Morre Colin Powell, primeiro secretário de Estado negro dos EUA, aos 84 anos

Morte de figura histórica americana que marcou gerações de política externa e relações internacionais.
Uma mancha que sempre faria parte do seu histórico
Powell descreveu assim sua apresentação na ONU sobre armas iraquianas, que posteriormente reconheceu estar repleta de imprecisões.
Mark

Powell estava vacinado quando morreu de Covid. Como entendemos uma morte assim?

Mimi

A vacinação reduz drasticamente o risco de morte, mas não o elimina completamente. Aos 84 anos, com a idade avançada, o corpo tem menos capacidade de responder à infecção, mesmo protegido pela vacina. Ele estava em risco maior.

Mark

Ele é lembrado principalmente pela apresentação na ONU sobre armas iraquianas, certo?

Mimi

Sim, mas isso simplifica demais. Powell foi figura central na política externa americana por décadas. A apresentação de 2003 é importante porque ele mesmo a reconheceu como um erro grave. Mostrou integridade ao admitir que havia sido enganado.

Mark

Por que ele recusou concorrer à presidência em 1996?

Mimi

Oficialmente, por preocupações com segurança. Mas também havia questões políticas mais profundas. Powell era um republicano pragmático em um partido que se tornava cada vez mais ideológico. Talvez ele soubesse que não encaixava bem.

Mark

E quando apoiou Obama em 2008?

Mimi

Isso foi um rompimento real. Mostrou que Powell colocava princípios acima da lealdade partidária. Ele viu em Obama algo que o partido republicano não oferecia mais.

Mark

Qual é o significado histórico de sua morte agora?

Mimi

Powell representa uma era da política americana que está desaparecendo. Era possível ser republicano, negro, poderoso e ainda assim manter certa independência de pensamento. Isso é cada vez mais raro.

  • A morte de Powell, apesar da vacinação completa, reacende o debate sobre a vulnerabilidade de idosos à Covid-19 mesmo com imunização.
  • Seu discurso na ONU em 2003 — baseado em informações que ele próprio reconheceu como distorcidas — ajudou a justificar uma guerra que custou centenas de milhares de vidas e desestabilizou o Oriente Médio por décadas.
  • Powell carregou publicamente o peso dessa decisão, chamando o episódio de 'uma mancha' em seu legado, num gesto raro de autocrítica entre figuras do alto escalão americano.
  • Ao apoiar Barack Obama em 2008, rompendo com o Partido Republicano, Powell sinalizou que sua lealdade era ao país — e não ao partido — numa virada política que definiu seus últimos anos de vida pública.
  • Sua família o despediu como 'um inesquecível e amoroso marido, pai e avô', lembrando que por trás do general e do diplomata havia um homem profundamente humano.

Colin Powell, filho de imigrantes jamaicanos que ascendeu aos mais altos postos do poder americano, morreu aos 84 anos por complicações da Covid-19 — mesmo estando completamente vacinado. Por quatro décadas, ele navegou entre a glória militar e as contradições da diplomacia, tornando-se símbolo tanto das possibilidades abertas a um homem negro na América quanto dos custos humanos das decisões tomadas nos corredores do poder. Sua trajetória, marcada por conquistas históricas e por uma cicatriz indelével deixada na ONU em 2003, encerra um capítulo singular da política externa americana.

Colin Powell morreu na manhã de 18 de outubro, aos 84 anos, por complicações da Covid-19. Sua família anunciou o falecimento pelo Facebook, agradeceu à equipe do hospital militar Walter Reed e o descreveu como um homem inesquecível — marido, pai, avô e, nas palavras deles, 'um grande americano'. Ele estava completamente vacinado.

Filho de imigrantes jamaicanos, Powell construiu uma das trajetórias mais notáveis da história política americana. Feriu-se na Guerra do Vietnã, ascendeu ao posto de general de quatro estrelas e serviu sob três presidentes republicanos. Foi conselheiro de segurança nacional de Reagan, chefiou o Estado-Maior Conjunto sob George H.W. Bush — liderando as operações militares que expulsaram o Iraque do Kuwait em 1991 — e tornou-se secretário de Estado de George W. Bush, o rosto da diplomacia americana no mundo.

