Microsoft trabalha em streaming de jogos de PC via nuvem, revelam e-mails vazados

A infraestrutura atual depende de chips específicos do Xbox Series X
Explicação técnica de por que o Xbox Cloud Gaming ainda não consegue fazer streaming de jogos de PC.
Mark

Por que a Microsoft precisava de uma resposta ao Stadia se o serviço do Google já estava em dificuldades?

Mimi

Não era tanto sobre o Stadia em si, mas sobre o que o Stadia representava. Se o Google conseguisse transformar a plataforma em um serviço white label, qualquer desenvolvedora poderia oferecer seus jogos via nuvem sem depender da Microsoft. Isso era uma ameaça real à posição da empresa.

Mark

Então por que a Microsoft recuou em 2022?

Mimi

Porque construir infraestrutura de streaming é extremamente caro e complexo. Você precisa de data centers espalhados pelo mundo, latência baixa, e tecnologia que funcione com milhões de jogos diferentes. A Microsoft percebeu que não conseguiria fazer isso tão rápido quanto imaginava.

Mark

Mas eles não desistiram completamente, certo?

Mimi

Não. O acordo de dez anos com a operadora britânica mostra que o projeto continua vivo. É apenas uma prioridade menor agora. A empresa está sendo mais estratégica, trabalhando com parceiros específicos em vez de tentar lançar uma solução global de uma vez.

Mark

E quanto aos usuários que querem jogar jogos de PC via nuvem agora?

Mimi

Por enquanto, não têm opção dentro do ecossistema Microsoft. O Xbox Cloud Gaming só funciona com jogos de console. Existem outras plataformas que oferecem isso, mas não com o catálogo da Microsoft.

Mark

Isso significa que a Microsoft perdeu essa batalha?

Mimi

Não perdeu, apenas adiou. O mercado de cloud gaming ainda está em formação. Quando a tecnologia ficar mais madura e os custos caírem, a Microsoft estará pronta com sua solução.

  • E-mails trocados entre Satya Nadella e Phil Spencer, expostos em processo da FTC, revelam que a Microsoft planejava um serviço de streaming de jogos PC nativos como resposta direta ao Google Stadia.
  • A infraestrutura atual do Xbox Cloud Gaming depende de chips do Xbox Series X, tornando tecnicamente impossível transmitir jogos de PC sem uma solução completamente nova.
  • Em 2022, a Microsoft abandonou metas centrais do projeto, incluindo suporte à biblioteca completa de jogos e um plano de assinatura exclusivo para cloud gaming.
  • Um acordo de dez anos firmado com uma operadora britânica de telecomunicações sinaliza que o projeto sobrevive — agora também como moeda de troca para aprovação regulatória da compra da Activision Blizzard.
  • Com o Google Stadia encerrado em 2023, a Microsoft navega o mercado de cloud gaming com cautela estratégica, desenvolvendo a tecnologia internamente sem anunciar prazos ou compromissos públicos.

Por trás de documentos vazados em um processo regulatório, emerge a silenciosa corrida da Microsoft para levar jogos de PC à nuvem — um projeto nascido do temor ao Google Stadia e sustentado por acordos estratégicos, mas que avança com a cautela de quem aprendeu que promessas tecnológicas custam caro. A empresa que já recuou em metas ambiciosas em 2022 segue construindo nos bastidores uma infraestrutura que pode redefinir como o mundo joga, sem ainda saber — ou querer dizer — quando estará pronta.

Documentos internos da Microsoft, revelados durante o processo regulatório sobre a aquisição da Activision Blizzard, mostram que a empresa trabalha para levar jogos de PC ao seu serviço de streaming em nuvem. A correspondência entre o CEO Satya Nadella e Phil Spencer, presidente da divisão de games, foi anexada ao processo da FTC e expõe planos que a empresa nunca anunciou publicamente.

O projeto surgiu como resposta aos movimentos do Google com o Stadia. Quando rumores indicavam que o Google transformaria o Stadia em plataforma 'white label' para desenvolvedoras, a Microsoft enxergou tanto uma ameaça quanto uma oportunidade. Spencer confirmou nos e-mails que a empresa desenvolvia uma plataforma capaz de transmitir jogos nativos de PC — algo que o serviço atual não consegue fazer, pois depende de chips específicos do Xbox Series X.

