Moro cobra R$ 100 mil de ex-juíza que o acusa de agressão em elevador

Acusação de agressão física (enforcamento) alegada pela ex-juíza durante exercício de funções judiciais.
Uma fábula vingativa criada quase dez anos depois
Como a defesa de Moro caracteriza a acusação de agressão feita por Bauer em entrevista de 2025.
Mark

Por que uma acusação de agressão de 2016 só vem à tona agora, em 2025?

Mimi

Bauer diz que o episódio fazia parte de um contexto mais amplo de perseguições durante a Lava Jato. Pode ser que ela tenha esperado deixar a magistratura para falar, ou que o momento político tenha criado abertura para ela se manifestar.

Mark

A defesa de Moro aponta que não houve boletim de ocorrência. Isso é decisivo?

Mimi

Não necessariamente. Muitas vítimas de agressão não registram boletim na hora, especialmente em ambientes hierárquicos como o judiciário. Mas a ausência de registro é um fato que um juiz considerará.

Mark

E essas mensagens de 2017 e 2018 com "BJ" — elas realmente provam que não houve agressão?

Mimi

Provam que havia alguma relação cordial depois. Mas pessoas agredidas às vezes mantêm relacionamento profissional com agressores por necessidade ou medo. Não é prova de nada, apenas um dado que complica a narrativa.

Mark

Por que Bauer questiona a competência do tribunal?

Mimi

Ela está dizendo que ninguém do TRF-4 pode ser imparcial porque todos estiveram envolvidos na Lava Jato e ninguém pediu desculpas. É uma crítica política disfarçada de argumento processual.

Mark

O timing com as eleições muda algo?

Mimi

Muda tudo na percepção pública. Uma conciliação antes do voto pode parecer um acordo político. Uma condenação pode parecer perseguição. Nenhum resultado sai limpo.

  • Audiência de conciliação marcada para 29 de setembro, cinco dias antes do primeiro turno das eleições
  • Moro pede R$ 100 mil de indenização por danos morais
  • Acusação refere-se a episódio alegado em 2016 quando ambos eram juízes federais em Curitiba
  • Defesa aponta ausência de boletim de ocorrência e cita mensagens cordiais entre as partes em 2017-2018

Moro nega acusação de ter enforcado Bauer em elevador e classifica relato como 'fábula vingativa' criada dez anos depois. Defesa aponta falta de boletim de ocorrência na época e cita mensagens cordiais entre as partes em 2017-2018 como evidência de inconsistência.

Sergio Moro cobra R$ 100 mil de indenização contra ex-juíza Luciana Dias Bauer, que o acusou de agressão em 2016. Audiência de conciliação está marcada para 29 de setembro, cinco dias antes das eleições.

A Justiça do Paraná agendou para 29 de setembro uma audiência de conciliação que promete ser um dos momentos mais delicados da campanha eleitoral do senador Sergio Moro. A data cai exatamente cinco dias antes do primeiro turno das eleições, quando Moro disputa o governo do estado. No centro do processo está uma acusação que ele nega veementemente: a de ter agredido fisicamente uma colega juíza dentro de um elevador, quase uma década atrás.

Tudo começou em dezembro de 2025, quando Luciana Dias Bauer, ex-juíza federal, concedeu uma entrevista à TV 247 e relatou um episódio que teria ocorrido em 2016, quando ambos atuavam como magistrados federais em Curitiba. Segundo seu relato, Moro a teria segurado pelo pescoço dentro de um elevador no prédio do Foro da Justiça Federal e ordenado que ela ficasse quieta. O incidente teria acontecido após Bauer atuar em um habeas corpus durante um plantão judicial. Moro respondeu à acusação movendo uma ação por danos morais, pedindo ao menos cem mil reais de indenização. A ação foi apresentada em janeiro deste ano.

A defesa de Moro constrói sua contestação em torno de três pilares principais. Primeiro, nega categoricamente a acusação, classificando-a como uma "fábula vingativa" inventada quase dez anos após o suposto episódio. Segundo, aponta que Bauer nunca registrou um boletim de ocorrência na época nem apresentou uma denúncia formal à corregedoria, o que seria esperado em caso de agressão. Terceiro, apresenta mensagens trocadas entre Bauer e um membro da equipe de Moro em 2017 e 2018, incluindo uma de abril de 2018 em que a ex-juíza pede livros de direito penal emprestados e encerra a mensagem com "BJ", abreviação de beijos. Para os advogados de Moro, essa cordialidade posterior seria incompatível com a narrativa de uma agressão física.

A ação também contesta outras declarações feitas por Bauer na mesma entrevista. Moro afirma que ela o chamou de "mafioso" e "criminoso" e o associou a uma suposta organização criminosa ligada à Operação Lava Jato. A petição sustenta que essas afirmações ultrapassaram os limites da liberdade de expressão e contribuíram para danos à sua reputação.

Bauer deixou a magistratura em 2022 e hoje trabalha como advogada. Quando procurada pela reportagem, ela respondeu por meio de nota afirmando que desconhece o processo e que não foi citada formalmente. Ela também questionou a competência do Tribunal Regional Federal da 4ª Região para julgar o caso, argumentando que qualquer de seus juízes estaria impedido de atuar porque nenhum deles pediu desculpas ao povo brasileiro pela atuação na Lava Jato. Essa resposta deixa claro que Bauer vê o processo não como uma questão isolada, mas como parte de um contexto mais amplo de críticas à atuação da 13ª Vara Federal de Curitiba durante a operação que marcou sua carreira.

A audiência marcada para setembro será virtual, às 9h40, e tramita na 6ª Vara Cível de Curitiba. Trata-se de uma sessão de conciliação, o que significa que as partes terão uma última oportunidade de chegar a um acordo antes que o processo avance para fases mais complexas. Se não houver acordo, o caso seguirá para a fase de defesa e produção de provas, o que poderia prolongar o litígio bem além das eleições. O timing político é inescapável: uma decisão ou um acordo nos próximos meses pode reverberar significativamente na campanha de Moro ao governo do Paraná.

Desconhece o processo e não foi citada; questiona competência do tribunal porque nenhum juiz pediu desculpas ao povo brasileiro pela Lava Jato
— Luciana Dias Bauer, ex-juíza federal
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