Marine Le Pen anuncia candidatura à Presidência francesa após redução de pena

Total liberdade de movimentos é necessária para uma candidatura presidencial
Le Pen explicou por que a pulseira eletrónica era um obstáculo intransponível para a sua campanha.

Após um tribunal de recurso em Paris reduzir a sua pena de ineligibilidade de cinco anos para quinze meses, Marine Le Pen anunciou na terça-feira que concorrerá à Presidência francesa em 2027 — a sua quarta tentativa de chegar ao Eliseu. A decisão não apaga a condenação por desvio de fundos europeus, mas devolve-lhe o direito de participar na vida democrática num momento em que o seu partido lidera as sondagens. É um dos regressos mais carregados de tensão da política europeia contemporânea: uma figura condenada pela justiça que reclama, ainda assim, o direito de ser julgada pelo povo.

  • Um tribunal de recurso em Paris cortou para menos de um terço a proibição de candidatura de Le Pen, desbloqueando a sua participação nas presidenciais de 2027.
  • A condenação original — por desviar quase três milhões de euros do Parlamento Europeu ao longo de onze anos — permanece intacta, e a juíza sublinhou a gravidade da quebra de confiança nas instituições.
  • A pulseira eletrónica tornou-se o principal obstáculo: Le Pen declarou que não fará campanha sem liberdade total de movimentos, e já anunciou recurso ao Supremo para a remover com efeito imediato.
  • Com o Rassemblement National a liderar as sondagens, o anúncio de terça-feira — 'esta noite sou candidata' — recoloca Le Pen no centro da disputa pelo poder em França.
  • Após meses de incerteza jurídica e política, a quarta tentativa presidencial de Le Pen começa oficialmente, com o caminho legal desobstruído mas a batalha judicial ainda em curso.

Marine Le Pen anunciou na terça-feira à noite, em entrevista à TF1, que será candidata à Presidência francesa em 2027. O anúncio chegou horas depois de um tribunal de recurso em Paris ter reduzido a sua pena de ineligibilidade de cinco anos para apenas quinze meses — tempo suficiente para que recupere o direito de concorrer bem antes das eleições.

A condenação que a afastou da política desde março do ano anterior mantém-se: entre 2004 e 2016, Le Pen e o Rassemblement National desviaram quase três milhões de euros em fundos do Parlamento Europeu, usando verbas destinadas a funcionários do PE para pagar colaboradores do partido. A juíza considerou os factos especialmente graves pela sua duração — onze anos, três mandatos completos — e pelo impacto na confiança nas instituições europeias. Le Pen foi condenada a três anos de prisão, dois suspensos, mais um ano de pulseira eletrónica e uma multa de cem mil euros.

É precisamente a pulseira que Le Pen identifica como o maior obstáculo à sua campanha. Meses antes desta decisão, havia declarado que não concorreria enquanto usasse o dispositivo, por considerar incompatível com a liberdade de movimentos exigida a um candidato presidencial. Agora, já anunciou recurso ao Supremo para tentar removê-la antes do tempo, com efeito suspensivo imediato.

Esta será a quarta vez que Le Pen tenta chegar ao Eliseu, sempre sem sucesso nas anteriores. Desta vez, porém, o seu partido lidera as sondagens e o caminho legal está, finalmente, desobstruído. O regresso ao centro da política francesa é oficial.

Marine Le Pen anunciou na noite de terça-feira que será candidata à Presidência francesa em 2027. O anúncio veio em entrevista à TF1, poucas horas depois de um tribunal de recurso em Paris ter reduzido significativamente a sua pena de ineligibilidade política. A decisão judicial abre a porta que estava fechada desde março do ano anterior, quando Le Pen foi condenada a cinco anos sem poder exercer cargos públicos.

A redução é substancial: de cinco anos para apenas 15 meses de ineligibilidade efetiva. Isto significa que, contando o tempo a partir da condenação inicial de março, Le Pen terá recuperado o direito de se candidatar bem antes das eleições presidenciais de 2027. O tribunal manteve a condenação pelos crimes subjacentes, mas decidiu encurtar o período durante o qual ela fica impedida de concorrer a qualquer cargo eletivo.

