No coração da Cidade do México, onde a história da América Latina frequentemente ecoa em pedras antigas, cidadãos comuns transformaram uma praça em gesto coletivo de humanidade. Em resposta ao aperto energético imposto a Cuba por novas medidas da administração Trump, coletivos mexicanos organizaram uma campanha de arrecadação que revelou, mais uma vez, como a solidariedade entre povos pode emergir das ruas antes mesmo de chegar aos palácios. A iniciativa, que reúne alimentos e medicamentos no Zócalo até 22 de fevereiro, lembra que as consequências de decisões geopolíticas recaem, sempre, sobre
México inicia campanha de solidariedade a Cuba com arrecadação de alimentos e medicamentos
As pessoas não param de chegar, tem sido constante
Por que o México está liderando essa resposta? Não é responsabilidade da comunidade internacional como um todo?
O México tem uma história de solidariedade com Cuba, e geograficamente está próximo. Mas também há uma questão política: o governo Sheinbaum já estava enviando ajuda oficial. Essa campanha popular amplifica a mensagem.
Espera — a ordem executiva de Trump é de janeiro, mas a campanha começa agora em fevereiro. Quanto tempo levou para organizar isso? E quanto dessa ajuda realmente chega a Cuba, considerando as restrições?
Os números são impressionantes — 814 toneladas já chegaram. Mas qual é o tamanho real da necessidade em Cuba?
Não sabemos o número exato. O que sabemos é que o bloqueio de petróleo afeta eletricidade, hospitais, comida, água. São sistemas inteiros em risco.
Exatamente. A reportagem diz que as restrições "podem provocar impactos severos", mas não quantifica o que já está acontecendo. Estamos falando de uma crise em desenvolvimento ou de algo que já está acontecendo?
A resposta da população mexicana parece genuína. Olivia Garza e Francisco Rosas falam de filas desde a manhã.
É. E não é só gesto simbólico — estão coletando itens específicos: leite em pó, sardinhas, medicamentos. Coisas que faltam.
Verdade. Mas a reportagem não diz quanto foi coletado no primeiro dia, nem qual é a meta. Sabemos que vai até 22 de fevereiro, mas não sabemos se é uma semana de coleta ou se há um número-alvo.
Der Puls
- Uma ordem executiva assinada por Trump em janeiro intensificou o bloqueio energético a Cuba, ameaçando hospitais, abastecimento de água e produção de alimentos na ilha.
- No sábado 14 de fevereiro, o Zócalo da Cidade do México foi tomado por filas de doadores que chegaram antes mesmo da tenda de coleta ser aberta — jovens, aposentados, professores e trabalhadores carregando arroz, leite em pó e medicamentos.
- Organizadores da campanha relataram surpresa com a escala da resposta popular, descrevendo a adesão da sociedade mexicana como muito além do esperado.
- O governo Sheinbaum já enviou 814 toneladas de ajuda humanitária a Havana e prometeu novos carregamentos, ancorando a solidariedade popular em uma política de Estado.
- A campanha 'De cidade em cidade, vamos acabar com o bloqueio' segue recebendo doações até 22 de fevereiro, funcionando como extensão cidadã da cooperação bilateral México-Cuba.
No coração da Cidade do México, onde a história da América Latina frequentemente ecoa em pedras antigas, cidadãos comuns transformaram uma praça em gesto coletivo de humanidade. Em resposta ao aperto energético imposto a Cuba por novas medidas da administração Trump, coletivos mexicanos organizaram uma campanha de arrecadação que revelou, mais uma vez, como a solidariedade entre povos pode emergir das ruas antes mesmo de chegar aos palácios. A iniciativa, que reúne alimentos e medicamentos no Zócalo até 22 de fevereiro, lembra que as consequências de decisões geopolíticas recaem, sempre, sobre os mais vulneráveis.
No sábado 14 de fevereiro, o Zócalo da Cidade do México deixou de ser apenas uma praça histórica para se tornar um ponto de convergência de solidariedade. Voluntários do coletivo Va por Cuba e da Associação José Martí de Cubanos Residentes no México lançaram a campanha 'De cidade em cidade, vamos acabar com o bloqueio', arrecadando alimentos e medicamentos para envio à ilha caribenha. O centro de coleta permanecerá aberto até 22 de fevereiro.
