Em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, uma conversa capturada em um celular tornou-se o fio que desenovelou um suposto esquema de desvio de recursos públicos destinados ao transporte de crianças — talvez a imagem mais simbólica da confiança que uma comunidade deposita em seus governantes. A Polícia Federal, seguindo esse rastro digital, deflagrou a Operação Faixa Amarela para investigar contratos que somam mais de R$ 62 milhões e que teriam sido corrompidos por conluio entre empresários e servidores municipais desde 2020. O caso revela como investigações se encadeiam — uma operação aliment
Mensagens em celular disparam operação da PF sobre fraudes em contratos de R$ 62 mi
Mensagens em um celular abriram caminho para suspeitas de R$ 62 milhões em desvios
Como é que mensagens em um celular levam a uma operação dessa escala?
Elas foram encontradas durante a Operação Anáfora, que investigava contratos da Saúde. Aquelas conversas sugeriram um padrão maior de desvios — daí nasceu a Faixa Amarela, focada em transporte escolar.
Mas a gente sabe o conteúdo dessas mensagens? O que exatamente elas diziam?
A reportagem não detalha. Sabemos que acenderam um alerta, mas não temos a substância das conversas.
E quanto ao ex-prefeito Washington Reis — ele está sendo acusado formalmente?
Não. Ele nega irregularidades e diz que tudo foi feito por pregão eletrônico. A PF o investigava desde 2022, mas não há acusação formal mencionada aqui.
Então temos suspeitas, investigação em curso, mas nenhuma condenação ou acusação formal ainda.
Correto. É uma operação em andamento.
Quem é a empresa no centro disso tudo?
A Ilhas Transporte. Ela venceu os pregões de transporte escolar e é apontada como parte do esquema.
E há provas de que ela realmente superfaturou, ou é só a suspeita da PF?
A investigação aponta para isso, mas a reportagem não traz documentação específica — ainda é investigação.
O dinheiro encontrado embaixo do sofá — R$ 450 mil — está ligado a esse esquema de transporte escolar?
Não está claro. Aquele dinheiro foi encontrado em junho, durante a segunda fase da Anáfora, que focava lavagem de dinheiro. Pode estar ligado ao esquema de Saúde ou ao de transporte, ou a ambos.
The Pulse
- Uma mensagem encontrada em um celular apreendido meses antes foi o estopim que levou a PF a deflagrar a Operação Faixa Amarela contra fraudes em contratos de transporte escolar avaliados em mais de R$ 62 milhões.
- O esquema suspeito envolve superfaturamento de licitações, organização criminosa e lavagem de dinheiro, com a empresa Ilhas Transporte no centro das investigações e servidores públicos municipais como possíveis cúmplices.
- A operação expõe o clã político dos Reis: o ex-prefeito Washington Reis, já alvo da Operação Anáfora em 2022, nega irregularidades, enquanto a prefeitura atual — comandada por seu sobrinho — insiste que todos os contratos foram licitados e auditados.
- Durante buscas anteriores ligadas ao mesmo clã, agentes encontraram R$ 450 mil em dinheiro vivo escondidos embaixo de um sofá — detalhe que condensa a materialidade de um esquema que as autoridades investigam há anos.
- A investigação avança em camadas: da Secretaria de Saúde à Secretaria de Educação, de 2022 a 2026, cada fase revelando novos endereços, novos contratos e novas suspeitas sobre o uso do erário municipal.
Em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, uma conversa capturada em um celular tornou-se o fio que desenovelou um suposto esquema de desvio de recursos públicos destinados ao transporte de crianças — talvez a imagem mais simbólica da confiança que uma comunidade deposita em seus governantes. A Polícia Federal, seguindo esse rastro digital, deflagrou a Operação Faixa Amarela para investigar contratos que somam mais de R$ 62 milhões e que teriam sido corrompidos por conluio entre empresários e servidores municipais desde 2020. O caso revela como investigações se encadeiam — uma operação alimentando a próxima — e como o dinheiro público, quando desviado, deixa marcas que o tempo não apaga.
