Meta enfrenta ação de US$ 1,4 trilhão que ameaça Stories e curtidas

Adolescentes expostos a mecanismos de engajamento compulsivo que causam depressão, ansiedade, problemas de imagem corporal e automutilação.
A Meta construiu seus serviços para viciar crianças, sabendo do dano
Procuradores de 29 estados americanos acusam a empresa de projetar mecanismos de engajamento compulsivo e ocultar pesquisas sobre consequências mentais.
Mark

Por que exatamente US$ 1,4 trilhão? Como chegaram a esse número?

Mimi

Os procuradores calcularam uma penalidade de até US$ 200 bilhões, mas o valor de US$ 1,4 trilhão que circula é o valor de mercado da Meta no momento. É uma forma de dimensionar o tamanho do que está em jogo — não é apenas uma multa, é uma quantia que equivale ao que a empresa inteira vale.

Mark

A Meta diz que as acusações carecem de fundamentação. Qual é a evidência mais forte que os estados têm?

Mimi

As pesquisas internas da própria Meta. A empresa sabia que o Instagram estava ligado a depressão, ansiedade e automutilação entre adolescentes, mas não divulgou isso. Além disso, coletou dados de crianças menores de 13 anos sem consentimento parental. Não é uma questão de opinião — são violações documentadas.

Mark

Se a Meta perder, o que muda para quem usa Instagram?

Mimi

Potencialmente tudo. Os Stories desaparecem. Os filtros que mudam sua aparência são removidos. A reprodução automática de vídeos acaba. As notificações são limitadas. É um redesenho completo da experiência para torná-la menos viciante.

Mark

Mas a Meta já perdeu um caso no Novo México. Por que isso importa para este processo?

Mimi

Porque estabelece precedente. Um juiz já determinou que a Meta enganou usuários e falhou em proteger crianças. Agora 29 estados estão usando essa vitória como base para argumentar que o padrão é sistemático, não isolado.

Mark

O Brasil e a Europa estão fazendo coisas semelhantes?

Mimi

Sim, mas de formas diferentes. O Brasil proibiu design manipulativo através do ECA Digital. A Europa está investigando se a Meta usa interfaces manipulativas para restringir direitos dos usuários. Todos estão chegando à mesma conclusão: essas plataformas foram projetadas para viciar, e isso precisa parar.

Mark

O que você acha que vai acontecer?

Mimi

A Meta provavelmente vai perder algo. Pode não ser os US$ 1,4 trilhões, mas a tendência é clara. Os tribunais, os reguladores e a opinião pública estão todos se movendo na mesma direção. A era do design sem restrições está terminando.

  • Ação de 29 estados americanos com multa potencial de até US$ 1,4 trilhão
  • Meta condenada no Novo México a pagar US$ 942 milhões em agosto de 2026
  • Empresa coletou dados de menores de 13 anos sem consentimento parental
  • Pesquisas internas da Meta ligavam Instagram a depressão, ansiedade e automutilação em adolescentes

A ação busca multa de até US$ 1,4 trilhão e mudanças profundas no Instagram e Facebook, incluindo remoção de Stories, filtros e reprodução automática. Meta é acusada de ocultar pesquisas sobre danos mentais a adolescentes e coletar dados de menores de 13 anos sem consentimento parental.

Meta é processada por 29 estados americanos com multa potencial de até US$ 1,4 trilhão por estimular uso compulsivo entre crianças e adolescentes, com pedidos de eliminação de Stories e outras funcionalidades.

A Meta enfrenta um processo que pode custar caro — literalmente. Vinte e nove procuradores-gerais de estados americanos movem ação contra a empresa de Mark Zuckerberg pedindo multa de até US$ 1,4 trilhão, um valor que equivale aproximadamente ao que a companhia valia no mercado na sexta-feira em que a ação foi noticiada. Mas o dinheiro é apenas parte da história. Os estados também exigem mudanças estruturais profundas: querem que a Meta elimine os Stories do Instagram, remova filtros que alteram a aparência física dos usuários, desative a reprodução automática de vídeos e restrinja as notificações que mantêm as pessoas presas às telas.

A acusação é direta: a Meta construiu seus serviços especificamente para viciar crianças e adolescentes. Os procuradores argumentam que a empresa projetou mecanismos de engajamento — aqueles pequenos recursos que fazem você voltar uma e outra vez — sabendo que causariam dano. Pior ainda, dizem que a Meta tinha pesquisas internas mostrando que o Instagram estava ligado a depressão, ansiedade, problemas com imagem corporal e até automutilação entre adolescentes, mas escondeu esses dados. Também coletou informações de crianças menores de 13 anos sem permissão dos pais.

O julgamento inicial acontece em Oakland, na Califórnia, com a Califórnia, Colorado, Kentucky e Nova Jersey liderando a ação coletiva que começou em 2023. Quatro estados saíram do processo por questões burocráticas, e outros 25 ainda podem mover disputas separadas. Os procuradores pedem medidas específicas: verificação parental obrigatória para adolescentes, mudanças nos algoritmos de recomendação, fim dos Stories, bloqueio de múltiplas contas usadas para contornar supervisão familiar e restrições à reprodução automática.

A Meta respondeu que as acusações "carecem de fundamentação" e chamou as demandas financeiras de "desproporcionais". A empresa disse que os estados não apresentaram provas de que moradores foram enganados e prometeu defender seu histórico de proteções para adolescentes. Mas a empresa já tem razões para se preocupar. No início de agosto, um juiz no Novo México condenou a Meta a pagar US$ 942 milhões por enganar usuários sobre ferramentas de segurança e falhar ao alertar sobre danos a crianças. O Novo México preferiu mover ação separada em vez de aderir ao processo coletivo dos 29 estados.

No Novo México, o juiz Bryan Biedscheid determinou medidas específicas: eliminar a contagem de curtidas para menores de 18 anos no Instagram e Facebook, bloquear o envio e recebimento de nudez por adolescentes e estabelecer limites de horário para notificações. Essas decisões apontam para o caminho que outros tribunais podem seguir.

O problema não é apenas americano. No Brasil, um decreto que regulamentou o ECA Digital proibiu em março o uso de design manipulativo — rolagem infinita, reprodução automática, notificações excessivas. A Autoridade Nacional de Proteção de Dados agora monitora plataformas, lojas de aplicativos e ferramentas de inteligência artificial para verificar se as empresas estão cumprindo as novas obrigações de proteção infantojuvenil. Na União Europeia, a Meta enfrenta investigação pela Lei de Serviços Digitais, que garante aos usuários o direito de compreender e modificar recomendações algorítmicas. Se as autoridades concluírem que a Meta usa interfaces manipulativas para restringir esse direito, as multas podem chegar a 6% do faturamento global anual — aproximadamente R$ 116 bilhões.

O que está em jogo é maior que uma empresa ou um produto. É a questão de como as plataformas digitais podem ser projetadas quando o público-alvo é vulnerável. Os adolescentes que usam Instagram não estão apenas vendo fotos de amigos. Estão sendo expostos a mecanismos de engajamento que foram deliberadamente construídos para manter sua atenção, com consequências que a própria Meta sabia serem prejudiciais. O processo nos EUA, a condenação no Novo México e as investigações no Brasil e na Europa sugerem que essa era de design sem restrições pode estar chegando ao fim.

As alegações carecem de fundamentação e as demandas financeiras são desproporcionais
— Meta, em nota oficial
A empresa enganou usuários sobre ferramentas de segurança e falhou ao alertar sobre danos a crianças
— Juiz Bryan Biedscheid, Novo México
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