O entusiasmo inicial, porém, não se sustentou. Em 2022, a Microsoft recuou em metas ambiciosas: abandonou planos de suportar toda a biblioteca de jogos via streaming e desistiu de lançar um plano de assinatura exclusivo para cloud gaming. Hoje, o acesso ao serviço exige o Xbox Game Pass Ultimate, um pacote combinado sem opção dedicada à nuvem.

Um acordo de dez anos firmado com uma operadora britânica de telecomunicações indica que o projeto não foi abandonado — apenas desacelerado, e agora também utilizado como concessão regulatória para viabilizar a compra da Activision Blizzard. A Microsoft segue desenvolvendo a tecnologia internamente, com a sobriedade de quem observou o Google Stadia ser encerrado no início de 2023 após prometer revolucionar os jogos.

Documentos internos da Microsoft, revelados através de uma troca de e-mails que veio à tona durante um processo regulatório, mostram que a empresa tem trabalhado para levar jogos de PC para sua plataforma de streaming em nuvem. A correspondência, que inclui mensagens entre o CEO Satya Nadella e Phil Spencer, presidente da divisão de games da Microsoft, estava anexada ao processo da FTC que tentava bloquear a aquisição da Activision Blizzard pela empresa.

O projeto nasceu como resposta direta aos movimentos do Google com o Stadia. Quando surgiram rumores de que o Google planejava transformar o Stadia em um serviço "white label" para que desenvolvedoras pudessem executar seus próprios jogos, a Microsoft viu uma oportunidade e uma ameaça. Spencer confirmou nos e-mails que a empresa estava desenvolvendo uma plataforma própria capaz de fazer streaming de jogos nativos de PC — não apenas títulos rodando em hardware de console, como acontece atualmente.

Mas o entusiasmo inicial não se traduziu em progresso consistente. Em 2022, a Microsoft recuou significativamente em seus planos para o serviço de cloud gaming. A empresa abandonou ou adiou várias metas ambiciosas que havia estabelecido, incluindo garantir que toda sua biblioteca de jogos funcionasse via streaming e lançar um plano de assinatura independente para o Xbox Cloud Gaming. Hoje, os usuários que querem acessar o serviço precisam assinar o Xbox Game Pass Ultimate, que é um pacote combinado para jogadores de console e PC — não existe uma opção exclusiva para cloud gaming.

A razão técnica para essa limitação é clara: a infraestrutura de streaming atual depende de chips específicos do Xbox Series X para executar os jogos. Isso significa que, por enquanto, o Xbox Cloud Gaming só consegue transmitir títulos que foram desenvolvidos para os consoles Xbox. Jogos de PC, que rodam em arquitetura diferente e com requisitos distintos, exigem uma solução completamente nova — e é exatamente isso que a Microsoft está tentando construir nos bastidores.

O fato de a empresa ter assinado um acordo de dez anos com uma operadora de telecomunicações do Reino Unido para oferecer suporte a streaming de jogos de PC sugere que o projeto não foi abandonado, apenas desacelerado. Esse acordo foi apresentado como uma das concessões necessárias para que a aquisição da Activision Blizzard fosse aprovada pelos reguladores. A Microsoft continua trabalhando internamente no desenvolvimento dessa tecnologia, mesmo que não tenha feito anúncios públicos sobre progresso ou cronogramas.

O que fica claro é que o mercado de cloud gaming, que prometia revolucionar a forma como jogamos, enfrentou obstáculos reais. O Google Stadia, que foi uma das primeiras plataformas a tentar essa abordagem em larga escala, foi encerrado no início de 2023. A Microsoft, por sua vez, está sendo mais cautelosa — desenvolvendo a tecnologia, fazendo acordos estratégicos com parceiros internacionais, mas sem fazer promessas públicas que não tem certeza de poder cumprir.

A empresa trabalhava em uma plataforma para streaming de jogos nativos de PC
— Phil Spencer, presidente do Microsoft Gaming, em e-mails vazados
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