O caso que a levou aos tribunais é claro: entre 2004 e 2016, Le Pen e o seu partido, o Rassemblement National, desviaram quase três milhões de euros em fundos do Parlamento Europeu. O dinheiro que deveria financiar funcionários do PE foi usado para pagar colaboradores do partido. O tribunal considerou os factos particularmente graves porque se estenderam por 11 anos, abrangendo três mandatos parlamentares completos, e porque envolveram uma quantia elevada. A juíza sublinhou que este tipo de conduta quebra a confiança nas instituições europeias e prejudica a igualdade entre partidos políticos que deveriam ter acesso equitativo a fundos públicos.

Le Pen foi condenada a três anos de prisão, sendo dois deles suspensos, mais um ano de pulseira eletrónica. Terá de pagar uma multa de 100 mil euros. Mas é a pulseira eletrónica que se tornou o verdadeiro obstáculo na sua mente. Meses antes desta decisão, ela havia declarado que não faria campanha presidencial enquanto usasse o dispositivo de vigilância judicial. "Quando se é candidato às eleições presidenciais, é necessário ter total liberdade de movimentos", disse à altura ao canal LCI. "Isto não é possível com uma pulseira eletrónica."

Agora que o tribunal reduziu a ineligibilidade, Le Pen já anunciou que vai recorrer ao Supremo para tentar remover a pulseira antes do tempo. Esse recurso teria efeito suspensivo imediato, o que significa que poderia deixar de usar o dispositivo enquanto o processo decorre. Para ela, isto é vital: uma candidatura presidencial sem restrições de movimento.

O Rassemblement National lidera as sondagens para as eleições de 2027. Le Pen já tentou chegar ao Eliseu três vezes nos últimos 15 anos, sempre sem sucesso. Esta será a quarta tentativa, e desta vez com o caminho legal finalmente desobstruído. O anúncio de terça-feira — "esta noite sou candidata à eleição presidencial" — marca o regresso de Le Pen ao centro da política francesa, após meses de incerteza sobre se a condenação a manteria afastada da corrida presidencial.

Quando se é candidato às eleições presidenciais, é necessário ter total liberdade de movimentos, o que não acontece se se usar uma pulseira eletrónica
— Marine Le Pen, em declarações anteriores ao canal LCI
Esta noite sou candidata à eleição presidencial
— Marine Le Pen, em entrevista à TF1
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

O tribunal manteve a condenação, mas reduziu a pena. Como é que isto muda tudo para Le Pen?

Model

Muda porque a ineligibilidade era o verdadeiro problema. Ela podia aceitar a prisão suspensa, a multa, até a pulseira eletrónica — mas não podia aceitar estar impedida de se candidatar. Agora pode.

Inventor

Mas ela ainda tem a pulseira eletrónica. Ela própria disse que não faria campanha com isso.

Model

Verdade. Por isso vai recorrer ao Supremo para a remover. E esse recurso tem efeito suspensivo, o que significa que pode deixar de a usar imediatamente enquanto o processo decorre. É um detalhe técnico, mas é tudo o que ela precisa.

Inventor

O tribunal disse que os factos eram graves — quase três milhões de euros durante 11 anos. Porque é que reduziram a pena?

Model

Não sabemos exatamente o raciocínio completo. Mas o tribunal manteve a condenação, apenas encurtou o período de ineligibilidade. Talvez tenha considerado que cinco anos era desproporcional, ou que 15 meses era suficiente como castigo.

Inventor

E o Rassemblement National lidera as sondagens?

Model

Lidera. Isto significa que Le Pen não está apenas a recuperar o direito de se candidatar — está a recuperá-lo numa posição de força. O partido está bem posicionado para 2027.

Inventor

Ela já tentou três vezes. Porque é que desta vez será diferente?

Model

Porque desta vez não tem a condenação a impedi-la. As outras três vezes, ela perdeu nas urnas. Desta vez, se perder, será porque os franceses votaram contra ela, não porque o tribunal a impediu.

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