Oito anos depois de um vídeo caseiro transformar dois meninos catarinenses em fenômeno nacional, o protagonista Marcos Joaquim Martinelli, hoje com dezenove anos, comprou seu primeiro carro com o fruto do próprio trabalho como programador — não da fama passageira. A história de Marco Véio e seu primo Leandro é, no fundo, uma parábola contemporânea sobre o efêmero da viralidade e a solidez silenciosa da vida comum, enquanto a avó Salvelina permanece guardiã de um morro que a internet, sem querer, transformou em ponto turístico.
Marco Véio compra seu primeiro carro 8 anos após viralizar com meme
Fiquei muito feliz quando consegui comprar o Gol. Na época do carrinho, a gente nem imaginava como seria ter um automóvel de verdade
Por que você acha que esse meme em particular pegou tanto? O que tinha nele que fez as pessoas compartilharem tanto?
Acho que era a autenticidade. Não era algo forçado ou pensado. Era só dois meninos, um carrinho de madeira, uma avó, e aquela voz do Leandro com o sotaque natural. As pessoas sentiam que era real, que estava acontecendo de verdade.
E como é para Marcos e Leandro agora, oito anos depois, sabendo que aquele vídeo ainda tem oito milhões de visualizações?
Eles parecem estar em paz com isso. Não é como se estivessem fugindo da fama — é mais que eles simplesmente seguiram em frente. Marcos comprou um Gol com o dinheiro que ganhou trabalhando, não com dinheiro da fama. Leandro quer comprar um Uno quando tiver dezoito anos. São objetivos normais de pessoas normais.
A avó ainda recebe turistas. Como você acha que ela vê tudo isso?
Ela parece genuinamente feliz com isso. Não é uma coisa que a incomode. Ela gosta de receber as pessoas, gosta de falar sobre os netos. Para ela, virou parte da vida dela, mas de um jeito que ela abraçou.
Qual é a diferença entre o que aconteceu com eles e o que acontece com muitas outras crianças que ficam famosas na internet?
Acho que a diferença é que eles tinham uma família que manteve os pés no chão. A mãe dele deixa claro que sempre souberam que a fama ia acabar. Eles não tentaram estender aquilo, não tentaram virar influenciadores. Só deixaram passar.
E o carrinho de madeira? Ainda existe?
Existe. Está guardado no sítio da avó. É tipo um artefato agora. O morro onde tudo aconteceu virou ponto turístico oficial de Taió. Mas o carrinho em si, o objeto físico, está ali, guardado, como um lembrete de quando tudo começou.
The Pulse
- O bordão 'Taca-le pau nesse carrinho' atravessou o país em 2014 e colocou dois meninos do interior de Santa Catarina sob os holofotes nacionais antes mesmo de completarem dez anos.
- A fama trouxe comercial na TV Globo e aparições em shows, mas não foi suficiente para comprar um carro — o Gol 1.0 veio anos depois, conquistado com salário de programador.
- Leandro, o primo da narração icônica, trabalha como auxiliar de eletricista aos dezessete anos e já pagou a taxa da CNH, de olho em um Fiat Uno quando completar a maioridade em outubro.
- Ambos declaram, sem nostalgia, que não querem mais a atenção da imprensa — preferem o anonimato do trabalho e do estudo ao calor instável da notoriedade digital.
- No sítio onde tudo começou, a avó Salvelina, aos sessenta e oito anos, ainda recebe turistas que chegam para fotografar o carrinho de madeira e o morro que ganhou placa com seu nome.
Oito anos depois de um vídeo caseiro transformar dois meninos catarinenses em fenômeno nacional, o protagonista Marcos Joaquim Martinelli, hoje com dezenove anos, comprou seu primeiro carro com o fruto do próprio trabalho como programador — não da fama passageira. A história de Marco Véio e seu primo Leandro é, no fundo, uma parábola contemporânea sobre o efêmero da viralidade e a solidez silenciosa da vida comum, enquanto a avó Salvelina permanece guardiã de um morro que a internet, sem querer, transformou em ponto turístico.
Em 2014, um menino de onze anos desceu um morro em um carrinho de madeira enquanto seu primo de nove narrava a cena com um sotaque que logo conquistaria o Brasil inteiro. O vídeo, gravado perto da casa da avó em Taió, no interior de Santa Catarina, acumulou milhões de visualizações e transformou Marcos e Leandro em meme nacional. O carrinho ainda existe, guardado no sítio, e o morro ganhou até uma placa oficial — o 'Morro da Vó Salvelina' virou atração turística da cidade.
Hoje, Marcos Joaquim Martinelli tem dezenove anos, trabalha como programador em Gaspar e comprou seu primeiro carro: um Volkswagen Gol 1.0 de 2014. 'Fiquei muito feliz quando consegui comprar o Gol. Na época do carrinho, a gente nem imaginava como seria ter um automóvel de verdade', conta ele, que mora com os pais, usa o carro para ir ao trabalho e ainda cursa técnico em programação com planos de entrar na faculdade. A mãe, Jiovana, lembra que sempre mantiveram os pés no chão, cientes de que a fama um dia acabaria. O dinheiro do comercial na TV Globo e das aparições em shows não foi suficiente para o carro — esse veio do esforço cotidiano.
Seu primo Leandro Beninca, autor da narração inesquecível, segue caminho parecido. Aos dezessete anos, trabalha como auxiliar de eletricista em Rio do Campo, concilia o emprego com o terceiro ano do Ensino Médio e já pagou a taxa da CNH. Quando completar dezoito anos em outubro, planeja frequentar a autoescola e comprar um Fiat Uno. Sobre a fama, é direto: 'As recordações são muito boas, mas neste momento não quero mais isso. Quero trabalhar e seguir a minha vida.'
