Em Maringá, o que por anos foi uma crise cíclica de dengue começa a ceder diante de uma resposta coordenada entre ciência, gestão pública e consciência coletiva. Nos últimos trinta dias, apenas dois casos foram confirmados na cidade — uma queda de 81,6% em relação ao ano anterior e de 99,2% em relação a 2024, quando mais de 22 mil ocorrências marcaram o período equivalente. O feito não é fruto do acaso, mas de uma arquitetura de prevenção que combina armadilhas biológicas, inseticidas de longa duração e a convocação dos próprios moradores como guardiões do espaço doméstico.
Maringá registra apenas duas confirmações de dengue em um mês
A maioria dos focos ainda é encontrada dentro das casas
Como uma cidade passa de 4.134 casos em um ano para apenas 2 em um mês? Parece quase impossível.
Não é impossível, mas exige uma mudança de estratégia. Maringá deixou de reagir aos casos e começou a atacar o mosquito antes dele se reproduzir. As armadilhas e a borrifação funcionam porque impedem a desova, não porque matam o mosquito adulto.
Mas 2.383 armadilhas para uma cidade inteira — isso é realmente eficaz?
Sim, porque não trabalham sozinhas. Cada armadilha EDL atrai a fêmea e a transforma em um agente de morte — ela leva o produto para outros criadouros. É um sistema que se multiplica.
E a borrifação nas casas? As pessoas aceitam isso?
Quando os números caem tanto, a aceitação vem naturalmente. Mas o secretário deixa claro: sem as pessoas eliminando água parada em casa, nenhuma armadilha resolve. A tecnologia é apenas metade da história.
Então por que o apelo do secretário agora? Se os números estão tão baixos, não deveria estar resolvido?
Porque está resolvido apenas enquanto as pessoas mantêm a vigilância. Um vaso de planta esquecido pode recriar o ciclo. A queda não é vitória final — é uma janela que precisa ser mantida aberta.
El Pulso
- Maringá confirmou apenas 2 casos de dengue em um mês — um contraste quase inverossímil diante das 22.531 ocorrências registradas no mesmo período de 2024.
- A cidade montou um sistema de controle em camadas: armadilhas EDLs que usam as próprias fêmeas do mosquito para disseminar larvicida, borrifação residual que protege superfícies por até seis meses e drones de fiscalização aérea.
- Em treze semanas de monitoramento, houve seis períodos sem nenhum caso confirmado — um ritmo que teria sido impensável há poucos anos.
- O secretário de Saúde alerta que a maioria dos focos ainda nasce dentro das casas, em vasos, calhas e copos esquecidos no quintal, limitando o alcance até das tecnologias mais avançadas.
- A cidade mantém canais abertos para denúncias e apela para que cada morador dedique dez minutos semanais a eliminar acúmulos de água — o elo humano que nenhuma armadilha substitui.
Em Maringá, o que por anos foi uma crise cíclica de dengue começa a ceder diante de uma resposta coordenada entre ciência, gestão pública e consciência coletiva. Nos últimos trinta dias, apenas dois casos foram confirmados na cidade — uma queda de 81,6% em relação ao ano anterior e de 99,2% em relação a 2024, quando mais de 22 mil ocorrências marcaram o período equivalente. O feito não é fruto do acaso, mas de uma arquitetura de prevenção que combina armadilhas biológicas, inseticidas de longa duração e a convocação dos próprios moradores como guardiões do espaço doméstico.
Maringá vive um momento raro no enfrentamento da dengue. Em apenas trinta dias, a cidade registrou duas confirmações da doença — número que ganha peso quando colocado ao lado dos 4.134 casos do mesmo período do ano anterior e dos 22.531 de 2024. A redução chega a 99,2% em relação a dois anos atrás.
Essa virada não aconteceu por acaso. A partir de 2025, a prefeitura implantou um conjunto articulado de estratégias: ovitrampas para monitorar a presença do vetor, 2.383 Estações Disseminadoras de Larvicidas (EDLs) espalhadas pela cidade e distritos, e a Borrifação Residual Intra Domiciliar (BRI), que fixa inseticida em paredes e rodapés por até seis meses. As EDLs funcionam de forma engenhosa — atraem as fêmeas do Aedes aegypti, que ao sair carregam o produto para outros criadouros, eliminando larvas em cadeia.
