Menina de 2 anos morre com sinais de tortura no Rio; pai e madrasta são presos

Morte de criança de 2 anos vítima de tortura sistemática, com 59 lesões documentadas pelo corpo.
Cinquenta e nove lesões, algumas já cicatrizadas, outras ainda abertas
O corpo de Quenia Gabriela, de dois anos, chegou morto ao hospital com marcas de violência prolongada.
Mark

Como uma criança com tantas lesões visíveis — a creche as viu, o hospital as viu — continuou naquela casa?

Mimi

Essa é a pergunta que vai perseguir essa investigação. A creche chegou a proibir a entrada dela, mas não havia mecanismo legal que impedisse os pais de levá-la embora. O sistema de proteção à criança tem brechas.

Mark

A madrasta alegou uma queda de sofá. Cinquenta e nove lesões de uma queda?

Mimi

Não. Mas é o que ela disse. O padrão das feridas — algumas cicatrizadas, outras recentes, distribuídas por todo o corpo — fala de algo muito diferente. Fala de tempo. De repetição.

Mark

E o pai? Ele disse o quê?

Mimi

Que cuidava dela desde os três meses. Que ela não comia, vomitava. Negou as agressões. Mas estava ali quando ela morreu.

Mark

Havia um registro anterior, certo? Outro ferimento?

Mimi

Sim. Meses antes, um corte profundo no couro cabeludo. Patricia disse que uma louça caiu. Ninguém conectou os pontos na época.

Mark

O que a creche viu?

Mimi

Lesões óbvias. O suficiente para questionar e proibir a entrada. Mas proibir não é o mesmo que proteger. A criança saiu dali e voltou para casa.

Mark

E agora?

Mimi

Agora há uma morte documentada, cinquenta e nove lesões documentadas, e uma investigação que vai tentar entender por que ninguém conseguiu salvar essa menina antes.

  • Quenia Gabriela, de apenas dois anos, chegou morta a uma clínica na zona oeste do Rio com 59 lesões documentadas — queimadura, cortes, hematomas espalhados por todo o corpo.
  • Pai e madrasta foram presos em flagrante, mas apresentaram explicações inverossímeis: uma queda de sofá e problemas para se alimentar justificariam décadas de marcas no corpo de uma criança.
  • A creche onde Quenia estava matriculada já havia notado as lesões, questionado os responsáveis e chegado a proibir sua entrada — um sinal de alerta que não foi suficiente para acionar uma resposta protetora eficaz.
  • A investigação agora mira dois alvos: a responsabilidade criminal dos adultos que cuidavam da menina e as possíveis falhas institucionais que deixaram uma criança visualmente ferida continuar exposta ao perigo.

No Rio de Janeiro, uma menina de dois anos chegou sem vida a uma clínica com cinquenta e nove marcas de violência no corpo — cicatrizes antigas e feridas recentes que contavam, em silêncio, uma história de sofrimento prolongado. Seu pai e sua madrasta foram presos em flagrante, mas negaram as agressões. O caso expõe não apenas uma crueldade doméstica, mas a fragilidade das redes que deveriam proteger as crianças mais vulneráveis antes que o irreparável aconteça.

Na tarde de quinta-feira, 9 de março, uma menina de dois anos deu entrada morta na Clínica da Família Hans Jurgen Fernando Dohmann, em Guaratiba, zona oeste do Rio de Janeiro. Quenia Gabriela Oliveira Matos de Lima havia sido levada pelo pai, Marcos Vinicius Lino, de 28 anos, e pela madrasta, Patricia André Ribeiro, de 23 anos. A médica que a recebeu encontrou no pequeno corpo cinquenta e nove lesões: dezessete no abdômen, dezesseis nas costas, doze no rosto, além de uma queimadura no umbigo. Algumas marcas já estavam cicatrizadas. Outras, ainda abertas.

A polícia foi acionada imediatamente. Marcos e Patricia foram presos em flagrante por tortura. Na delegacia, os dois negaram as agressões. O pai disse que a menina não se alimentava e vomitava há dias. A madrasta atribuiu os ferimentos a uma queda do sofá. A delegada Márcia Helena Julião, da 43ª DP, documentou cada lesão — seu padrão, sua localização, a mistura de feridas antigas e recentes — como evidência de uma violência repetida, não de um acidente isolado.

