O projeto promete 4.200 empregos e impacto de US$ 688 milhões anuais na economia local, com operação prevista para 2028. Moradores enfrentam escassez de água crônica e temem que o centro de dados agrave a situação, apesar de promessas do Google sobre refrigeração a ar.
Megacentro de dados do Google na Índia promete receitas, mas gera temores ambientais
Os dados não se bebem
Por que exatamente a água é a preocupação central aqui? Não é apenas sobre consumo direto de refrigeração?
Não. Vizag já enfrenta escassez crônica. Mesmo que o Google use refrigeração a ar, há consumo indireto — operações, limpeza, necessidades dos trabalhadores. E uma das áreas fica perto de um aquífero importante.
Mas o Google prometeu compensar 120% da água usada até 2030. Isso não é verificável?
Tecnicamente sim, mas "água usada em operações" é uma categoria vaga. E compensação não é a mesma coisa que preservação local. Você pode compensar em outro lugar e deixar o aquífero seco.
E os empregos? 4.200 postos durante a construção parece significativo.
Durante a construção. Depois, quando o centro estiver operando, quantos empregos permanecem? O Google não detalhou isso.
Exatamente. A promessa de emprego é de curto prazo. Os impactos ambientais são de longo prazo. Não há simetria.
Os agricultores foram compensados de forma justa?
Chandala Sadamma vendeu 0,8 hectare por US$ 82 mil. Sem saber para quem. Sem negociação real.
Mas como você avalia se foi justo? Qual era o preço de mercado para terra agrícola em Tarluvada naquele momento?
Boa pergunta. A reportagem não diz. O que sabemos é que ela chora ao olhar para a terra agora.
E as promessas de energia limpa do Google — são concretas?
Não. "Investirá em novos projetos de energia limpa" é vago. Quanto? Onde? Quando? Nada disso está especificado.
É a linguagem corporativa padrão. Sons reconfortantes, mas sem compromissos mensuráveis.
Il Polso
- Investimento de US$ 15 bilhões em centro de dados com capacidade de um gigawatt
- Promessa de 4.200 empregos na construção e impacto de US$ 688 milhões anuais
- Operação prevista para 2028 em Visakhapatnam, Índia
- Região já enfrenta escassez crônica de água; uma área fica próxima a aquífero importante
- Agricultora vendeu 0,8 hectare por US$ 82 mil sem saber do destino da terra
O projeto promete 4.200 empregos e impacto de US$ 688 milhões anuais na economia local, com operação prevista para 2028. Moradores enfrentam escassez de água crônica e temem que o centro de dados agrave a situação, apesar de promessas do Google sobre refrigeração a ar.
O Google planeja instalar seu maior centro de dados fora dos EUA em Visakhapatnam, Índia, com investimento de US$ 15 bilhões, mas moradores e ambientalistas temem impactos sobre recursos hídricos e meio ambiente.
Em Visakhapatnam, no sudeste da Índia, cartazes de protesto cobrem as ruas. Um deles traz a frase simples: "Os dados não se bebem". Em outro, o logotipo do Google aparece algemado. A mensagem é clara — a cidade está dividida sobre o futuro que a gigante americana de tecnologia quer construir ali.
O Google escolheu Visakhapatnam, também conhecida como Vizag, para abrigar seu maior centro de dados fora dos Estados Unidos. O projeto representa um investimento de cerca de US$ 15 bilhões e terá capacidade energética de um gigawatt, destinado a alimentar seus sistemas de inteligência artificial. A localização não é acidental. Vizag é o ponto de entrada na Índia dos cabos submarinos de internet que conectam o país a Cingapura, tornando-a estratégica para operações de dados em larga escala. O terreno escolhido ocupa uma área equivalente a mais de 340 campos de futebol.
O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, recebeu o anúncio com entusiasmo, vendo nele uma oportunidade de inserir plenamente o país na corrida global pela inteligência artificial. O Google promete 4.200 empregos durante a fase de construção e um impacto econômico anual de US$ 688 milhões na região. A previsão é que a instalação comece a operar em 2028. Mas essa narrativa de progresso não encontra o mesmo apoio entre os moradores.
A preocupação central gira em torno da água. Vizag já enfrenta escassez crônica, e o centro de dados — mesmo com promessas de refrigeração avançada por ar — levanta questões sobre consumo futuro de recursos hídricos. Uma das três áreas escolhidas pelo Google fica ao lado de uma reserva natural. Outra está próxima de um importante aquífero. Ambientalistas e moradores levaram o caso à Justiça, pedindo uma suspensão na construção até que avaliações independentes de impactos sociais e ambientais sejam realizadas. Gutta Rohith, do Fórum de Direitos Humanos, questiona a própria escolha: "Os Estados Unidos têm uma costa imensa. Poderiam ter instalado o centro lá. Por que vêm para cá?"
O impacto humano é tangível. Em Tarluvada, Chandala Sadamma, uma agricultora de 50 anos, vendeu seu terreno de 0,8 hectare — onde cultivava mangas e castanhas de caju — por pouco mais de US$ 82 mil, sem saber que seria destinado ao Google. Hoje, observando as escavadeiras no local, ela diz: "Quando olho para esta terra, dá vontade de chorar". Gubbala Ramanamma, comerciante de 57 anos, aponta para um poço seco enquanto fala sobre a escassez de água que já afeta sua comunidade. E.A.S. Sarma, ex-funcionário público, invoca a história: "Civilizações inteiras desapareceram por causa da escassez de água".
O Google, por sua vez, oferece garantias. Alexander Smith, chefe de Infraestrutura e Energia do Google para a região Ásia-Pacífico, declarou que o investimento representa um "compromisso para várias décadas" e que a empresa se comportará como uma "boa vizinha". A empresa promete não utilizar água para resfriar seus sistemas, recorrendo a um mecanismo avançado de refrigeração a ar. Para a água consumida em outras operações, o Google se compromete a compensar 120% do volume utilizado até 2030. A empresa também investirá em novos projetos de energia limpa.
Mas as promessas não dissipam a ansiedade. O Google não é o único a ver potencial em Vizag. O grupo americano Digital Realty, em parceria com o conglomerado indiano Reliance Industries e a Brookfield, está investindo US$ 11 bilhões em outro centro de dados na mesma região, destinado ao treinamento de modelos de inteligência artificial. A enxurrada de investimentos tecnológicos sobre uma região já vulnerável a crises hídricas coloca em questão se as promessas corporativas serão suficientes para proteger os recursos e as comunidades que dependem deles.
Citazioni salienti
Os Estados Unidos têm uma costa imensa. Poderiam ter instalado o centro lá. Por que vêm para cá?— Gutta Rohith, Fórum de Direitos Humanos
Quando olho para esta terra, dá vontade de chorar— Chandala Sadamma, agricultora desapropriada
Civilizações inteiras desapareceram por causa da escassez de água— E.A.S. Sarma, ex-funcionário público