Moro nega acusação de ter enforcado Bauer em elevador e classifica relato como 'fábula vingativa' criada dez anos depois. Defesa aponta falta de boletim de ocorrência na época e cita mensagens cordiais entre as partes em 2017-2018 como evidência de inconsistência.
Moro cobra R$ 100 mil de ex-juíza que o acusa de agressão em elevador
Uma fábula vingativa criada quase dez anos depois
Por que uma acusação de agressão de 2016 só vem à tona agora, em 2025?
Bauer diz que o episódio fazia parte de um contexto mais amplo de perseguições durante a Lava Jato. Pode ser que ela tenha esperado deixar a magistratura para falar, ou que o momento político tenha criado abertura para ela se manifestar.
A defesa de Moro aponta que não houve boletim de ocorrência. Isso é decisivo?
Não necessariamente. Muitas vítimas de agressão não registram boletim na hora, especialmente em ambientes hierárquicos como o judiciário. Mas a ausência de registro é um fato que um juiz considerará.
E essas mensagens de 2017 e 2018 com "BJ" — elas realmente provam que não houve agressão?
Provam que havia alguma relação cordial depois. Mas pessoas agredidas às vezes mantêm relacionamento profissional com agressores por necessidade ou medo. Não é prova de nada, apenas um dado que complica a narrativa.
Por que Bauer questiona a competência do tribunal?
Ela está dizendo que ninguém do TRF-4 pode ser imparcial porque todos estiveram envolvidos na Lava Jato e ninguém pediu desculpas. É uma crítica política disfarçada de argumento processual.
O timing com as eleições muda algo?
Muda tudo na percepção pública. Uma conciliação antes do voto pode parecer um acordo político. Uma condenação pode parecer perseguição. Nenhum resultado sai limpo.
O Pulso
- Audiência de conciliação marcada para 29 de setembro, cinco dias antes do primeiro turno das eleições
- Moro pede R$ 100 mil de indenização por danos morais
- Acusação refere-se a episódio alegado em 2016 quando ambos eram juízes federais em Curitiba
- Defesa aponta ausência de boletim de ocorrência e cita mensagens cordiais entre as partes em 2017-2018
Moro nega acusação de ter enforcado Bauer em elevador e classifica relato como 'fábula vingativa' criada dez anos depois. Defesa aponta falta de boletim de ocorrência na época e cita mensagens cordiais entre as partes em 2017-2018 como evidência de inconsistência.
Sergio Moro cobra R$ 100 mil de indenização contra ex-juíza Luciana Dias Bauer, que o acusou de agressão em 2016. Audiência de conciliação está marcada para 29 de setembro, cinco dias antes das eleições.
A Justiça do Paraná agendou para 29 de setembro uma audiência de conciliação que promete ser um dos momentos mais delicados da campanha eleitoral do senador Sergio Moro. A data cai exatamente cinco dias antes do primeiro turno das eleições, quando Moro disputa o governo do estado. No centro do processo está uma acusação que ele nega veementemente: a de ter agredido fisicamente uma colega juíza dentro de um elevador, quase uma década atrás.
Tudo começou em dezembro de 2025, quando Luciana Dias Bauer, ex-juíza federal, concedeu uma entrevista à TV 247 e relatou um episódio que teria ocorrido em 2016, quando ambos atuavam como magistrados federais em Curitiba. Segundo seu relato, Moro a teria segurado pelo pescoço dentro de um elevador no prédio do Foro da Justiça Federal e ordenado que ela ficasse quieta. O incidente teria acontecido após Bauer atuar em um habeas corpus durante um plantão judicial. Moro respondeu à acusação movendo uma ação por danos morais, pedindo ao menos cem mil reais de indenização. A ação foi apresentada em janeiro deste ano.
A defesa de Moro constrói sua contestação em torno de três pilares principais. Primeiro, nega categoricamente a acusação, classificando-a como uma "fábula vingativa" inventada quase dez anos após o suposto episódio. Segundo, aponta que Bauer nunca registrou um boletim de ocorrência na época nem apresentou uma denúncia formal à corregedoria, o que seria esperado em caso de agressão. Terceiro, apresenta mensagens trocadas entre Bauer e um membro da equipe de Moro em 2017 e 2018, incluindo uma de abril de 2018 em que a ex-juíza pede livros de direito penal emprestados e encerra a mensagem com "BJ", abreviação de beijos. Para os advogados de Moro, essa cordialidade posterior seria incompatível com a narrativa de uma agressão física.
A ação também contesta outras declarações feitas por Bauer na mesma entrevista. Moro afirma que ela o chamou de "mafioso" e "criminoso" e o associou a uma suposta organização criminosa ligada à Operação Lava Jato. A petição sustenta que essas afirmações ultrapassaram os limites da liberdade de expressão e contribuíram para danos à sua reputação.
Bauer deixou a magistratura em 2022 e hoje trabalha como advogada. Quando procurada pela reportagem, ela respondeu por meio de nota afirmando que desconhece o processo e que não foi citada formalmente. Ela também questionou a competência do Tribunal Regional Federal da 4ª Região para julgar o caso, argumentando que qualquer de seus juízes estaria impedido de atuar porque nenhum deles pediu desculpas ao povo brasileiro pela atuação na Lava Jato. Essa resposta deixa claro que Bauer vê o processo não como uma questão isolada, mas como parte de um contexto mais amplo de críticas à atuação da 13ª Vara Federal de Curitiba durante a operação que marcou sua carreira.
A audiência marcada para setembro será virtual, às 9h40, e tramita na 6ª Vara Cível de Curitiba. Trata-se de uma sessão de conciliação, o que significa que as partes terão uma última oportunidade de chegar a um acordo antes que o processo avance para fases mais complexas. Se não houver acordo, o caso seguirá para a fase de defesa e produção de provas, o que poderia prolongar o litígio bem além das eleições. O timing político é inescapável: uma decisão ou um acordo nos próximos meses pode reverberar significativamente na campanha de Moro ao governo do Paraná.
Citações Notáveis
Desconhece o processo e não foi citada; questiona competência do tribunal porque nenhum juiz pediu desculpas ao povo brasileiro pela Lava Jato— Luciana Dias Bauer, ex-juíza federal