Em Seul, onde 4,3 milhões de pessoas atravessam diariamente uma rede ferroviária ao limite, a resposta ao congestionamento chegou sob a forma de uma ausência: a remoção dos bancos. A partir de janeiro de 2024, duas carruagens das linhas 4 e 7 abrirão mão dos assentos para devolver espaço ao movimento humano, numa aposta que Banguecoque já ensaiou com sucesso em 2017. É o reconhecimento silencioso de que, em certas metrópoles, o conforto individual cede lugar à necessidade coletiva de simplesmente caber.
Metro de Seul remove bancos para acomodar mais passageiros nas horas de ponta
Remover os bancos liberta espaço que poderia acomodar mais corpos
Porque é que Seul escolheu remover bancos em vez de simplesmente adicionar mais comboios?
Porque adicionar comboios tem limites. A infraestrutura já está saturada, os túneis estão cheios, as estações têm capacidade limitada. Remover bancos é uma forma de aproveitar o espaço que já existe — é uma solução de curto prazo enquanto pensam em mudanças maiores.
Mas as pessoas não vão ficar furiosas por terem de viajar em pé?
Talvez. Mas em Banguecoque funcionou. E a verdade é que durante a hora de ponta, a maioria das pessoas já está em pé de qualquer forma. Os bancos ocupam espaço que poderia acomodar mais corpos. É uma escolha entre conforto para alguns ou capacidade para todos.
A inteligência artificial que mencionam — como é que isso ajuda?
Prevê quando as linhas vão estar mais cheias e distribui melhor os passageiros. Se souberem que a linha 4 vai estar impossível às 8h30, podem incentivar as pessoas a viajar cinco minutos mais cedo ou mais tarde. É gestão de procura, não apenas aumento de oferta.
E se isto não funcionar?
Então Seul terá um problema maior. Mas têm o exemplo de Banguecoque a mostrar que pode funcionar. O risco é calculado.
The Pulse
- O metro de Seul transporta 4,3 milhões de passageiros por dia em carruagens que há muito ultrapassaram o seu limite confortável, tornando a hora de ponta numa experiência de compressão física quase insuportável.
- A solução escolhida é radical e simbólica: retirar os bancos de duas carruagens nas linhas 4 e 7, libertando 12,6 metros quadrados por carruagem e aumentando a capacidade além dos atuais 160 passageiros.
- A medida não nasce do vazio — Banguecoque adotou a mesma estratégia em 2017 com resultados positivos, e o próprio presidente Yoon Suk Yeol viveu pessoalmente o caos do congestionamento durante a campanha eleitoral de 2022.
- Em paralelo, Seul desenvolve uma plataforma de inteligência artificial para prever e gerir a afluência em tempo real, testada ainda este mês, combinando redesenho físico com gestão inteligente do fluxo.
- Se os resultados forem positivos, a remoção de assentos será expandida a todas as linhas da rede, transformando de forma permanente a experiência de deslocação de milhões de pessoas na capital sul-coreana.
Em Seul, onde 4,3 milhões de pessoas atravessam diariamente uma rede ferroviária ao limite, a resposta ao congestionamento chegou sob a forma de uma ausência: a remoção dos bancos. A partir de janeiro de 2024, duas carruagens das linhas 4 e 7 abrirão mão dos assentos para devolver espaço ao movimento humano, numa aposta que Banguecoque já ensaiou com sucesso em 2017. É o reconhecimento silencioso de que, em certas metrópoles, o conforto individual cede lugar à necessidade coletiva de simplesmente caber.
Conseguir um lugar sentado no metro de Seul durante a hora de ponta é um luxo que a maioria dos passageiros não pode esperar. A capital sul-coreana opera um dos sistemas ferroviários mais saturados do mundo, e a empresa gestora decidiu enfrentar o problema de forma radical: removendo os bancos.
A partir de janeiro de 2024, duas carruagens das linhas 4 e 7 — entre as mais utilizadas da rede de nove linhas e 275 estações — deixarão de ter assentos. Cada carruagem libertará assim 12,6 metros quadrados, permitindo acomodar mais passageiros em pé nos períodos de maior afluência. Atualmente, cada carruagem transporta 160 pessoas; sem bancos, esse número aumentará significativamente.