O histórico de Quenia tornava o quadro ainda mais perturbador. A creche onde estava matriculada havia notado as lesões visíveis no corpo da menina e questionado os responsáveis. A instituição chegou a proibir sua entrada enquanto ela não fosse avaliada por um médico. Meses antes, em novembro, a mesma criança havia sido atendida na mesma clínica com um corte de cinco centímetros no couro cabeludo — na época, Patricia explicou que uma louça havia caído na cabeça da enteada.

O corpo de Quenia foi encaminhado ao Instituto Médico Legal de Campo Grande para autópsia. A investigação agora busca entender não apenas o que aconteceu dentro daquela casa, mas por que os sinais visíveis de violência não foram suficientes para tirá-la de lá a tempo.

Uma menina de dois anos chegou morta a um hospital na zona oeste do Rio de Janeiro na tarde de quinta-feira, 9 de março. Seu corpo carregava as marcas de uma violência prolongada e sistemática: cinquenta e nove lesões espalhadas pela pele, algumas já cicatrizadas, outras ainda abertas. Dezessete delas no abdômen. Dezesseis nas costas. Doze no rosto. Sete nas pernas. Seis nos braços. E uma queimadura no umbigo. Quenia Gabriela Oliveira Matos de Lima tinha apenas dois anos de vida.

Ela foi levada à Clínica da Família Hans Jurgen Fernando Dohmann por seu pai, Marcos Vinicius Lino, de 28 anos, e pela madrasta, Patricia André Ribeiro, de 23 anos. Uma médica que a atendeu viu o que ninguém deveria ver em uma criança tão pequena e acionou a polícia. O pai e a madrasta foram presos em flagrante, acusados de tortura. Na delegacia, ambos negaram ter agredido a menina. Marcos disse que ela não se alimentava e vomitava havia pelo menos três dias. Patricia alegou que Quenia havia caído do sofá — uma queda que, segundo ela, havia acontecido quando a criança subiu em uma cadeira que estava sobre o móvel.

Mas havia um histórico. Quenia estava matriculada em uma creche desde o mês anterior. A direção da instituição havia notado as lesões no corpo da menina e questionado os responsáveis sobre elas. A creche chegou a proibir a entrada de Quenia enquanto não fosse levada a um médico. Meses antes, em novembro do ano anterior, a mesma criança havia sido atendida na mesma clínica com um corte de cinco centímetros no couro cabeludo. Na época, Patricia informou que uma louça havia caído na cabeça da enteada.

A delegada Márcia Helena Julião, titular da 43ª Delegacia de Polícia em Guaratiba, documentou cada uma das cinquenta e nove lesões. O padrão de ferimentos — sua localização, sua variedade, o fato de algumas estarem cicatrizadas enquanto outras eram recentes — sugeria não um acidente, mas uma sequência de agressões ao longo do tempo. O corpo foi transferido para o Instituto Médico Legal de Campo Grande para autópsia.

Em seu depoimento, Marcos afirmou que cuidava de Quenia desde quando ela tinha três meses de vida. Patricia contou que a mãe biológica da menina havia pedido pensão, mas Marcos se recusou a pagar. Os dois concordaram que a guarda ficaria com o pai. A Secretaria Municipal de Saúde confirmou que Quenia chegou morta à clínica e que a polícia foi acionada imediatamente devido aos sinais evidentes de violência. A investigação agora apura não apenas as circunstâncias da morte, mas também as falhas que permitiram que uma criança com lesões visíveis continuasse sob os cuidados de quem a agredia.

A criança apresentava 59 lesões pelo corpo, entre já cicatrizadas e recentes, sendo 17 no abdômen, 16 no dorso, 12 no rosto, sete nas pernas e seis nos braços
— Delegada Márcia Helena Julião, titular da 43ª DP (Guaratiba)
A creche chegou a questionar as lesões que a criança tinha, e Patrícia afirma que ela pegou uma cadeira, colocou sobre o sofá e caiu
— Investigação policial
Contáctanos FAQ