À medida que a França se aproxima de 2027, uma pesquisa do instituto Ifop revela que Marine Le Pen lidera com folga as intenções de voto para a presidência, enquanto a esquerda permanece fragmentada e o bloco de Macron dividido entre herdeiros. O avanço gradual da família Le Pen na política francesa — de Jean-Marie ao segundo turno em 2002 até Marine derrotada duas vezes por Macron — sugere que o que antes era marginal tornou-se central, e o que antes era central busca ainda encontrar seu centro.
Marine Le Pen lidera pesquisa para presidência francesa com 34-35% das intenções de voto
Nenhum candidato de esquerda teria chance de chegar ao segundo turno
Como uma pesquisa feita em setembro pode nos dizer algo confiável sobre uma eleição que acontecerá em 2027? Muita coisa pode mudar.
Verdade, mas o que a pesquisa captura é o estado das coisas naquele momento específico — setembro de 2024, em plena crise política. Não é previsão, é fotografia. E a fotografia mostra Le Pen com uma vantagem clara.
Mas precisamos ser precisos: essa é uma pesquisa de intenção de voto, não um resultado. E foi feita durante uma crise, quando as pessoas podem estar respondendo de forma diferente do que responderiam em tempos normais.
A esquerda francesa parece estar em colapso. Como um bloco que se uniu para as legislativas não consegue se unir para a presidencial?
Porque as dinâmicas são diferentes. Nas legislativas, a união era tática — para ganhar assentos. Na presidencial, cada liderança quer seu próprio candidato. Mélenchon, os comunistas, os ambientalistas, os socialistas — todos têm bases e ambições próprias.
E a pesquisa mostra que mesmo se Hollande fosse o candidato socialista em vez de Faure, ele ainda não chegaria ao segundo turno. Nenhum candidato de esquerda teria. Isso é um achado importante, mas também é importante notar que estamos falando de um cenário hipotético.
Então Macron está preso no meio, entre Le Pen e uma esquerda que não consegue se organizar?
Exatamente. Macron nomeou Barnier para tentar estabilizar a situação, mas a Assembleia está dividida em três blocos. Ninguém tem maioria. É um impasse político.
E vale lembrar que Macron não está na pesquisa porque já foi eleito duas vezes. A questão agora é quem o sucede. Se Le Pen chegar ao segundo turno com 34-35%, ela enfrentaria alguém do bloco de centro-direita — Philippe ou Attal. Mas a pesquisa não nos diz como seria esse confronto direto.
Le Pen perdeu duas vezes para Macron. Por que seria diferente desta vez?
Porque Macron não pode concorrer novamente. E porque a fragmentação da esquerda significa que não há um candidato único de esquerda para se opor a ela no segundo turno. Em 2017 e 2022, havia.
Le Pouls
- Marine Le Pen lidera com 34-35% das intenções de voto, uma vantagem que nenhum rival isolado consegue ameaçar de perto.
- O bloco de Macron está rachado entre Philippe e Attal, dois ex-primeiros-ministros que dividem o eleitorado de centro-direita sem que nenhum consolide força suficiente.
- A esquerda, que se uniu nas legislativas, volta à dispersão para 2027 — Mélenchon lidera com apenas 9-10%, enquanto socialistas, comunistas e verdes fragmentam o restante.
- Mesmo com François Hollande no lugar de Faure, os socialistas dobrariam para 7-8%, mas ainda assim nenhum candidato de esquerda chegaria ao segundo turno.
- A crise institucional aberta pela dissolução da Assembleia por Macron e a nomeação de Barnier como premier de oposição aprofunda a sensação de um país sem centro gravitacional claro.
- A trajetória aponta para um segundo turno entre Le Pen e um candidato de centro-direita — repetindo o padrão de 2017 e 2022, mas desta vez com a extrema direita em posição ainda mais sólida.
À medida que a França se aproxima de 2027, uma pesquisa do instituto Ifop revela que Marine Le Pen lidera com folga as intenções de voto para a presidência, enquanto a esquerda permanece fragmentada e o bloco de Macron dividido entre herdeiros. O avanço gradual da família Le Pen na política francesa — de Jean-Marie ao segundo turno em 2002 até Marine derrotada duas vezes por Macron — sugere que o que antes era marginal tornou-se central, e o que antes era central busca ainda encontrar seu centro.
Uma pesquisa do instituto Ifop realizada no início de setembro projeta Marine Le Pen como a grande favorita para a eleição presidencial francesa de 2027. A líder do Reunião Nacional aparece com 34% a 35% das intenções de voto no primeiro turno — uma vantagem expressiva sobre os candidatos do campo de Macron, que chegam a no máximo 26-27% e ainda se dividem entre si.
