Canetas emagrecedoras são eficazes quando usadas com receita médica, acompanhamento nutricional e exercícios físicos, podendo resultar em perda de até 23% do peso corporal. A Anvisa emitiu alerta sobre riscos incluindo pancreatite aguda e sarcopenia, além do crescente problema de medicamentos falsificados e contrabandeados no mercado.
Médicos alertam sobre riscos de canetas emagrecedoras sem acompanhamento profissional
Virou festa injetar medicamento que você não tem noção da procedência
Por que as canetas emagrecedoras funcionam tão bem quando usadas corretamente, mas falham quando as pessoas as usam sozinhas?
Porque a medicação sozinha não resolve nada. Ela atua no hipotálamo, que controla a fome, mas o corpo é muito mais complexo que isso. Você precisa de nutricionista, de exercício físico, de mudança real de hábitos. A caneta é apenas uma ferramenta. Sem o resto, é como tentar consertar um carro só trocando o óleo.
E por que as pessoas arriscam usar medicamentos falsificados? Não entendem o perigo?
Acho que é uma mistura de desesperação, falta de informação e a sensação de que "todo mundo está fazendo". Virou festa, como disse a médica. Ninguém quer acreditar que aquilo que está injetando pode ser perigoso. Até que acontece algo grave.
O caso da jovem internada—isso é raro ou está ficando comum?
A médica atende muitos casos graves de obesidade. Esse foi um dos piores que ela viu. Não é raro o suficiente para ignorar, mas também não é tão comum que as pessoas levem a sério. É exatamente esse espaço perigoso que preocupa os médicos.
Luciano perdeu 44 quilos em quatro meses. Isso é seguro?
Quando feito com acompanhamento médico, nutricional e físico, sim. O risco é quando a perda é rápida mas sem musculação e proteína adequada. Aí você perde músculo junto com gordura, fica fraco, a pele sobra. Luciano entendeu isso e começou a treinar.
Ele disse que nunca gostou de exercício. Como convence alguém assim a fazer musculação?
Você não convence com discurso. Você mostra consequência. Se você emagrece rápido sem musculação, seu corpo fica fraco, flácido. Luciano viu isso acontecer com outras pessoas e decidiu que não queria passar por isso. Começou a jogar futebol, que gosta, e entendeu que a musculação é necessária, não opcional.
O Pulso
- Luciano Antoneli Ribeiro perdeu 44 quilos em 4 meses (outubro 2025 a fevereiro 2026) com acompanhamento médico
- Anvisa emitiu alerta em fevereiro de 2026 sobre riscos de pancreatite aguda com medicamentos GLP-1
- Uma jovem foi internada por mais de 15 dias após usar medicamento emagrecedor falsificado
- Medicamentos GLP-1 podem resultar em perda de até 23% do peso corporal quando usados corretamente
Canetas emagrecedoras são eficazes quando usadas com receita médica, acompanhamento nutricional e exercícios físicos, podendo resultar em perda de até 23% do peso corporal. A Anvisa emitiu alerta sobre riscos incluindo pancreatite aguda e sarcopenia, além do crescente problema de medicamentos falsificados e contrabandeados no mercado.
Especialistas destacam a importância do acompanhamento médico no uso de medicamentos agonistas GLP-1 para emagrecimento, alertando sobre riscos de pancreatite, perda de massa muscular e uso de medicamentos falsificados ou contrabandeados.
A luta contra o peso é uma realidade que atinge a maioria das pessoas, mas para muitos vai além da vaidade. Em determinado momento, o corpo começa a cobrar o preço: pressão alta, colesterol elevado, gordura no fígado, diabetes. A obesidade é uma doença, e como tal, exige tratamento. Dieta e exercício são o caminho clássico, mas a realidade biológica é mais complexa do que parece.
Segundo a endocrinologista Larissa Teles Sanches, 85% da população herda genes que favorecem o acúmulo de peso ao longo da vida. Nossos ancestrais sobreviveram a períodos de fome, pobreza, doenças e guerras. Quem chegou até aqui foi porque tinha o corpo programado para poupar energia, para guardar calorias. Hoje, com essa herança genética, 60% dos brasileiros têm sobrepeso e mais de 20% vivem com obesidade. Não é apenas uma questão de disciplina ou estilo de vida. É seleção natural trabalhando contra nós.
