No momento em que a pandemia ultrapassa 4,7 milhões de mortes, a farmacêutica Merck anuncia um comprimido experimental — o molnupiravir — capaz de reduzir para metade as hospitalizações e óbitos por covid-19 quando administrado nos primeiros dias de sintomas. É a primeira vez que um tratamento oral demonstra eficácia contra o coronavírus, abrindo uma possibilidade nova para aqueles que, por condição de saúde, estão mais expostos ao pior que a doença pode oferecer. A ciência avança, mas a prudência permanece: os dados ainda aguardam o escrutínio independente da comunidade científica.
Merck anuncia medicamento que reduz mortalidade e hospitalizações por covid-19 para metade
Será o primeiro comprimido eficaz contra o coronavírus
Porque é que este medicamento é tão diferente do que já existia?
Porque é um comprimido. Tudo o resto que temos contra a covid exige que vá a um hospital ou a uma clínica para receber uma injeção ou um soro. Isto muda a equação — as pessoas podem tomar isto em casa, nos primeiros dias de doença.
Mas há um problema: estes resultados ainda não foram revistos por pares. Sabemos o que a Merck diz, mas a comunidade científica ainda não validou os números.
É verdade. Mas os números são bastante claros no que foi divulgado: 7,3% versus 14,1%. É uma redução significativa.
E quanto aos efeitos secundários? Parecem seguros?
Os efeitos secundários ocorreram em ambos os grupos, e foram ligeiramente mais comuns no grupo do placebo. Mas a Merck não entrou em detalhes sobre o que eram.
Aí está outra lacuna. Não sabemos exatamente que problemas as pessoas tiveram. Isso é informação importante para alguém decidir se quer tomar o medicamento.
O medicamento funciona para toda a gente?
Não. Os testes mostraram que funciona bem para pessoas com covid ligeira a moderada nos primeiros cinco dias. Mas estudos anteriores indicam que não ajuda quem já está hospitalizado com doença grave.
Portanto, é um medicamento para evitar que as coisas piorem, não para salvar quem já está muito doente.
Quando é que as pessoas podem ter acesso a isto?
A Merck vai pedir autorização nos EUA e noutros países, mas ainda não há calendário definido. Tudo depende de como os reguladores avaliam os dados.
Il Polso
- Com mais de 4,7 milhões de mortes no mundo, a urgência por tratamentos acessíveis e eficazes nunca foi tão premente — e um simples comprimido pode mudar o jogo.
- O molnupiravir reduziu hospitalizações e mortes de 14,1% para 7,3% em doentes de risco elevado, e nenhum dos que o tomaram morreu durante os trinta dias de acompanhamento.
- Ao contrário de todos os tratamentos anteriores, que exigiam injeção ou administração intravenosa, este medicamento pode ser tomado em casa — o que representa uma mudança profunda na forma como a doença pode ser gerida.
- A Merck já prepara pedidos de autorização nos EUA e em todo o mundo, mas os resultados ainda não passaram por revisão por pares, deixando a comunidade científica sem acesso independente aos dados.
- Estudos anteriores indicam que o medicamento não beneficia doentes já hospitalizados com doença grave, reforçando que o seu valor está na intervenção precoce — nos primeiros cinco dias de sintomas.
No momento em que a pandemia ultrapassa 4,7 milhões de mortes, a farmacêutica Merck anuncia um comprimido experimental — o molnupiravir — capaz de reduzir para metade as hospitalizações e óbitos por covid-19 quando administrado nos primeiros dias de sintomas. É a primeira vez que um tratamento oral demonstra eficácia contra o coronavírus, abrindo uma possibilidade nova para aqueles que, por condição de saúde, estão mais expostos ao pior que a doença pode oferecer. A ciência avança, mas a prudência permanece: os dados ainda aguardam o escrutínio independente da comunidade científica.
A Merck anunciou que o seu medicamento experimental molnupiravir, desenvolvido em parceria com a Ridgeback Biotherapeutics, reduziu para metade as hospitalizações e mortes por covid-19 em ensaios clínicos. Trata-se de um marco significativo: será o primeiro tratamento oral eficaz contra o coronavírus, numa altura em que todos os outros exigiam administração intravenosa ou por injeção.