A esquerda enfrenta um cenário ainda mais adverso. Apesar da união nas eleições legislativas de 2022 e 2024, o campo progressista retorna à fragmentação para a disputa presidencial. Mélenchon lidera com 9-10%, enquanto socialistas, comunistas e ambientalistas dividem fatias menores. O Ifop testou um cenário com François Hollande pelo Partido Socialista: a legenda dobraria para 7-8%, mas ainda assim nenhum candidato de esquerda teria condições de avançar ao segundo turno.
O contexto político é de turbulência. Macron dissolveu a Assembleia Nacional em junho, produzindo uma câmara fragmentada em três blocos sem maioria absoluta. A saída encontrada foi nomear Michel Barnier, do partido de oposição Os Republicanos, como primeiro-ministro — uma solução incomum que expõe a fragilidade do centro.
Marine Le Pen não é estreante nesse palco. Chegou ao segundo turno em 2017 e 2022, sendo derrotada por Macron nas duas ocasiões. Seu pai, Jean-Marie Le Pen, fundador da Frente Nacional, já havia chegado ao segundo turno em 2002. A trajetória da família na política francesa é a de uma consolidação lenta e contínua — e os números de 2027 sugerem que essa tendência ainda não chegou ao seu limite.
A França se encaminha para uma eleição presidencial em 2027 que, segundo pesquisa do instituto Ifop realizada no início de setembro, seria dominada pela extrema direita. Marine Le Pen, líder do partido Reunião Nacional, aparece com intenção de voto entre 34% e 35% no primeiro turno — uma vantagem significativa sobre seus concorrentes mais próximos.
Os candidatos da aliança de centro-direita do presidente Emmanuel Macron ficam bem atrás. O ex-primeiro-ministro Édouard Philippe alcançaria entre 26% e 27%, enquanto Gabriel Attal, também ex-chefe de governo, chegaria a 22% a 24%. Essa divisão dentro do próprio bloco de Macron revela uma fragilidade que contrasta com a consolidação que Le Pen conseguiu em seu partido.
A esquerda francesa, por sua vez, enfrenta uma fragmentação que a coloca ainda mais distante da competição presidencial. Embora tenha se unido em uma frente comum nas eleições legislativas de 2022 e 2024, o cenário para 2027 mostra uma volta à divisão que caracterizou a disputa presidencial de 2022. Jean-Luc Mélenchon, o veterano líder da esquerda radical, seria o mais votado entre os candidatos de esquerda, com 9% a 10% das intenções. Fabien Roussel, do Partido Comunista, e Marine Tondelier, da ala ambientalista, dividiriam votos na faixa de 5% a 6% cada um. Olivier Faure, do Partido Socialista, ficaria com 4%.
O instituto Ifop explorou um cenário alternativo: se o Partido Socialista apresentasse François Hollande, ex-presidente e atual deputado, em vez de Faure, o bloco socialista dobraria sua votação para 7% a 8%. Esse ganho viria principalmente às custas do candidato da aliança de Macron. Mesmo assim, nenhum dos potenciais candidatos de esquerda teria condições de avançar para o segundo turno.
A pesquisa foi conduzida em um momento de turbulência política. Macron havia antecipado inesperadamente as eleições legislativas em junho, após dissolver a Assembleia Nacional. O resultado em julho produziu uma câmara baixa fragmentada em três blocos principais — esquerda, centro-direita e extrema direita — nenhum deles com a maioria absoluta de 289 votos necessária para governar. Para lidar com a crise, Macron nomeou Michel Barnier, veterano do partido de oposição Os Republicanos, como primeiro-ministro. O líder dessa legenda, Laurent Wauquiez, aparece na pesquisa com 4% a 5% das intenções de voto.
Marine Le Pen não é novidade nas disputas presidenciais francesas. Chegou ao segundo turno em 2017 e 2022, sendo derrotada por Macron em ambas as ocasiões. Em 2012, ficou em terceiro lugar, quando Nicolas Sarkozy e François Hollande disputaram o cargo. Seu pai, Jean-Marie Le Pen, fundador da Frente Nacional — antigo nome do principal partido de extrema direita do país — também alcançou o segundo turno em 2002, ao lado de Jacques Chirac, mas foi derrotado. A trajetória da família Le Pen na política francesa mostra uma consolidação gradual de apoio, e os números atuais sugerem que essa tendência pode se aprofundar.
Citations marquantes
A esquerda, apesar de unida nas eleições legislativas de 2022 e 2024, está dividida para a presidencial de 2027— Instituto Ifop