Ser sua amiga certamente não ajudou minha popularidade
Em um sábado de junho, a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni e o presidente americano Donald Trump trocaram acusações públicas que revelam o colapso de uma aliança que parecia sólida. O que começou como afinidade ideológica entre dois líderes de direita transformou-se em disputa sobre bases militares, soberania nacional e vaidade política — com o pano de fundo de uma guerra no Irã e economias sob pressão. A crise entre Roma e Washington lembra que alianças pessoais entre governantes são frágeis quando os interesses nacionais divergem e os custos domésticos sobem.
- Trump acusou Meloni de buscar uma foto com ele no G7 para disfarçar sua queda nas pesquisas — ela respondeu chamando os ataques de 'sem sentido e constantes', e sugeriu que ele olhasse para sua própria aprovação de 35%.
- A recusa italiana em ceder bases militares para operações americanas contra o Irã foi o gatilho imediato da ruptura, com Trump descrevendo a decisão como ingratidão diante de bilhões gastos pelos EUA na defesa da OTAN.
- A crise escalou rapidamente: o chanceler italiano Antonio Tajani cancelou viagem aos EUA e reunião com Marco Rubio, enquanto aliados de Meloni afirmaram que Trump havia tornado os Estados Unidos impopulares em toda a Europa.
- O desgaste vinha de abril, quando Trump chamou o papa Leão XIV de 'fraco' por condenar a guerra — Meloni reagiu publicamente, e analistas interpretaram o movimento como uma separação estratégica calculada para proteger sua base eleitoral.
- O que resta é uma aliança desfeita em praça pública, com imagens de um sofá no G7 que agora parecem pertencer a outro tempo político.
Na tarde de 20 de junho, Giorgia Meloni publicou no Instagram uma resposta direta a Donald Trump: ser amiga do presidente americano, ela escreveu, certamente não havia ajudado sua popularidade. A frase encapsulava semanas de tensão crescente entre os dois líderes que, até pouco tempo atrás, eram vistos como aliados naturais da direita ocidental.
Tudo começou quando Trump reiterou em sua rede social que Meloni o havia procurado insistentemente para uma foto durante o G7 na França, alegando que ela precisava melhorar seus números políticos. Meloni negou, classificou os ataques como 'constantes e não provocados' e devolveu a provocação apontando a aprovação de Trump, que havia caído para 35%. Trump havia sido explícito em sua publicação: acusou Meloni de rejeitar os Estados Unidos ao se recusar a autorizar o uso de bases militares italianas para operações contra o Irã, chamando a decisão de 'grande inconveniente logístico'. Depois da vitória militar americana, sugeriu, ela queria voltar a ser amiga. 'Não, obrigado', escreveu ele.
Meloni respondeu que sua prioridade era o interesse nacional italiano e que a Itália continuava sendo uma nação soberana. Mas a crise já havia se alastrado. O chanceler Antonio Tajani cancelou uma viagem aos Estados Unidos onde se encontraria com o secretário de Estado Marco Rubio, afirmando que as palavras de Trump ofendiam toda a Itália. O subsecretário Fazzolari foi mais longe, dizendo que Trump havia conseguido tornar os EUA impopulares em todo o continente europeu.
O desgaste, porém, havia começado antes. Em abril, Trump criticou o papa Leão XIV por ser 'fraco' ao condenar a guerra no Irã. Meloni reagiu publicamente, e Trump respondeu dizendo que ela 'não era mais a mesma pessoa'. Analistas sugeriram que a premiê havia aproveitado o momento para marcar um afastamento estratégico de Trump, em meio a pesquisas que indicavam queda de popularidade de ambos entre os eleitores italianos. O que havia sido uma aliança próxima transformou-se em uma série de acusações públicas — e o sofá do G7 onde os dois conversavam reservadamente parece pertencer, agora, a um passado distante.
No sábado, 20 de junho, Giorgia Meloni, primeira-ministra da Itália, respondeu publicamente a Donald Trump com uma frase que resumia semanas de tensão crescente entre os dois líderes: ser amiga dele, ela disse, certamente não havia ajudado sua popularidade. A resposta veio após Trump reiterar em uma rede social uma acusação que já havia feito em entrevista — que Meloni o havia procurado insistentemente para tirar uma foto durante a cúpula do G7 na França porque seus números políticos estavam em queda. Meloni havia negado isso antes. Agora, no Instagram, ela chamou os ataques de Trump de "sem sentido" e "constantes e não provocados", e sugeriu que o presidente americano se concentrasse em sua própria aprovação, que havia caído para 35% segundo pesquisas recentes.