Mas é impossível contar sua história sem a sombra de 5 de fevereiro de 2003, quando se apresentou ao Conselho de Segurança da ONU para afirmar que Saddam Hussein possuía armas químicas e biológicas. O discurso ajudou a pavimentar o caminho para a invasão do Iraque. Anos depois, Powell reconheceu que as informações eram repletas de imprecisões fornecidas pelo próprio governo Bush. Chamou o episódio de 'uma mancha' — e essa palavra o acompanhou até o fim.

Em 1996, recusou a chance de tentar ser o primeiro presidente negro dos EUA, pesando, entre outros fatores, as preocupações de segurança de sua esposa Alma. Mas sua evolução política não parou. Em 2008, rompeu com o Partido Republicano para apoiar Barack Obama, demonstrando o pragmatismo independente que sempre o definiu. Powell deixa um legado complexo: o de um homem que abriu portas históricas e, ao mesmo tempo, carregou o peso de ter ajudado a abrir outras que talvez fosse melhor manter fechadas.

Colin Powell morreu na manhã de segunda-feira, 18 de outubro, aos 84 anos. A causa foram complicações da Covid-19, informou sua família através do Facebook. Ele estava completamente vacinado. Os parentes agradeceram à equipe do hospital militar Walter Reed e o descreveram como "um inesquecível e amoroso marido, pai, avó e um grande americano".

Powel foi um dos homens negros mais influentes da história política americana recente. Durante quatro décadas, ocupou posições de poder sob três presidentes republicanos diferentes, moldando a política externa dos EUA em momentos críticos. Começou sua carreira militar durante a Guerra do Vietnã, onde se feriu. Depois de se recuperar, ascendeu rapidamente nas fileiras do Exército, tornando-se general de quatro estrelas.

Sob Ronald Reagan, serviu como conselheiro de segurança nacional entre 1987 e 1989. Durante a presidência de George H.W. Bush, foi chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, o cargo mais alto da hierarquia militar americana. Nessa posição, liderou as operações militares na Guerra do Golfo em 1991, quando forças lideradas pelos EUA expulsaram tropas iraquianas do Kuwait. Depois, como secretário de Estado de George W. Bush, tornou-se o rosto da diplomacia americana no mundo.

Mas seu legado carrega uma cicatriz profunda. Em 5 de fevereiro de 2003, Powell apresentou-se diante do Conselho de Segurança da ONU para argumentar que o ditador iraquiano Saddam Hussein representava uma ameaça iminente ao mundo. Ele afirmou que Hussein possuía estoques de armas químicas e biológicas. Essa apresentação ajudou a justificar a invasão do Iraque que se seguiria. Anos depois, Powell reconheceu publicamente que o discurso estava repleto de imprecisões e informações distorcidas fornecidas por membros do governo Bush. Ele chamou o episódio de "uma mancha" que sempre marcaria seu histórico.

Em 1996, Powell foi convidado a tentar se tornar o primeiro presidente negro dos EUA. Ele recusou. Suas preocupações com segurança pessoal, particularmente as de sua esposa Alma, pesaram na decisão. Mas Powell continuou evoluindo politicamente. Em 2008, rompeu com o Partido Republicano para apoiar Barack Obama, o democrata que se tornaria o primeiro afroamericano eleito para a presidência. Esse gesto sinalizava uma mudança em seu pensamento político, refletindo o pragmatismo que o caracterizou ao longo de sua vida pública.

Perdemos um inesquecível e amoroso marido, pai, avó e um grande americano
— Família de Colin Powell, em comunicado no Facebook
Powell admitiu que a apresentação na ONU estava repleta de imprecisões e informações distorcidas fornecidas por membros do governo Bush, chamando-a de uma mancha em seu histórico
— Colin Powell, em reconhecimento posterior sobre o discurso de 2003
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