O ensaio acompanhou 775 adultos com covid-19 ligeira a moderada e risco elevado de complicações — doentes com obesidade, diabetes ou doenças cardíacas. Entre os que receberam o medicamento nos primeiros cinco dias de sintomas, apenas 7,3% foram hospitalizados ou morreram, e nenhum faleceu durante o período de trinta dias. No grupo placebo, essa proporção foi de 14,1%, com oito mortes registadas.
A empresa planeia solicitar autorização de comercialização às autoridades norte-americanas e a reguladores em todo o mundo. Há, porém, uma ressalva importante: os resultados ainda não foram submetidos a revisão por pares, o que significa que a comunidade científica não teve ainda oportunidade de os avaliar de forma independente.
Dados anteriores indicam que o molnupiravir não traz benefícios a doentes já hospitalizados com doença grave, o que reforça a sua vocação como ferramenta de intervenção precoce. Num mundo com mais de 4,7 milhões de mortes e 233 milhões de infeções confirmadas, um comprimido capaz de evitar que casos ligeiros se tornem críticos representaria um avanço considerável — se a aprovação regulatória e o escrutínio científico confirmarem o que os primeiros dados sugerem.
A farmacêutica Merck anunciou ontem que conseguiu reduzir para metade as hospitalizações e mortes causadas pela covid-19 com um novo medicamento experimental. O tratamento, desenvolvido em parceria com a Ridgeback Biotherapeutics, marca um ponto de viragem no combate à doença: será o primeiro comprimido eficaz contra o coronavírus, enquanto todos os tratamentos anteriores exigiam administração por via intravenosa ou injeção.
O medicamento chama-se molnupiravir e funciona melhor quando administrado nos primeiros cinco dias após o aparecimento dos sintomas. Nos testes clínicos, apenas 7,3% dos doentes que o receberam foram hospitalizados ou morreram no prazo de trinta dias — e nenhum faleceu durante esse período. Em contraste, entre os que tomaram placebo, 14,1% necessitaram de hospitalização ou morreram, com oito óbitos registados.
O ensaio acompanhou 775 adultos com covid-19 ligeira a moderada, todos considerados de risco elevado para complicações graves. Estes eram doentes com problemas de saúde subjacentes como obesidade, diabetes ou doenças cardíacas — precisamente o grupo que mais beneficia de uma intervenção precoce. Os efeitos secundários ocorreram em ambos os grupos, embora fossem ligeiramente mais frequentes entre quem recebeu o placebo, segundo a Merck, que não especificou a natureza desses problemas.
A empresa já anunciou que solicitará autorização de comercialização tanto às autoridades norte-americanas como aos reguladores de saúde em todo o mundo. Contudo, há uma ressalva importante: os resultados divulgados ainda não foram submetidos a revisão por pares. A Merck planeia apresentá-los numa conferência médica futura nos EUA, o que significa que a comunidade científica ainda não teve oportunidade de escrutinar independentemente os dados.
Um detalhe relevante emerge dos estudos anteriores: o molnupiravir não trouxe benefícios para doentes já hospitalizados com doença grave. Isto sugere que o seu valor reside precisamente naquilo que a Merck está a promover — uma intervenção precoce que evita a progressão para formas mais severas.
Este anúncio chega num momento em que a pandemia já causou mais de 4,7 milhões de mortes em todo o mundo, com mais de 233 milhões de infeções confirmadas. Embora a maioria dos pacientes recupere, uma percentagem significativa desenvolve sintomas prolongados que podem durar semanas ou meses. Um comprimido que reduz pela metade o risco de hospitalização ou morte, se aprovado, representaria uma ferramenta importante para evitar que casos ligeiros se transformem em situações críticas.
Citazioni salienti
Será o primeiro comprimido com bons resultados contra a covid-19. Até agora todos os tratamentos que existem contra a doença são administrados por via intra-venosa ou por injeção.— Merck