Militares britânicos começam distribuição de combustível segunda-feira

Cidadãos enfrentam longas filas de espera para reabastecer combustível, afetando mobilidade e acesso a serviços essenciais.
O Governo chamava-lhe apoio temporário. Era uma admissão de derrota.
Enquanto militares se preparavam para distribuir combustível, o Governo negava a profundidade da crise que enfrentava.
Mark

Por que é que o Governo demorou tanto a mobilizar os militares? Isto não parecia uma solução óbvia desde o início?

Mimi

Porque admitir que precisava de militares era admitir que tinha perdido o controlo. Enquanto houve esperança de que os motoristas voltassem, ou que a situação se resolvesse sozinha, o Governo manteve a ficção de que tudo estava estabilizado.

Mark

E os números que anunciaram — 300 camionistas, 4700 transportadores de alimentos — parecem muito específicos. Como é que chegaram a estes números?

Mimi

Provavelmente calcularam o mínimo que precisavam para manter a cadeia de abastecimento funcionando. Não é sobre resolver o problema. É sobre o gerir o suficiente para que não colapse completamente.

Mark

O Governo nunca mencionou o Brexit. Achas que é porque sabem que é a causa real?

Mimi

Ou porque mencioná-lo seria politicamente impossível. Culpar a pandemia é seguro. Culpar o Brexit é admitir uma decisão que metade do país ainda está a processar.

Mark

As pessoas nas filas — quanto tempo é que realmente esperavam?

Mimi

Horas. Algumas pessoas saíam do trabalho para tentar abastecer. Outras iam várias vezes e encontravam as bombas vazias. Era caótico, e o Governo continuava a dizer que estava tudo bem.

Mark

Isto vai resolver-se quando os militares começarem a distribuir combustível?

Mimi

Não. Os militares são um penso rápido. O problema real é que não há motoristas suficientes, e nenhuma quantidade de vistos temporários vai mudar isso a longo prazo.

  • Quase 200 militares, 100 deles condutores treinados, começam distribuição segunda-feira
  • Mais de um quarto das gasolineiras independentes continuavam vazias no fim de semana
  • 300 camionistas estrangeiros autorizados a entrar até Março de 2022
  • 10.200 trabalhadores de setores críticos (alimentos, aves) com vistos temporários até final de 2021/início de 2022

Cerca de 100 condutores militares treinados em emergência começam operações de distribuição para reduzir filas de horas nas bombas de gasolina. Apesar de afirmações governamentais de estabilização, mais de um quarto das gasolineiras independentes continuavam vazias no fim de semana.

O Reino Unido mobiliza quase 200 militares para distribuir combustível nas gasolineiras a partir de segunda-feira, tentando resolver a crise de abastecimento causada pela falta de motoristas.

Na segunda-feira, o Exército britânico colocaria em ação quase 200 dos seus elementos para fazer aquilo que deveria ser simples: colocar combustível nas bombas das gasolineiras. Cem deles eram condutores que tinham recebido formação de emergência para esta tarefa específica. O anúncio chegou no sábado, vindo do Governo britânico, e revelava o tamanho real do problema que o país enfrentava.

Durante semanas, as filas nas gasolineiras tinham crescido até horas de espera. Postos de abastecimento fechavam porque não havia quem entregasse o combustível. O Governo e as grandes petrolíferas insistiam que a situação se tinha estabilizado, que tudo estava sob controlo. Mas no fim de semana, quando o anúncio foi feito, mais de um quarto das gasolineiras independentes do Reino Unido continuavam com as bombas vazias, segundo a Associação Nacional de Retalhistas. A palavra "estabilizado" soava cada vez mais vazia.

O Ministério do Gabinete explicou que os 200 militares, que fazem parte do corpo de Tanques do Exército, dariam "apoio temporário". Temporário era a palavra-chave em tudo o que o Governo anunciava naquele fim de semana. Porque a crise não era apenas de combustível. Era de mão-de-obra em toda a cadeia de abastecimento. O país enfrentava desafios em múltiplos setores — alimentos, aves, transportes — e a explicação oficial apontava para "a pandemia e a recuperação da economia global". Ninguém mencionava o Brexit.

Para tentar resolver o problema, o Governo abria as portas a trabalhadores estrangeiros. Trezentos camionistas poderiam entrar imediatamente no Reino Unido e trabalhar até ao final de Março de 2022. Mas havia mais: 4700 transportadores de alimentos chegariam no final de Outubro e ficariam até ao final de Fevereiro. E 5500 trabalhadores do setor avícola receberiam vistos até 31 de Dezembro. Eram números que revelavam a profundidade da crise — não era um problema passageiro, era estrutural.

O Governo insistia que estas medidas temporárias não significavam um desvio da sua estratégia de "elevar a qualificação e aumentar os salários do mercado de trabalho". Eram circunstâncias extraordinárias, dizia. O ministro das Empresas, Kwasi Kwarteng, foi ainda mais direto: "não há escassez de combustível" no país. As pessoas deveriam abastecer com normalidade, pediu. Não se deixem levar pelo pânico. Deixem as coisas voltarem ao normal.

Mas o normal tinha desaparecido. Enquanto os militares se preparavam para começar a distribuir combustível, enquanto o Governo negociava a entrada de milhares de trabalhadores estrangeiros, enquanto insistia que tudo estava sob controlo, a realidade nas ruas era outra: filas, bombas vazias, incerteza. O que o Governo chamava de apoio temporário era, na verdade, uma admissão de que o sistema tinha quebrado e que ninguém sabia quanto tempo levaria a repará-lo.

Não há escassez de combustível no país, as pessoas deveriam abastecer com normalidade
— Kwasi Kwarteng, ministro das Empresas
O país ainda enfrenta desafios, apesar de a demanda ter estabilizado
— Ministério do Gabinete britânico
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