problemas de saúde que o acompanharam até o final de sua vida. Agora, com sua morte, a família perde mais um membro marcado por aquele dia que mudou tudo.
Notable Quotes
Esse é meu filho Lucimar. Na época do acidente do Césio-137, estava com 14 anos. Amo você, meu filho— Lourdes das Neves Ferreira, mãe de Lucimar
Ele estava fazendo tratamento agora, não sei bem de quê, porque ele não correspondia aos tratamentos— Marcelo Santos Neves, presidente da Associação das Vítimas do Césio-137