Walter Delgatti, o hacker preso em Araraquara desde agosto de 2023, encontra-se no centro de uma disputa entre a palavra da administração penitenciária e a de seus próprios advogados. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, ordenou que Delgatti seja ouvido em 48 horas — desta vez com seus defensores presentes — sobre as ameaças de morte que alega sofrer. O episódio revela uma tensão antiga e universal: a dificuldade de se ouvir a voz do encarcerado sem que ela passe, primeiro, pelo filtro de quem o guarda.
Moraes ordena nova oitiva de Delgatti sobre ameaças em presídio em 48h
A defesa contesta essa versão dos fatos, dizendo que as declarações foram distorcidas
Por que a defesa de Delgatti acha que ele está em risco agora, se ele mesmo disse antes que se sentia seguro?
Porque, segundo os advogados, aquele depoimento anterior não foi colhido direito. Delgatti falou sem a presença de um advogado, o que é uma violação de direito. Eles dizem que a declaração foi distorcida.
E a penitenciária insiste que ele está seguro?
Sim. A SAP diz que não há indícios de risco à integridade física dele. Mas é exatamente esse conflito que Moraes quer esclarecer agora.
Por que Tremembé é tão importante? Por que a defesa quer transferir ele para lá?
Tremembé é conhecida como o presídio dos famosos. Provavelmente tem segurança diferente, talvez mais estruturada. A defesa acredita que lá ele estaria mais protegido.
E a SAP se opõe por quê?
Pode ser por várias razões — talvez acredite que não há justificativa real, ou que a transferência criaria precedente. Mas a verdade é que a SAP tem interesse em manter sua versão de que tudo está bem.
Então Moraes está tentando descobrir a verdade?
Exatamente. Ele quer ouvir Delgatti diretamente, desta vez com advogado presente, para que não haja dúvida sobre o que foi dito e por quê.
O Pulso
- A defesa de Delgatti afirma que ele vive sob ameaça de morte dentro do presídio de Araraquara, criando urgência sobre sua segurança física.
- A Secretaria da Administração Penitenciária nega qualquer risco atual e se opõe à transferência, gerando um impasse direto com os advogados do hacker.
- O ponto mais explosivo do conflito é a alegação de que declarações anteriores de Delgatti foram distorcidas e colhidas sem a presença de seus advogados.
- Moraes acolheu manifestação da PGR e agora exige uma nova oitiva em até 48 horas, com garantia de presença da defesa, para tentar separar o que foi dito do que foi registrado.
- O resultado desse depoimento determinará se o hacker será transferido para a Penitenciária II de Tremembé ou permanecerá onde está, sob a versão de segurança sustentada pela SAP.
Walter Delgatti, o hacker preso em Araraquara desde agosto de 2023, encontra-se no centro de uma disputa entre a palavra da administração penitenciária e a de seus próprios advogados. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, ordenou que Delgatti seja ouvido em 48 horas — desta vez com seus defensores presentes — sobre as ameaças de morte que alega sofrer. O episódio revela uma tensão antiga e universal: a dificuldade de se ouvir a voz do encarcerado sem que ela passe, primeiro, pelo filtro de quem o guarda.
Walter Delgatti está preso em Araraquara desde agosto de 2023. Sua defesa afirma que ele vive sob ameaças de morte dentro da penitenciária e pediu sua transferência para a Penitenciária II de Tremembé. A Secretaria da Administração Penitenciária de São Paulo se opôs, argumentando que o próprio Delgatti havia declarado anteriormente que se sentia seguro e não precisava de proteção especial.
Os advogados contestam essa versão: segundo eles, as declarações foram distorcidas e colhidas sem que estivessem presentes — o que compromete a validade do que foi registrado. É esse ponto que está no centro do conflito.
O ministro Alexandre de Moraes, em decisão assinada na segunda-feira, acolheu também uma manifestação da Procuradoria-Geral da República e pediu esclarecimentos à SAP. A secretaria respondeu afirmando que não há indícios atuais de risco à integridade física de Delgatti, mantendo sua posição contrária à transferência.
Para resolver o impasse, Moraes ordenou que Delgatti seja ouvido novamente em até 48 horas — desta vez com seus advogados presentes. O depoimento será decisivo: não apenas para avaliar as condições reais de segurança, mas para determinar se o que o hacker disse antes reflete de fato sua situação. Nos próximos dias, o ministro decidirá sobre o pedido de transferência.
Walter Delgatti está preso em Araraquara, no interior de São Paulo, desde agosto de 2023. Agora, quase dois anos depois, sua defesa diz que ele vive sob ameaça de morte dentro da penitenciária — e o ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal acaba de ordenar que o hacker seja ouvido novamente para falar sobre isso. Tem 48 horas para acontecer.
O conflito começou quando os advogados de Delgatti pediram sua transferência para a Penitenciária II de Tremembé, conhecida informalmente como o presídio dos famosos. A Secretaria da Administração Penitenciária de São Paulo se opôs ao pedido, argumentando que o próprio Delgatti havia declarado em depoimento anterior que se sentia seguro e não precisava de proteção especial. Mas aqui está o problema: a defesa contesta essa versão dos fatos. Segundo os advogados, as declarações foram distorcidas e colhidas sem que eles estivessem presentes.
Moraes, na decisão assinada na segunda-feira 17 de fevereiro, acolheu também uma manifestação da Procuradoria-Geral da República e pediu esclarecimentos à Secretaria da Administração Penitenciária sobre a segurança do detido. A resposta veio: a SAP afirma que não há indícios atuais de risco à integridade física de Delgatti no presídio onde está. Mantém, portanto, sua posição contrária à transferência.
O que Moraes quer agora é ouvir Delgatti diretamente, com seus advogados presentes, para que ele fale sobre as ameaças que alega sofrer e sobre as condições de segurança do local. Esse depoimento será fundamental para a próxima decisão do ministro sobre o pedido de transferência. Não é apenas uma questão de segurança pessoal — é sobre se as declarações anteriores do hacker foram realmente colhidas de forma apropriada, e se o que ele disse naquela ocasião reflete sua situação atual.
O caso ilustra uma tensão comum no sistema penitenciário: a palavra da administração prisional contra a palavra do detido e seus representantes legais. De um lado, a SAP diz que tudo está sob controle. Do outro, a defesa insiste que há risco real e que as garantias processuais básicas não foram respeitadas. Moraes está tentando resolver isso da forma mais direta possível — deixando Delgatti falar, desta vez com proteção legal adequada. Nos próximos dias, saberemos o que ele tem a dizer.
Citações Notáveis
A defesa alega que as declarações anteriores de Delgatti foram distorcidas e colhidas sem a presença de advogados— Advogados de Walter Delgatti
Não há indícios atuais de risco à integridade física de Delgatti no presídio onde se encontra— Secretaria da Administração Penitenciária de São Paulo