Marco Aurélio Cunha se recupera em casa e rastreia celular roubado até o Cambuci

Marco Aurélio Cunha sofreu cinco fraturas de costela, ferimento na cabeça e pneumotórax após ser assaltado e cair durante perseguição ao criminoso.
Parece que agora, usando o celular, estou errado. E quem está certo é quem rouba
Cunha critica a inversão de responsabilidade que coloca culpa na vítima de roubo, não no criminoso.
Mark

Você conseguiu rastrear o celular até o Cambuci — como isso funciona na prática?

Mimi

Usei o rastreamento do próprio aparelho. Consegui ver a localização em tempo real e identifiquei que ele chegou naquela região. Mas o que me chamou atenção foi perceber que existem zonas específicas da cidade onde esses aparelhos roubados vão parar.

Mark

E isso muda sua visão sobre como combater o roubo?

Mimi

Completamente. Você pode prender mil ladrões, mas se não acabar com quem compra o celular roubado, o crime continua. O receptador é o elo que torna o roubo lucrativo.

Mark

Você reconhece que perseguir o criminoso foi impulsivo?

Mimi

Sim, foi uma reação do momento. Mas depois pensei: por que a vítima é quem tem que correr atrás? Por que a responsabilidade recai sobre quem foi roubado?

Mark

O que você espera que mude agora?

Mimi

Policiamento preventivo nas áreas onde sabemos que isso acontece. Não é possível estar em todos os lugares, mas é possível escolher onde concentrar forças. E combater a receptação de verdade.

Mark

Como está sua recuperação?

Mimi

Evoluindo bem. Tenho cinco costelas fraturadas, mas estou em casa agora. O objetivo é voltar logo às minhas funções de médico e comentarista.

  • Um criminoso quebrou o vidro traseiro de um táxi em movimento e arrancou o celular das mãos de Cunha — e o médico, por impulso, saiu correndo atrás dele.
  • A perseguição desceu para a estação de metrô e terminou em queda violenta na escada: cinco costelas fraturadas, ferimento na cabeça e um pneumotórax que exigiram dois dias de UTI.
  • Ao rastrear o celular roubado, Cunha viu o aparelho chegar ao Cambuci, expondo a cadeia invisível que sustenta os roubos — os receptadores que compram, vendem e desmontam os aparelhos.
  • Ele defende policiamento preventivo concentrado nas zonas mais vulneráveis e o combate direto à receptação como forma de secar a fonte do crime.
  • O que mais o incomoda não é a dor física, mas a inversão moral: usar um celular num táxi tornou-se, aos olhos de muitos, um erro — como se o culpado fosse quem estava simplesmente voltando para casa.

Na noite de 12 de agosto, Marco Aurélio Cunha — médico e ex-dirigente do São Paulo — voltava para casa quando um assalto o lançou numa perseguição instintiva que terminou em queda e cinco costelas fraturadas. O episódio, ocorrido na avenida Doutor Arnaldo, em São Paulo, não é apenas a história de um homem ferido: é um espelho da violência urbana que pune a vítima duas vezes — primeiro pelo crime, depois pela culpa que a sociedade lhe atribui. Recuperando-se em casa após dois dias de UTI, Cunha transformou a dor em reflexão sobre receptação, policiamento preventivo e a inversão moral que protege criminosos enquanto responsabiliza quem simplesmente voltava para casa.

Marco Aurélio Cunha voltava para casa na noite de 12 de agosto quando um criminoso quebrou o vidro traseiro do táxi em que viajava, na avenida Doutor Arnaldo, próximo à estação Clínicas do metrô. O celular saiu de suas mãos e, sem pensar, o médico e ex-dirigente do São Paulo abriu a porta e correu atrás do ladrão.

A perseguição desceu até a estação de metrô. Na escada, ambos caíram. Cunha continuou, mas caiu novamente com força. "Eu me espatifei todo na escada", contou depois. Uma mulher chamada Vanessa permaneceu ao seu lado até o resgate chegar. Os ferimentos foram graves: cinco costelas fraturadas, um ferimento na cabeça e um pequeno pneumotórax. Ele passou dois dias na UTI antes de receber alta.