Desde as primeiras horas da manhã, filas se formaram antes mesmo da abertura oficial da tenda. Entre bandeiras mexicanas e cubanas, chegaram pessoas de todas as idades carregando arroz, feijão, leite em pó, sardinhas e remédios. Olivia Garza, vice-presidente da Associação José Martí, descreveu a cena como impressionante. Francisco Rosas López, do coletivo Va por Cuba, admitiu que a escala da resposta superou todas as expectativas — as pessoas simplesmente não paravam de chegar.
O pano de fundo é urgente. Em janeiro, o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva criando mecanismos para punir países que forneçam petróleo a Cuba, intensificando restrições que já pesavam sobre a ilha. Organizações internacionais alertam que o bloqueio energético compromete a geração de eletricidade, o funcionamento de hospitais, a produção de alimentos e o abastecimento de água.
A mobilização popular não está sozinha. Na quinta-feira anterior ao ato no Zócalo, 814 toneladas de ajuda humanitária enviadas pelo governo mexicano aportaram em Havana. A presidente Claudia Sheinbaum prometeu novos carregamentos, consolidando uma cooperação bilateral que a campanha de rua agora complementa — mostrando que a solidariedade, neste caso, nasce tanto das políticas de Estado quanto do gesto espontâneo de quem aparece com uma sacola de arroz numa praça.
No sábado 14 de fevereiro, o Zócalo da Cidade do México transformou-se em centro de coleta de solidariedade. Voluntários e membros de organizações sociais começaram uma campanha para arrecadar alimentos e medicamentos destinados a Cuba, respondendo ao aperto energético que o país enfrenta sob as novas restrições impostas pelos Estados Unidos. A iniciativa, batizada "De cidade em cidade, vamos acabar com o bloqueio", é coordenada pelo coletivo Va por Cuba e pela Associação José Martí de Cubanos Residentes no México. O centro permanecerá recebendo doações até 22 de fevereiro.
Desde as primeiras horas da manhã, a movimentação foi intensa. Entre bandeiras mexicanas e cubanas, além de retratos de figuras históricas da Revolução Cubana, chegaram jovens, aposentados, trabalhadores e professores carregando sacolas e caixas com arroz, feijão, leite em pó, sardinhas, medicamentos e outros itens essenciais. Os voluntários organizavam o material conforme chegava, e as pilhas de doações cresceram rapidamente.
Olivia Garza, vice-presidente da Associação José Martí, descreveu o que presenciou como impressionante. Ela relatou que havia pessoas na fila com suas doações muito antes da tenda ser aberta oficialmente, e destacou a receptividade do povo mexicano à causa. Francisco Rosas López, da coordenação do Coletivo Militante de Solidariedade Va por Cuba, também se surpreendeu com a escala da resposta. Esperava uma boa adesão, mas não no volume que se materializou. As pessoas não paravam de chegar, disse ele, descrevendo a reação da sociedade mexicana como formidável.
O contexto que move essa mobilização é recente e severo. Em janeiro, o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva declarando uma suposta emergência nacional e estabelecendo mecanismos para impor tarifas a países que forneçam petróleo a Cuba. A medida intensificou drasticamente as restrições energéticas que a ilha já enfrentava. Organizações internacionais alertam que a limitação do acesso ao petróleo pode provocar impactos profundos: afeta a geração de eletricidade, o funcionamento de hospitais, a produção e distribuição de alimentos, e o abastecimento de água.
O ato no Zócalo não é isolado. Na quinta-feira anterior, 814 toneladas de ajuda humanitária enviadas pelo governo mexicano chegaram ao porto de Havana. A presidente Claudia Sheinbaum anunciou que promoverá novos envios ao país caribenho, reforçando a cooperação bilateral enquanto Cuba enfrenta o cenário de restrições econômicas cada vez mais apertadas. A campanha de arrecadação popular que começou no sábado funciona como um complemento a essa política oficial, mostrando que a solidariedade não vem apenas de cima para baixo, mas também da rua.
Bemerkenswerte Zitate
Temos visto a enorme receptividade do povo mexicano. Muito antes da abertura da tenda, já havia pessoas na fila com suas doações— Olivia Garza, vice-presidente da Associação José Martí de Cubanos Residentes no México
Sinceramente, esperávamos uma boa resposta, mas não neste volume. As pessoas não param de chegar, tem sido constante— Francisco Rosas López, coordenação do Coletivo Militante de Solidariedade Va por Cuba