Ministra nega lucro do Governo com crise dos combustíveis e reforça poderes da ERSE

O Governo não está a lucrar com esta crise dos combustíveis
Resposta da ministra do Ambiente às acusações do PS sobre aproveitamento da crise energética.
Mark

A ministra está a dizer que o Governo não lucra, mas o PS acusa-o de arrecadar mais impostos. Como é que ela responde a isso?

Mimi

Ela diz que é uma comparação injusta — que o PS está a olhar para os impostos de 2024 e 2025, mas o Governo poderia fazer o mesmo com os anos em que o PS governou. É uma questão de referencial.

Luke

Mas isso não responde à pergunta de fundo: será que o Governo está, de facto, a arrecadar mais impostos agora do que arrecadaria se os preços fossem normais? Os números que ela dá não esclarecem isso.

Mark

E as medidas que ela menciona — o desconto do ISP, a botija solidária — provam que não há lucro?

Mimi

Ela argumenta que sim, que se o Governo estivesse a lucrar, não teria implementado estas medidas. É uma lógica de intenção.

Luke

Mas as medidas podem ser reais e o lucro também pode ser real. Não são mutuamente exclusivas. Ela não apresenta números que mostrem quanto é que o Governo gasta em medidas versus quanto arrecada em impostos.

Mark

E quanto ao reforço da ERSE? Isso é uma resposta concreta à crise?

Mimi

Sim, é. Ela está a dar mais poderes ao regulador para supervisionar a cadeia petrolífera inteira, incluindo a refinação. E quer mais transparência nos preços.

Luke

Isso é importante, mas é também uma resposta a longo prazo. No imediato, não muda os preços que as pessoas estão a pagar agora. E a ERSE já tinha poderes — isto é uma extensão.

Mark

Ela menciona que Espanha tem preços mais baixos. Porquê?

Mimi

Ela não explica o porquê. Apenas diz que Espanha é uma exceção europeia.

Luke

Isso é um vazio importante. Se Espanha consegue ter preços mais baixos, há algo que Portugal poderia estar a fazer diferente. A ministra não aborda isso.

  • O líder do PS acusou o Governo de enriquecer com a subida dos combustíveis, citando receitas fiscais de 2024 e 2025 — uma acusação que a ministra classificou de 'injusta' por comparar realidades incomparáveis.
  • O gasóleo subiu 43,3 cêntimos por litro desde fevereiro, num contexto de conflitos internacionais, fecho de refinarias europeias e dependência persistente dos combustíveis fósseis.
  • Portugal está alinhado com a média europeia nos preços, mas a exceção espanhola — com valores significativamente mais baixos — alimenta a pressão política interna.
  • O Governo anunciou o reforço dos poderes sancionatórios da ERSE em toda a cadeia petrolífera, incluindo a refinação, como resposta concreta às críticas.
  • A ministra pediu maior transparência pública na formação dos preços dos combustíveis, para que os consumidores possam compreender, semana a semana, o que pagam e porquê.

Num momento em que os preços dos combustíveis pesam sobre famílias e empresas portuguesas, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, saiu a terreiro para contestar a narrativa de que o Estado lucra com a crise. A disputa, que opõe o Governo ao Partido Socialista, revela algo mais profundo do que uma troca de acusações: a dificuldade de governar num mundo onde as crises energéticas globais chegam às bombas de gasolina locais, e onde a linguagem dos números pode ser usada para contar histórias muito diferentes.

Maria da Graça Carvalho apresentou-se perante a imprensa numa segunda-feira com uma missão clara: refutar a acusação de que o Governo estava a lucrar com a crise dos combustíveis. A afirmação tinha partido do secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, que apontou para as receitas fiscais de 2024 e 2025 como evidência. A ministra rejeitou a comparação, classificando-a de 'injusta', e argumentou que os números invocados não eram comparáveis entre si — acrescentando que o mesmo raciocínio poderia ser aplicado aos anos de governação socialista.

Para sustentar a sua posição, Carvalho recordou as medidas já implementadas pelo Executivo: o desconto extraordinário do ISP e o reforço da botija solidária. Mas a conferência não ficou pela defesa. A ministra anunciou que o Governo vai alterar a legislação para ampliar os poderes da ERSE a toda a cadeia de produção do setor petrolífero, incluindo a refinação, dando ao regulador mais ferramentas para supervisionar e sancionar irregularidades. Pediu ainda à ERSE que tornasse a formação dos preços mais transparente e acessível aos consumidores.