Luciano Antoneli Ribeiro, empresário de 39 anos, carrega essa história no corpo. Desde a adolescência acima do peso, aos 24 anos atingiu seu pico: 145 quilos. Em 2010, submeteu-se à cirurgia bariátrica e perdeu 45 quilos, chegando a 100 quilos. Mas sem mudança de hábitos, o corpo não mantém a vitória. Ao longo dos anos, recuperou 26 quilos, chegando a 126 quilos. O que o moveu a tentar novamente não foi o espelho. Foram seus filhos, de 13 e 16 anos. Perdeu o pai aos 53 anos quando era criança. Sua mãe ficou viúva aos 38. Sua esposa tem 39. Ele não queria que seus filhos passassem pela mesma dor.
Em outubro de 2025, Luciano começou tratamento com canetas emagrecedoras—medicamentos agonistas do receptor GLP-1—com receita médica, laboratório adequado, dosagens controladas, acompanhamento nutricional e exercícios físicos. Quatro meses depois, em fevereiro de 2026, pesava 82 quilos. Quarenta e quatro quilos eliminados. Mas a velocidade da perda de peso traz seu próprio risco: a sarcopenia, a perda de massa muscular. O corpo precisa de tempo para se adaptar. Por isso, musculação e ingestão adequada de proteína são essenciais. Luciano nunca gostou de academia, mas aprendeu que é necessária. Joga futebol três vezes por semana, treina, e agora entende por que os médicos insistem: sem acompanhamento físico profissional, a pele sobra, a massa magra desaparece, e vem a fraqueza.
Os benefícios, porém, são reais. Quando pesava acima de 130 quilos, Luciano tinha pressão arterial de 17 por 14—um fator determinante para infarto. Hoje é 12 por 8, pressão normal. Parou de tomar Losartana. As dores de cabeça desapareceram. A gordura no fígado foi embora. O colesterol caiu de 400 para valores normais. A medicação funciona, mas apenas como parte de um tratamento maior que inclui mudança de hábitos, controle alimentar e movimento constante.
As canetas emagrecedoras existem há alguns anos. Foram desenvolvidas inicialmente para diabéticos, pacientes difíceis de tratar que precisavam perder peso enquanto controlavam a glicose. Estudos mostram que mesmo pacientes super motivados, fazendo atividade física regular e controle nutricional rigoroso, perdem apenas 3% do peso com placebo. Com o medicamento, a perda chega a 15%, 17%, até 23%. A droga atua no hipotálamo, a região do cérebro que regula o peso corporal. Mas funciona apenas se o paciente também fizer sua parte.
Em fevereiro de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária emitiu um alerta sobre riscos do uso indevido de medicamentos GLP-1—dulaglutida, liraglutida, semaglutida e tirzepatida. Pancreatite aguda já constava nas bulas, mas os casos aumentaram. O uso deve ocorrer mediante receita médica e acompanhamento profissional. Porém, há outro problema maior: medicamentos falsificados e contrabandeados circulam livremente. Pessoas injetam substâncias cuja procedência desconhecem completamente. A endocrinologista Larissa relata um caso grave: uma jovem acreditou que estava tudo bem, aceitou um medicamento manipulado oferecido por alguém, e foi internada por mais de 15 dias com quadro clínico gravíssimo. Usar medicamentos sem conhecer a origem é crime contra a saúde pública, previsto no Código Penal. Mas a banalização é real. Os médicos sabem que serão responsáveis por qualquer complicação, qualquer efeito colateral, qualquer desastre. E ainda assim, as pessoas injetam no escuro.
Citações Notáveis
85% da população herda genes que favorecem o ganho de peso ao longo da vida— Dra. Larissa Teles Sanches, endocrinologista
Se você não tiver uma mudança de hábito alimentar, uma mudança saudável nos seus costumes, você volta a engordar— Luciano Antoneli Ribeiro, empresário
Essas medicações que são frutos de contrabando, que não têm registro no Brasil, é caracterizado como um crime contra a saúde pública— Dra. Larissa Teles Sanches, endocrinologista