A ideia não é inédita: Banguecoque implementou a mesma estratégia em 2017 com sucesso, encorajando Seul a seguir o mesmo caminho. Se os resultados forem positivos, o plano é expandir a medida a todas as linhas da cidade. O apoio político vem do topo — o presidente Yoon Suk Yeol, que viveu pessoalmente o caos do congestionamento numa viagem de metro durante a campanha de 2022, comprometeu-se a melhorar o sistema.
A remoção de assentos é acompanhada por outras iniciativas: uma plataforma de inteligência artificial para prever e gerir a afluência em tempo real será testada ainda este mês, e dois metros adicionais serão destacados para as linhas mais procuradas a partir de 6 de novembro. Juntas, estas medidas refletem a urgência de uma cidade que não pode construir mais infraestrutura, mas que precisa de otimizar cada centímetro do que já existe.
Conseguir um lugar sentado no metro de Seul durante a hora de ponta é um luxo que a maioria dos 4,3 milhões de passageiros diários não pode esperar. A capital sul-coreana opera um dos sistemas de transporte ferroviário mais saturados do planeta, e a pressão constante de corpos comprimidos em carruagens já ultrapassadas há muito o seu limite confortável. Agora, a empresa gestora do metro decidiu enfrentar o problema de uma forma radical: removendo os bancos.
A partir de janeiro de 2024, duas carruagens das linhas 4 e 7 deixarão de ter assentos. A linha 4 liga a estação central de Seul a várias zonas da cidade, enquanto a linha 7 atravessa o território do sul ao norte. Ambas estão entre as mais utilizadas da rede, que compreende nove linhas e 275 estações no total. Ao eliminar os assentos, cada carruagem libertará 12,6 metros quadrados de espaço — uma área que, em teoria, permitirá acomodar mais corpos em pé durante os períodos de maior afluência. Atualmente, com bancos, cada carruagem consegue transportar 160 pessoas. Sem eles, esse número aumentará significativamente, embora a empresa não tenha especificado a nova capacidade.
Esta não é uma ideia original. Banguecoque, a capital tailandesa, implementou a mesma estratégia em 2017 e, segundo relatos, a medida tem funcionado. O sucesso da experiência asiática encorajou Seul a tentar o mesmo. Se os resultados forem positivos, o plano é expandir a remoção de assentos para todas as linhas do metro da cidade — uma transformação que alteraria fundamentalmente a experiência de deslocação de milhões de pessoas.
O apoio político à medida vem de cima. O presidente Yoon Suk Yeol, que durante a sua campanha eleitoral em 2022 vivenciou pessoalmente o caos do congestionamento numa viagem de metro, comprometeu-se a melhorar o sistema de transporte. Desde então, o governo de Seul tem procurado soluções inovadoras. Esta semana, anunciou o desenvolvimento de uma plataforma baseada em inteligência artificial capaz de prever e responder aos níveis de afluência em tempo real. O dispositivo será testado este mês e representa uma abordagem complementar ao problema: se os assentos removidos aumentam a capacidade física, a IA ajudará a distribuir melhor os passageiros pelas diferentes carruagens e horários.
Além da remoção de assentos, a rede ferroviária também anunciou que, a partir de segunda-feira, 6 de novembro, destacará dois metros adicionais para as linhas mais procuradas durante as horas de ponta. É uma medida mais convencional — adicionar mais veículos — mas que trabalha em conjunto com a estratégia mais ousada de redesenhar o espaço interior das carruagens existentes. Juntas, estas iniciativas refletem a urgência de uma cidade que não pode simplesmente construir mais infraestrutura, mas que precisa de otimizar cada centímetro do que já existe.
Notable Quotes
O presidente Yoon Suk Yeol, após experienciar pessoalmente o congestionamento durante a campanha eleitoral de 2022, comprometeu-se a melhorar o sistema de transporte— Governo de Seul