Mas o assalto revelou algo além da violência imediata. Ao rastrear o celular roubado, Cunha viu o aparelho chegar ao Cambuci, na região central de São Paulo — e isso o levou a uma reflexão sobre o que sustenta os roubos. "Você só termina isso acabando com o receptador", afirmou, defendendo que combater quem compra os aparelhos roubados é tão essencial quanto prender os ladrões.

Cunha também defende policiamento preventivo concentrado nas áreas mais vulneráveis e critica a responsabilização das vítimas. Ele estava usando o celular num táxi — algo comum — e depois do assalto recebeu a mensagem implícita de que estava errado por isso. "Parece que agora, usando o celular, estou errado. E quem está certo é quem rouba", disse. Para ele, essa inversão moral é tão grave quanto a violência física.

Marco Aurélio Cunha voltava para casa na noite de 12 de agosto quando um criminoso quebrou o vidro traseiro do táxi em que viajava, na avenida Doutor Arnaldo, perto da estação Clínicas do metrô. O celular saiu de suas mãos. Sem pensar, o médico e ex-dirigente do São Paulo abriu a porta e saiu correndo atrás do ladrão.

O perseguidor e o perseguido desceram juntos para a estação de metrô. Na escada, ambos caíram. Cunha continuou atrás do criminoso, mas a queda o derrubou novamente, desta vez com força. "Eu também caí, não sei se alguém me deu um empurrão, alguma coisa. Aí eu caí, me espatifei todo na escada", contou depois. Uma mulher chamada Vanessa que estava no local permaneceu ao seu lado até a chegada do resgate.

Os ferimentos foram graves. Cinco costelas fraturadas. Um ferimento na cabeça. Um pequeno pneumotórax — ar entre o pulmão e a parede do tórax. Cunha passou dois dias na UTI antes de receber alta e voltar para casa, onde agora se recupera. "Estou aqui me recuperando, tentando o mais rápido possível voltar às minhas funções normais de médico e comentarista", disse em entrevista.

Mas há um detalhe que o assalto revelou. Cunha conseguiu rastrear seu celular roubado e viu que o aparelho chegou ao Cambuci, na região central de São Paulo. O fato o levou a uma reflexão maior sobre como a cidade funciona quando se trata de crimes contra o patrimônio. Não é apenas o roubo que importa — é o que acontece depois, quando o aparelho desaparece nas mãos de receptadores que o vendem ou desmontam.

"Existem pontos já muito claros ali no centro da cidade, em zonas onde há os receptadores. E você só termina isso acabando com o receptador", afirmou. Para Cunha, o combate à receptação é tão importante quanto prender ladrões. Sem quem compre os celulares roubados, o incentivo para roubar diminui.

Ele também defende uma estratégia de policiamento preventivo concentrado nas áreas mais vulneráveis. "É evidente que precisa de um policiamento preventivo. Óbvio, não dá para estar em todos os lugares da cidade, mas você vai desarticulando", disse. Não é possível ter policiais em cada esquina, mas é possível escolher onde concentrar esforços.

O episódio também o fez refletir sobre a culpa que a sociedade coloca nas vítimas. Cunha estava usando um celular em um táxi — algo absolutamente comum. Mas depois de ser assaltado, a mensagem que recebe é de que ele estava errado por estar com o aparelho à vista. "Não basta só dizer: não use o celular. Parece que agora, usando o celular, estou errado. E quem está certo é quem rouba", criticou. A inversão de responsabilidade o incomoda. O criminoso quebrou o vidro e roubou. Cunha apenas estava voltando para casa.

Existem pontos já muito claros ali no centro da cidade, em zonas onde há os receptadores. E você só termina isso acabando com o receptador
— Marco Aurélio Cunha
É evidente que precisa de um policiamento preventivo. Óbvio, não dá para estar em todos os lugares da cidade, mas você vai desarticulando
— Marco Aurélio Cunha
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