Enquanto os netos constroem vidas discretas de trabalho e estudo, a avó Salvelina Lorenzetti Lenzi, aos sessenta e oito anos, permanece como guardiã involuntária do momento. Aposentada, ela ainda recebe turistas no sítio, interrompe as atividades para fotos com o famoso carrinho e fala dos rapazes com orgulho: 'São dois seres humanos muito educados e me respeitam.' A internet criou o meme; eles escolheram a vida real.
Oito anos atrás, um menino de onze anos desceu um morro de madeira em um carrinho de brinquedo enquanto seu primo de nove anos narrava a cena com uma voz que logo se tornaria inesquecível em todo o país. "Taca-le pau nesse carrinho, Marcos. Taca-le pau, Marco Véio!" O vídeo, gravado em 2014 perto da casa da avó em Taió, um município de pouco mais de dezoito mil habitantes no interior de Santa Catarina, acumulou milhões de visualizações e transformou dois meninos anônimos em fenômeno da internet. Hoje, aquele carrinho de madeira ainda existe, guardado no sítio da avó, e o morro onde tudo aconteceu ganhou até uma placa oficial — o "Morro da Vó Salvelina" virou ponto turístico da cidade.
Marcos Joaquim Martinelli, o protagonista do meme, agora tem dezenove anos e trabalha como programador em Gaspar, uma cidade de cerca de setenta e dois mil moradores no Vale do Itajaí. No ano passado, ele comprou seu primeiro carro de verdade: um Volkswagen Gol 1.0 de 2014. Quando fala sobre a compra, há uma satisfação contida em suas palavras — "Fiquei muito feliz quando consegui comprar o Gol. Na época do carrinho, a gente nem imaginava como seria ter um automóvel de verdade." Ele mora com os pais em Gaspar e usa o Gol tanto para ir ao trabalho quanto para passeios, sempre dirigindo com cuidado, como ele mesmo ressalva. Além do emprego fixo, Marcos cursa técnico em programação e planeja ingressar em um curso universitário de análise de sistemas. A vida que leva agora é, por sua própria descrição, completamente normal.
Seu primo Leandro Beninca, aquele que deu voz ao bordão que marcou uma geração, segue um caminho semelhante. Aos dezessete anos, trabalha como auxiliar de eletricista em Rio do Campo, uma pequena cidade de cerca de seis mil habitantes no interior catarinense, onde vive com os pais. Leandro já pagou antecipadamente a taxa para tirar a Carteira Nacional de Habilitação, mas só poderá frequentar a autoescola a partir de outubro, quando completará dezoito anos. Seus planos incluem comprar seu primeiro carro — ele pensa em um Fiat Uno ou algo igualmente simples, um modelo apropriado para quem está começando a dirigir. Ele mantém aquele sotaque característico da região, com a pronúncia do "R" que conquistou internautas anos atrás, e concilia o trabalho com o terceiro ano do Ensino Médio. Quando perguntado sobre a fama, Leandro é direto: não sente falta daquela época. "A procura pela imprensa já diminuiu bastante. As recordações são muito boas, mas neste momento não quero mais isso. Quero trabalhar e seguir a minha vida."
A mãe de Marcos, Jiovana Lenzi Beninca, observa que o filho sempre foi reservado e lida bem com o fim da notoriedade. Ela conta que no começo ele nem queria dar entrevistas, apesar de ter apenas nove anos na época, mas acabou se soltando um pouco. "Sabíamos que essa fama um dia iria acabar, mas sempre mantivemos os pés no chão," diz ela. Marcos ainda guarda algum dinheiro dos tempos de fama — em 2014 participou de um comercial na TV Globo adaptando a narração original para divulgar o GP do Brasil de Fórmula 1, e também apareceu em shows de um grupo que lançou música inspirada no meme. Mas esse dinheiro, como sua mãe ressalva, não foi suficiente para comprar um carro. O Gol veio do trabalho, do esforço cotidiano de um jovem que cresceu e seguiu em frente.
A avó Salvelina Lorenzetti Lenzi, hoje com sessenta e oito anos, ainda vive a repercussão do vídeo de forma bem diferente. Aposentada, ela recebe regularmente a visita de turistas no sítio onde tudo foi gravado, ainda que sem a mesma frequência de anos atrás. De vez em quando, ela interrompe suas atividades do dia para receber visitantes que querem tirar fotos com ela e com o famoso carrinho de madeira. "Ainda recebo muitos turistas. Gosto disso, só vêm pessoas do bem aqui," diz ela. Todos os anos, Marcos e Leandro a visitam junto com os outros netos. Quando fala dos rapazes, Salvelina é só elogios: "Eu os amo muito. São dois seres humanos muito educados e me respeitam." Enquanto os netos deixaram a fama para trás e construíram vidas ordinárias de trabalho e estudo, a avó permanece como guardiã de um momento que, por acaso, virou história da internet.
Notable Quotes
Fiquei muito feliz quando consegui comprar o Gol. Na época do carrinho, a gente nem imaginava como seria ter um automóvel de verdade— Marcos Joaquim Martinelli
A procura pela imprensa já diminuiu bastante. As recordações são muito boas, mas neste momento não quero mais isso. Quero trabalhar e seguir a minha vida— Leandro Beninca