Uma conversa capturada em um celular apreendido meses antes abriu o caminho para a Operação Faixa Amarela, deflagrada pela Polícia Federal contra um suposto esquema de fraudes em contratos de transporte escolar da prefeitura de Duque de Caxias. As mensagens foram encontradas durante a Operação Anáfora, em junho, e levaram os investigadores a suspeitar de um desvio organizado que teria movimentado mais de R$ 62 milhões ao longo de três anos.
A PF acredita que o esquema teve início em 2020, na gestão do ex-prefeito Washington Reis, do MDB. Reis nega qualquer irregularidade e afirma que a empresa vencedora participou de um pregão eletrônico regular. A prefeitura atual, comandada por Netinho Reis — sobrinho do ex-prefeito —, sustenta que todos os contratos foram devidamente licitados e auditados. A operação de busca e apreensão na Secretaria de Educação, segundo a administração municipal, se limitou a um processo administrativo ligado a uma licitação de 2019.
No centro das investigações está a empresa Ilhas Transporte, suspeita de participar de um conluio com servidores públicos para superfaturar licitações e desviar recursos. Os crimes investigados incluem organização criminosa, fraude à licitação, peculato e lavagem de dinheiro. Na terça-feira, doze endereços em Duque de Caxias e na capital foram alvo de buscas, com agentes recolhendo cópias de contratos na Secretaria de Educação.
A história que desembocou na Operação Faixa Amarela começou em 2022, quando a Operação Anáfora foi lançada para investigar contratos da Secretaria de Saúde — tendo Washington Reis como principal alvo, à época candidato a vice-governador do Rio. A Justiça Eleitoral barrou sua candidatura. Em junho, a PF voltou a endereços ligados ao clã político, desta vez focando em lavagem de dinheiro. Em um dos locais, encontrou R$ 450 mil em dinheiro vivo escondidos embaixo de um sofá.
Uma conversa capturada em um celular apreendido meses antes abriu caminho para a Operação Faixa Amarela, deflagrada na quinta-feira pela Polícia Federal contra um esquema suspeito de fraudes em contratos de transporte escolar da prefeitura de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. As mensagens encontradas no aparelho — recolhido durante uma ação anterior chamada Operação Anáfora, em junho — despertaram a atenção dos investigadores e os levaram a suspeitar de um desvio organizado de recursos públicos que teria movimentado mais de R$ 62 milhões ao longo de três anos.
Os policiais federais acreditam que o esquema começou em 2020, durante a gestão do ex-prefeito Washington Reis, do MDB. Reis nega qualquer irregularidade e afirmou à VEJA que a empresa vencedora participou de um pregão eletrônico regular. A prefeitura, atualmente sob comando de Netinho Reis, sobrinho do ex-prefeito e também do MDB, emitiu nota sustentando que todos os contratos foram devidamente licitados e auditados pelos tribunais de contas. Segundo a administração municipal, a operação de busca e apreensão na Secretaria de Educação se limitou a um processo administrativo relacionado a uma licitação aberta em 2019.
A investigação aponta para um conluio entre empresários e servidores públicos com o objetivo de superfaturar licitações e desviar recursos. A empresa contratada identificada é a Ilhas Transporte. Os crimes que a PF investiga incluem organização criminosa, fraude à licitação, peculato e lavagem de dinheiro. Na terça-feira, como desdobramento da Operação Anáfora, doze endereços em Duque de Caxias e na capital foram alvo de buscas. Os agentes estiveram na Secretaria de Educação para obter cópia dos contratos.
O caminho que levou até a operação de hoje começou em 2022, quando a primeira fase da Operação Anáfora foi lançada para investigar contratos da Secretaria de Saúde do município. Washington Reis era o principal alvo naquela época — e também era candidato a vice-governador do Rio de Janeiro na chapa de Cláudio Castro, do PL. A Justiça Eleitoral barrou sua candidatura, obrigando sua substituição. Em junho, a PF retornou a endereços comerciais e residenciais ligados ao clã político, desta vez focando em lavagem de dinheiro. Em um dos locais, os policiais encontraram R$ 450 mil em dinheiro vivo embaixo de um sofá.
Notable Quotes
A prefeitura afirmou que todos os contratos foram devidamente licitados e reiteradamente auditados pelos tribunais de contas— Procuradoria Geral do Município de Duque de Caxias
Washington Reis disse que a empresa contratada venceu um pregão eletrônico— Ex-prefeito Washington Reis