Os boletins epidemiológicos confirmam a consistência da queda. Em treze semanas, seis não tiveram nenhum caso confirmado. O pico semanal máximo foi de dez confirmações — um número que, em outros tempos, seria considerado excepcional para baixo.
O secretário de Saúde, Antônio Carlos Nardi, reconhece o papel decisivo da tecnologia, mas faz um alerta: a maioria dos focos ainda é encontrada dentro das residências, em vasos, calhas entupidas e recipientes esquecidos. Ele pede que os moradores reservem dez minutos por semana para eliminar acúmulos de água. Sem esse engajamento doméstico, até as armadilhas mais sofisticadas têm alcance limitado. Denúncias de focos suspeitos podem ser feitas pelo 156, pelo 160 ou pela ouvidoria online da prefeitura.
Maringá atravessa um período notável de controle da dengue. Nos últimos trinta dias, a cidade registrou apenas duas confirmações da doença — um número que reflete uma transformação profunda na dinâmica epidemiológica local. Para dimensionar o contraste: no mesmo período do ano anterior, foram 4.134 casos confirmados. Recuando ainda mais, em 2024, durante os mesmos meses, Maringá enfrentava 22.531 ocorrências. A queda atual representa uma redução de 81,6% em relação a 2025 e 99,2% comparada a 2024.
Esse cenário não é acidental. A partir de 2025, a prefeitura implementou um conjunto coordenado de estratégias de prevenção que alterou fundamentalmente a capacidade do mosquito Aedes aegypti de se reproduzir e circular pela cidade. O arsenal inclui ovitrampas — armadilhas que monitoram a presença do vetor —, as Estações Disseminadoras de Larvicidas (EDLs), que atraem fêmeas do mosquito e as levam a disseminar produto letal em criadouros, e a Borrifação Residual Intra Domiciliar (BRI), que fixa inseticida em superfícies porosas como paredes e rodapés, mantendo uma barreira protetora ativa por até seis meses.
Os números recentes dos boletins epidemiológicos da Secretaria de Saúde mostram a consistência dessa redução. Nas últimas treze semanas, houve seis períodos sem nenhum caso confirmado. Em outras quatro semanas, foram registrados apenas dois casos cada. O máximo semanal observado ficou em dez confirmações — um patamar que teria sido considerado excepcional alguns anos atrás.
A BRI foi aplicada em locais de grande circulação de pessoas: unidades de saúde, escolas municipais, cemitério e outros pontos estratégicos. O método funciona criando uma barreira química que impede o pouso e a desova do mosquito. Complementando essa ação, a cidade instalou 2.383 armadilhas inteligentes EDLs distribuídas por toda a região urbana e distritos. Essas armadilhas funcionam como um sistema de controle biológico: atraem as fêmeas, que ao entrar em contato com o produto, o levam para outros criadouros, eliminando larvas do Aedes aegypti em cadeia.
O monitoramento não para. A secretaria realiza vistorias quinzenais em pontos estratégicos, mantém 1,2 mil armadilhas ovitrampas espalhadas pela cidade e distritos, utiliza drones para fiscalização aérea e desenvolve ações de promoção à saúde em escolas. Agentes Comunitários de Saúde e Agentes de Combate a Endemias recebem capacitação técnica contínua para manter a efetividade das operações.
Antônio Carlos Nardi, secretário de Saúde, reconhece que o investimento em tecnologia foi decisivo, mas ressalva que o trabalho não termina na esfera pública. Segundo ele, a maioria dos focos ainda é encontrada dentro das casas — em vasos de plantas, em copos descartáveis deixados no quintal, em calhas entupidas. Nardi apela para que os moradores dediquem dez minutos semanais a uma verificação simples: eliminar acúmulos de água. Sem esse engajamento doméstico, mesmo as armadilhas mais sofisticadas têm seu potencial limitado.
A cidade oferece canais para denúncias de focos suspeitos: a Ouvidoria do município pelo 156, a Ouvidoria da Saúde pelo 160, ou a página de ouvidoria da prefeitura na internet. O controle da dengue em Maringá demonstra que a redução drástica é possível quando tecnologia, vigilância sistemática e participação comunitária convergem. O desafio agora é manter essa trajetória e aprofundá-la ainda mais.
Citas Notables
Investimos em milhares de armadilhas que foram espalhadas pela cidade. Podemos reduzir ainda mais os números, mas para isso também precisamos do empenho dos moradores para que evitem o acúmulo de água.— Antônio Carlos Nardi, secretário de Saúde de Maringá