O pano de fundo é de 'excecional complexidade': o conflito entre os EUA e o Irão, a guerra na Ucrânia e o encerramento de refinarias europeias — incluindo uma em Portugal — criaram uma pressão global que se reflete nos preços locais. O gasóleo passou de 1,596 euros por litro em fevereiro para 2,029 euros no dia da conferência, uma subida de 43,3 cêntimos, ligeiramente abaixo da média europeia. A exceção é Espanha, com preços notavelmente mais baixos, o que alimenta o debate político. Carvalho deixou a mensagem implícita: se há lucro nesta crise, não é o Estado português que o está a fazer.

Maria da Graça Carvalho, ministra do Ambiente e Energia, apresentou-se perante a imprensa numa segunda-feira para responder a uma acusação que a tinha deixado visada: a de que o Governo estava a lucrar com a crise dos combustíveis. A afirmação vinha do secretário-geral do Partido Socialista, José Luís Carneiro, e a ministra não deixou passar. "O Governo não está a lucrar com esta crise dos combustíveis", disse ela, com firmeza. Mas o que estava realmente em causa era uma questão de comparação — ou melhor, de como se compara.

Carneiro tinha apontado para os impostos arrecadados em 2024 e 2025, sugerindo que o Executivo se estava a beneficiar da situação. Carvalho respondeu que isso era "injusto" porque os números não eram comparáveis. "Não estamos a comparar duas realidades comparáveis", sublinhou, argumentando que o Governo poderia, com a mesma lógica, apontar para os impostos que o PS havia arrecadado durante os seus anos de governação. A ministra invocou ainda as medidas concretas que o Executivo tinha implementado — o desconto extraordinário do ISP e o reforço da botija solidária — como prova de que não estava a tirar proveito da crise.

Mas a conferência de imprensa não foi apenas uma defesa. Carvalho aproveitou para anunciar um reforço significativo dos poderes da ERSE, a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos. O Governo vai alterar a legislação para estender o alcance de atuação da ERSE em toda a cadeia de produção do setor petrolífero, incluindo a refinação. Isto significa que o regulador terá mais ferramentas para sancionar comportamentos irregulares e para supervisionar o mercado com maior rigor. Além disso, a ministra pediu à ERSE que reforçasse a transparência pública dos preços dos combustíveis, de forma a que os consumidores pudessem compreender, de forma simples, como se formavam os preços e qual era o desconto em cada semana.

O contexto que Carvalho pintou era o de uma crise global. O mundo atravessava um momento de "excecional complexidade" devido à instabilidade causada por conflitos e pela dependência contínua dos combustíveis fósseis. O conflito entre os Estados Unidos e o Irão, a guerra da Rússia contra a Ucrânia, e o encerramento de refinarias na Europa nos últimos anos — incluindo uma em Portugal — tinham criado uma pressão extraordinária nos preços. Portugal, ainda que mais resiliente graças aos seus esforços de descarbonização, não era imune a isto tudo.

Os números falavam por si. O preço do gasóleo em Portugal tinha subido de 1,596 euros por litro a 27 de fevereiro para 2,029 euros no dia da conferência — um aumento de 43,3 cêntimos por litro. Na União Europeia, a evolução tinha sido semelhante: de 1,59 euros para 2,039 euros. Isto significava que Portugal estava alinhado com o resto da Europa, e o aumento que o país tinha sofrido era até ligeiramente abaixo da média dos países da UE. Havia, porém, uma exceção notável: Espanha, que apresentava preços significativamente mais baixos do que o resto do continente.

Carvalho reforçou que o Governo estava empenhado em reduzir os custos das famílias e das empresas com a energia. Para isso, tinha solicitado não apenas à ERSE, mas também à Entidade Nacional para o Setor Energético (ENSE), uma análise detalhada da evolução dos preços dos combustíveis. O objetivo era claro: aumentar a transparência e a supervisão do mercado, dando aos consumidores informação clara sobre a formação dos preços. A ministra deixou implícito que, se havia lucro a ser feito, não era o Governo que o estava a fazer — e que as medidas que estava a implementar o provavam.

Não estamos a comparar duas realidades comparáveis, portanto essa afirmação não corresponde à realidade
— Maria da Graça Carvalho, ministra do Ambiente e Energia
Este Governo trabalha para reduzir os custos das famílias e das empresas com a energia
— Maria da Graça Carvalho
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