O contexto dessa troca de farpas revelava uma América em dificuldades. Trump enfrentava os custos elevados de uma guerra contra o Irã, inflação doméstica agravada por uma crise econômica global ligada ao conflito, e uma base republicana em retirada. Meloni, por sua vez, havia se recusado a autorizar o uso de bases militares italianas para operações americanas contra o Irã — uma decisão que Trump descreveu como ingrata, considerando que os Estados Unidos gastavam centenas de bilhões de dólares por ano para proteger a Itália e outros aliados da OTAN.
Na mesma publicação na Truth Social, Trump havia sido explícito. Escreveu que Meloni pedira várias vezes por uma foto com ele, que sua popularidade estava em baixa na Itália, e que ela havia rejeitado os Estados Unidos quando se tratava de impedir que o Irã desenvolvesse armas nucleares. Acrescentou que ela nem sequer havia permitido que os americanos usassem pistas de pouso italianas, criando "um grande inconveniente logístico". Depois que os Estados Unidos derrotaram o Irã militarmente, Trump sugeriu, Meloni queria voltar a ser amiga para melhorar seus números. "Não, obrigado", escreveu ele.
Meloni respondeu que sua prioridade era defender o interesse nacional da Itália e que o país continuava sendo uma nação soberana. Mas a crise diplomática se aprofundou rapidamente. Antonio Tajani, ministro das Relações Exteriores italiano, cancelou uma viagem aos Estados Unidos marcada para a semana seguinte, onde se encontraria com o secretário de Estado Marco Rubio. Em uma publicação na rede X, Tajani disse que as palavras de Trump ofendiam toda a Itália. Giovanbattista Fazzolari, subsecretário do gabinete de Meloni, foi além, afirmando que com seus "rompantes inadequados", Trump havia conseguido tornar os Estados Unidos impopulares em todo o continente europeu.
O desgaste entre os dois líderes não havia começado com a questão das bases militares. Em abril, Trump havia criticado o papa Leão XIV por ser "fraco" ao condenar a guerra no Irã. Meloni respondeu que considerava inaceitáveis as palavras do presidente em relação ao Santo Padre. Trump, chocado com a reação, disse em entrevista ao Corriere della Sera que Meloni havia perdido a postura firme e que "ela não é mais a mesma pessoa, e a Itália nunca mais será o mesmo país". Analistas ouvidos pelo The New York Times sugeriram que Meloni havia aproveitado o contexto para marcar publicamente um afastamento de Trump, em meio a pesquisas que indicavam queda na popularidade de ambos entre eleitores italianos.
O que começou como uma aliança política próxima havia se transformado em uma série de acusações públicas, cancelamentos diplomáticos e críticas que ecoavam além das capitais. Imagens do G7 mostravam Meloni e Trump sentados lado a lado em um sofá, em conversa reservada — um momento que Trump depois descreveria como algo feito apenas para agradar a líder italiana. Agora, aquele sofá parecia estar muito longe.
Notable Quotes
Esses ataques constantes e não provocados são sem sentido. De qualquer forma, minha popularidade não é da sua conta.— Giorgia Meloni, primeira-ministra da Itália
As palavras graves e ofensivas do presidente Trump em relação à primeira-ministra Giorgia Meloni ofendem toda a Itália.— Antonio Tajani, ministro das Relações Exteriores italiano
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que Meloni decidiu responder publicamente agora, em vez de deixar passar?
Porque Trump não deixou passar. Ele continuou repetindo a acusação nas redes sociais, transformando uma questão privada em um ataque público à credibilidade dela. Em algum ponto, o silêncio vira cumplicidade.
Mas há algo real por trás da acusação? Ela realmente pediu uma foto?
Meloni nega categoricamente. E as imagens do G7 mostram os dois conversando, mas isso não prova nada sobre motivações. O que importa é que Trump está usando isso como arma em um momento em que sua própria aprovação está em queda.
Então isso é sobre política doméstica americana, não sobre a Itália?
É sobre ambos. Trump está fraco em casa, Meloni está fraca na Itália. Mas ela viu uma oportunidade de se distanciar dele publicamente, de mostrar que a Itália não é vassala americana. Isso resgata credibilidade com eleitores italianos.
E quanto às bases militares? Isso é legítimo para Trump reclamar?
Sim, é uma questão real. Mas Trump a enquadra como ingratidão, quando na verdade é Meloni exercendo soberania. Ela não quer que a Itália seja vista como um porta-aviões americano. Há uma diferença.
Isso vai piorar?
Provavelmente. Quando dois líderes começam a se responder publicamente nas redes sociais, não é um sinal de que as coisas vão melhorar. O cancelamento da reunião entre os chanceleres é um sintoma de que isso virou oficial.